Márcio
Furtado
marciofurt@yahoo.com.br
Algum tempo atrás, já transcorridos
aproximadamente 21 anos, escrevi um artigo sobre Reforma Agrária,
onde coloco que não adianta o governo assentar produtores
rurais e não dar condições para o cultivo
das terras. Mudaram os políticos, mudaram as pessoas,
mas não mudou a forma como se deve proceder junto àqueles
que querem fazer a produção agrícola neste
país.
Durante
o ano de 2006, fomos convidados para auxiliar a associação
de pequenos produtores rurais “Jair de Sá Barbosa”,
que é a responsável pelo assentamento “Luiz
Taliully Neto, no município de Guaçuí/ES,
na questão da elaboração de projetos para
aquisição de recursos financeiros destinados a
melhoramentos no assentamento, envolvendo desde a área
social até a parte agrícola.
Como
professores da UVV-Faculdade de Guaçuí, juntamente
com um acadêmico do Curso de Administração,
elaboramos um projeto para que fosse realizado um diagnóstico
sócio-econômico naquele assentamento de produtores
rurais, com o objetivo de levantar informações
que pudessem ser utilizadas para a elaboração
de diversos projetos voltados para melhorias naquela comunidade
rural.
O
projeto, desenvolvido com auxilio do INCAPER e INCRA (Pesquisa
de campo), foi transformado em Trabalho de Conclusão
de Curso pela aluna Geórgia de Freitas Bitencourt, tendo
sido defendido perante uma banca examinadora composta por três
professores do Curso de Administração da Faculdade
de Guaçuí, em novembro de 2007, como exigência
para o título de Bacharel em Administração.
Na oportunidade, foram convidados para a apresentação
dos resultados do Diagnóstico Sócio-Econômico
do Assentamento Luiz Taliully Neto (Título do TCC) o
presidente da associação dos produtores do assentamento,
o Secretário Municipal da Agricultura de Guaçuí,
o Prefeito Municipal de Guaçuí, a imprensa local
e o representante da Rede Gazeta. Somente a imprensa compareceu.
Mesmo
sabendo da conclusão do projeto e apresentação
dos resultados, as pessoas interessadas não foram atrás
das informações solicitadas, o que demonstra um
descaso muito grande, mais notadamente do setor público
municipal onde o próprio Secretário Municipal
da Agricultura é um dos produtores assentados na área
estudada. O trabalho tem informações muito interessantes,
envolvendo diversos aspectos sociais, tais como: número
de pessoas por família, quantidade de pessoas em idade
escolar e matriculada, nível de escolaridade dos componentes
da família, faixa etária de todos os membros da
família, habilidades dos adultos em desenvolver trabalhos
artesanais, nível de saúde, entre outros; na área
econômica: renda da família, dentro e fora da propriedade,
atividades desenvolvidas nas propriedades, volume da produção
e área cultivada, utilização de equipamentos
e máquinas agrícolas, nível de tecnologia
empregada etc.
Numa conversa com o Secretário Estadual da Agricultura,
no mês de março de 2008, descobrimos seu interesse
por estudos desta natureza e, quando comentamos sobre o trabalho
desenvolvido em Guaçuí, ele nos solicitou que
encaminhasse uma cópia, pois gostaria de conhecê-lo
e estudar a possibilidade de aplicar um levantamento semelhante
em todos os assentamentos de produtores rurais no Estado do
Espírito Santo. Imediatamente, foi encaminhada uma cópia
do trabalho e esperamos que, pelo menos, em nível de
governo estadual, possa haver mais seriedade com as coisas da
terra.
Sempre
a agricultura foi relegada a um plano muito distante dos prioritários
pelos governos. Não se tem uma política agrícola
que beneficie o homem do campo, muito menos quando se trata
de pequenas propriedades que, em termos de volume, são
responsáveis por uma parcela significativa da produção.
Os órgãos públicos voltados para assistência
às propriedades estão em falência, porque
o governo não tem interesse em criar mecanismos para
resolver os problemas enfrentados pelos agricultores.
É
preciso reformular a estrutura organizacional dos órgãos
públicos, tanto municipal quanto estadual. A administração
é falha porque, além dos problemas políticos
criados pelos próprios políticos (só fazem
política e não desenvolvem ações
concretas em prol da sociedade), não existe uma estrutura
adequada à realidade. Na maioria das secretarias, em
nível de estado, deveriam ser feitas mudanças
voltadas para a regionalização das ações.
O estado tem regiões distintas e não se podem
esquecer as peculiaridades de cada uma, principalmente no que
se refere à agricultura.
Quanto
estivemos como assessor do Governo do Estado, no período
de 1992 a 1994, sugerimos um projeto de regionalização
da Secretaria Estadual da Agricultura, criando três Subsecretarias
(uma para a região sul, outra pro norte e outra para
a região centro-serrana), Que na capital, ficasse o Secretário
e apenas seus assessores. Todo o corpo técnico deveria
ser regionalizado, tendo sob seu comando um subsecretário
que deveria resolver os problemas na região.
O
argumento do Governo, na época, foi de que ele (o governo)
perderia o controle dos votos e seria enfraquecido, porque surgiriam
lideranças regionais e isto não era da conveniência
do governo estadual. Assim, ficam para a capital todos os engenheiros
agrônomos, médicos veterinários, engenheiros
florestais e outros que deveriam estar trabalhando em favor
do produtor rural que está na roça e não
na capital.
O
mesmo ocorre com a segurança pública onde a situação
é pior ainda, pois os policiais mais graduados não
vão para as ruas e uma grande maioria fica fazendo trabalho
administrativo, quando deveria ser diferente. Por que não
se contrata o civil para a administração e se
coloca o policial nas ruas?
Reformas?
Pra que? A sociedade não precisa mais do governo? Os
impostos que pagamos pra que servem? Pra onde vão? Cada
vez mais, as coisas estão se afastando da sociedade que
tem que enfrentar sozinha os problemas que são muitos.
Cada vez mais, os políticos estão conseguindo
inverter todos os conceitos de responsabilidade e o povo continua
votando nesses indivíduos inescrupulosos. Onde vamos
parar?
