*Juliano
Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
O
Oriente Médio está sempre no centro das preocupações
mundiais, ora nos conflitos entre israelenses e palestinos,
que remontam à guerra santa entre o judaísmo e
o Islã, ora entre o Ocidente cristão e as teocracias
islâmicas, como no caso do Iraque e do Afeganistão,
ora entre os próprios países orientais, como no
Paquistão ou no Irã. Recentemente, estamos atônitos
com a guerra de Israel contra o grupo armado libanês Hizbollah
(que significa "partido de Deus"). A questão
fundamental é a seguinte: o Hizbollah, com o apoio do
Irã, da Síria e da Palestina, alega que Israel
simplesmente não tem o direito de existir.
Se, por um lado, existem inúmeras questões étnicas,
políticas e econômicas envolvidas em todos estes
conflitos no Oriente Médio, há uma questão
fundamentalmente religiosa: o eterno ódio entre israelenses
(judeus) e árabes (geralmente muçulmanos). O Antigo
Testamento narra a história do povo hebreu, que se diz
iniciado por Abraão. Os hebreus, grupo de habitantes
antigos destas terras, migraram para o Egito em busca de uma
melhor situação, mas foram escravizados pelo Faraó.
Eles crêem – e também nós, cristãos
– que Iahweh, seus Deus, os libertou na famosa travessia
do Mar Vermelho e na ocupação das terras de Canaã,
habitadas até então por árabes, que se
tornaram, em sua grande maioria, adeptos do Islamismo, religião
fundada por Maomé no século VII depois de Cristo.
Os muçulmanos, porém, também se dizem filhos
de Abraão e professam a fé num Deus único,
chamado Alá. Segundo eles, o filho que Abraão
teve primeiramente com sua escrava Agar, chamado Ismael (cf.
Gn 16,15), migrou e deu origem aos povos árabes; e o
segundo filho de Abraão, Isaac, filho de sua esposa Sara,
é que acabou sendo o sucessor, gerando Jacó, que
passou a ser chamado Israel.
Para nós, judeus e cristãos, a saga de um povo
de Deus que acredita na promessa a vai ocupando a terra dos
povos cananeus, matando reis e invadindo povoados, substituindo
as religiões do local pelo culto judaico, pode soar como
uma história sagrada. Mas, em tempos de guerra, é
preciso olhar a situação com outros óculos
que não somente os religiosos, e compreender a situação
dos árabes, que jamais aceitaram ceder suas terras a
Israel. Esse conflito atravessou os séculos. Em 1948,
ajudado principalmente pelos Estados Unidos, os israelenses
conseguiram fundar o Estado independente de Israel junto à
ONU. Mas os países muçulmanos até hoje
se recusam a reconhecê-lo oficialmente.
E nós, cristãos, que postura devemos tomar diante
de tudo isso? De acordo com o papa Bento XVI que, na linha dos
últimos papas, tem se pronunciado veementemente tanto
contra os atentados dos extremistas islâmicos quanto contra
os israelenses, é preciso superar todo e qualquer fundamentalismo
religioso. Nosso compromisso é com a paz. Uma convicção
de fé não pode estar acima da vida humana! De
tudo, deve prevalecer o amor. Diz-nos São Paulo: "agora
permanecem estas três coisas, a fé, a esperança
e o amor, mas o amor é o maior" (1Cor 13,13).
*Juliano
Ribeiro Almeida é membro da Academia Calçadense
de Letras, sacerdote católico e exerce seu ministério
na paróquia Nossa Senhora do Amparo, Itapemirim-ES
