O QUARTO PODER


Sebastião Coimbra de Almeida
Juninho Coimbra
Juniordealmeida@ig.com.br

Desde muito novo, aproximadamente aos 13 anos, habituei-me a ler o jornal diariamente e o “O Globo” do Rio era o mais lido em Calçado por ser mais fácil adquirir do que jornais do ES.

Inicialmente me interessavam as notícias de esporte, mais precisamente o futebol, posteriormente a política e hoje até os classificados eu leio. Pra mim tornou-se um vício a leitura de noticiosos todos os dias. O Joubert, o Reinaldo (Pó), o Jovaci, são amigos que me venderam muitos exemplares.

Dos fatos que lia lembro bem de acompanhar, tanto pelo jornal como pela televisão (preto e branca na época), do movimento grevista dos metalúrgicos em São Paulo, que tinha como líder máximo o Sr. Luis Inácio da Silva; hoje Luis Inácio LULA da Silva, Presidente do Brasil; inclusive culminando com sua prisão.

Foram muitos os dias de greve. Mesmo assim acompanhava diariamente o desenrolar dos fatos já que não era comum aquele tipo de manifestação numa época em que os Militares mandavam e desmandavam no Brasil. Por muito tempo, e até hoje, diversas pessoas denominam uma greve ou qualquer outro movimento reivindicatório como um movimento subversivo, de baderneiros, de pessoas que não gostam de trabalhar.

Logo em seguida veio a pressão pela anistia. O chavão era: “ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA”. A anistia veio e com ela cidadãos que foram enxotados do Brasil puderam voltar e ter uma vida normal, sem precisar permanecer na clandestinidade.

Gostava de ler os jornais pra saber sobre os projetos polêmicos que eram votados no Congresso, e quem votava contra ou a favor. Formava minha opinião sobre os Deputados e Senadores, se eram bons ou ruins, à partir do seu posicionamento.

Nas eleições de 82 para Prefeito já tinha um pensamento político formado, já sabendo discernir, dentro da minha ótica, claro, quem merecia vencer e para quem torcer, pois ainda não havia completado a idade mínima para votar.

Outro movimento importante em nosso País e que me marcou muito foi o das eleições diretas, denominado de “DIRETAS JÁ”.

Gostava de ler as notícias e saber quais Deputados e Senadores eram contra ou a favor das eleições diretas para Presidente da República, a qual eu era simpatizante.

Mas nem tudo eram flores. Às vezes ficava intrigado com certas notícias que eram divulgadas e semanas depois, ou meses até, já tinha uma nova versão. Nessa fase já sabia da imprensa oprimida que tivemos por muitos anos, pois a liberdade de imprensa ainda não existia em nosso País.

Vieram as eleições diretas para Presidente, Constituição Democrática, impeachiment de Fernando Collor, escândalos etc. E a imprensa foi fundamental em todos esses processos acima citados. Desde a redemocratização do nosso País até a apuração de escândalos envolvendo o setor público. O fato concreto é que sempre achei a imprensa uma instituição imprescindível no fortalecimento das instituições democráticas, e sou a favor de sua plena liberdade.

Entretanto, são muitos os exemplos de que essa mesma liberdade de imprensa, nos últimos anos, tem sido usada para injuriar, difamar, caluniar e invadir injustamente a privacidade de cidadãos, enxovalhar pessoas, liquidar com reputações e, até mesmo, tentativas de destruir instituições centenárias.

O nível de casos de manipulação por parte de órgãos da mídia, como Veja, Globo, Estadão, e outros maiores, constituem um desrespeito e um abuso à liberdade de imprensa.
Os abusos e desrespeitos vão desde áreas como a política e os políticos, passando pelo futebol, até às Igrejas, dentre outros setores variando de acordo com seus interesses.

É essencial que, em respeito aos princípios constitucionais, e mais que isso, em garantia da dignidade da pessoa humana, conceda-se aos cidadãos o direito à informação correta, verdadeira e IMPARCIAL, sem que haja manipulação e seja tendenciosa.

Apenas para ficar em exemplos, o “O Globo” acusou o Vice Presidente da República, José Alencar, de furar uma fila de transplante de medula óssea que não existe.

Nas CPMI’s recente, foi divulgado que o Partido dos Trabalhadores teria recebido dinheiro de Cuba, dinheiro de Angola, dinheiro de Fundo de Pensão. Suposições que foram rechaçadas e não foram sequer mencionadas no relatório final. Porém nas manchetes dos principais veículos de informação (principalmente “VEJA”) estampou-se: “PT recebe dinheiro de Cuba”.

No futebol temos a Rede Globo de Televisão tentando, de todas as formas, “eliminar” uma instituição centenária como o Clube de Regatas Vasco da Gama, por conta de brigas com o Presidente daquela instituição. O motivo é que a Globo teve que transmitir um jogo de final de campeonato (Copa João Havelange no ano de 2000, Vasco x São Caetano), com o time do Vasco usando no uniforme o logotipo do SBT.

Contra o Vasco, manchetes polêmicas ao passo que por outro lado, esta semana na tal “OPERAÇÃO CEROL” da Polícia Federal descobriu-se que o Flamengo está envolvido nas fraudes contra o INSS.

Qual fora o destaque da imprensa? Nenhum. Só o jornal “O Dia” que publicou pouca coisa. E olha que o Flamengo recebe verbas da Petrobrás, que é uma empresa estatal, portanto, dinheiro público. Eis a questão: “SE NÃO ESTÁ EM DIA COM O PAGAMENTO DOS TRIBUTOS PODE-SE RECEBER DINHEIRO PÚBLICO?” Logo “DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS?”

Acusações precipitadas, apurações deficientes, tudo isso tem ocorrido com freqüência e tem levado a uma série de abusos e equívocos que podem arruinar a vida de pessoas inocentes. Um exemplo claro é o do ex Deputado Ibsen Pinheiro.

A época do escândalo dos Anões do Orçamento, descobriram um depósito em sua conta de R$ 1.000,00 se não estou enganado, e divulgaram como sendo de R$ 1.000.000,00. Acabaram com a vida pública dele sem que lhe fosse dada a chance de explicações. Dia desses o vi numa entrevista no programa “RODA VIDA” da TV Cultura, logo após a Justiça inocentá-lo de qualquer envolvimento com a máfia dos anões no Congresso Nacional. Ele chorou.

Uma grande parte dessa imprensa que aí se encontra não lutou contra a ditadura e aproveita-se agora para enxovalhar reputações, atacar homens públicos e até mesmo tentar manipular eleições.

Parece que na Inglaterra há um conselho que recebe reclamações contra a imprensa, e que concede, inclusive, indenizações às vítimas de calúnia, difamação e invasão de privacidade por parte da dela.
Até quando prevalecerão os interesses comerciais (de jornais e revistas) e empregatícios (de jornalistas) da imprensa no Brasil?

Como disse acima, sempre fui a favor da “total e irrestrita liberdade de imprensa”, que está lá prevista no § 1º, do artigo 220 da Constituição Federal de nosso país, mas do jeito que estão abusando, teremos que criar mecanismos de punição severa para os excessos e exageros que estamos vendo.

Ler uma notícia no jornal hoje, não quer dizer que a verdade está ali escrita. Leio com restrições e espero o desenrolar dos fatos para tirar minha própria conclusão.


A imprensa é uma grande potência, mas como uma torrente em fúria submerge a planície e devasta as colheitas, da mesma forma uma pena sem controle serve para destruir.

Autor desconhecido.


 



 

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