Daniel
Barreto
danielbbarreto@yahoo.com.br
Semanas atrás o presidente do Irã,
Mahmoud Ahmadinejad, que, como já se tornou tradição,
mais uma vez, questionou as dimensões e a real natureza
do Holocausto. Só que desta vez ele foi ainda mais longe
ao afirmar que "em breve o regime sionista desaparecerá".
Estes pensamentos, transmitidos de forma constante, e ao mesmo
tempo, pela liderança máxima daquele país,
não chegam a surpreender.
O
que pouca gente sabe é que Mahmoud Ahmadinejad vem conquistando
adeptos (incrível). Como disse o senador vitalício
italiano Giulio Andreotti em ajudar "palestinos em campos
de concentração" a emigrar para o Brasil.
A maioria pode questionar o fato de o Brasil ser escolhido,
mas a principal preocupação está entre
as aspas. O que de fato é irreal, a mídia e a
opinião pública muitas vezes qualificam como verídico.
E é justamente nesta errônea percepção
que está o perigo.
Também
causa perplexidade a concreta omissão mundial perante
este fato. Enquanto lideranças mundiais reclamam, Ahmadinejad
age, desenvolvendo armas nucleares. Enquanto lideranças
mundiais discutem, Ahmadinejad age, municiando grupos terroristas
com poderosos instrumentos bélicos. Enquanto a ONU...
Bem, ela ainda nem se pronunciou. Permanece impassível.
E, veja bem, trata-se de um afronta direto: um país integrante
das Nações Unidas enfatizando, em alto e bom som,
em cadeia mundial, sistematicamente, que pretende "eliminar
do mapa" uma nação criada legitimamente sob
os auspícios dela própria, a ONU. Ao que parece,
isto ainda não foi suficiente para mobilizá-la.
Esta
passividade já custou 15 milhões de vítimas
diretas, que foram totalmente dizimadas. De maneira consciente.
Sem piedade. Sem motivos. Estavam simplesmente na hora errada
e no local errado. Talvez no mundo errado. Porque este mundo
silenciou. E se cala novamente. O mundo precisa entender definitivamente
que, quando lembramos os 6 milhões de judeus exterminados
pelo regime Hitlerista, oramos igualmente pelos outros 9 milhões
de mortos, de todos os credos, sexos, nacionalidades, ideologias,
raças e religiões.
Se
passaram pouco mais de 50 anos desta incomparável tragédia.
Se hoje ainda há braços marcados para contar a
história, daqui a alguns anos não teremos estas
vozes ao vivo, apenas imagens de um passado que poderá
se apagar se nada for feito efetiva e urgentemente.
