Desde
muito novo, aproximadamente aos 13 anos, habituei-me a ler o
jornal diariamente e o “O Globo” do Rio era o mais
lido em Calçado por ser mais fácil adquirir do
que jornais do ES.
Inicialmente me interessavam as notícias de esporte,
mais precisamente o futebol, posteriormente a política
e hoje até os classificados eu leio. Pra mim tornou-se
um vício a leitura de noticiosos todos os dias. O Joubert,
o Reinaldo (Pó), o Jovaci, são amigos que me venderam
muitos exemplares.
Dos fatos que lia lembro bem de acompanhar, tanto pelo jornal
como pela televisão (preto e branca na época),
do movimento grevista dos metalúrgicos em São
Paulo, que tinha como líder máximo o Sr. Luis
Inácio da Silva; hoje Luis Inácio LULA da Silva,
Presidente do Brasil; inclusive culminando com sua prisão.
Foram muitos os dias de greve. Mesmo assim acompanhava diariamente
o desenrolar dos fatos já que não era comum aquele
tipo de manifestação numa época em que
os Militares mandavam e desmandavam no Brasil. Por muito tempo,
e até hoje, diversas pessoas denominam uma greve ou qualquer
outro movimento reivindicatório como um movimento subversivo,
de baderneiros, de pessoas que não gostam de trabalhar.
Logo em seguida veio a pressão pela anistia. O chavão
era: “ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA”. A anistia
veio e com ela cidadãos que foram enxotados do Brasil
puderam voltar e ter uma vida normal, sem precisar permanecer
na clandestinidade.
Gostava de ler os jornais pra saber sobre os projetos polêmicos
que eram votados no Congresso, e quem votava contra ou a favor.
Formava minha opinião sobre os Deputados e Senadores,
se eram bons ou ruins, à partir do seu posicionamento.
Nas eleições de 82 para Prefeito já tinha
um pensamento político formado, já sabendo discernir,
dentro da minha ótica, claro, quem merecia vencer e para
quem torcer, pois ainda não havia completado a idade
mínima para votar.
Outro movimento importante em nosso País e que me marcou
muito foi o das eleições diretas, denominado de
“DIRETAS JÁ”.
Gostava de ler as notícias e saber quais Deputados e
Senadores eram contra ou a favor das eleições
diretas para Presidente da República, a qual eu era simpatizante.
Mas nem tudo eram flores. Às vezes ficava intrigado com
certas notícias que eram divulgadas e semanas depois,
ou meses até, já tinha uma nova versão.
Nessa fase já sabia da imprensa oprimida que tivemos
por muitos anos, pois a liberdade de imprensa ainda não
existia em nosso País.
Vieram as eleições diretas para Presidente, Constituição
Democrática, impeachiment de Fernando Collor, escândalos
etc. E a imprensa foi fundamental em todos esses processos acima
citados. Desde a redemocratização do nosso País
até a apuração de escândalos envolvendo
o setor público. O fato concreto é que sempre
achei a imprensa uma instituição imprescindível
no fortalecimento das instituições democráticas,
e sou a favor de sua plena liberdade.
Entretanto, são muitos os exemplos de que essa mesma
liberdade de imprensa, nos últimos anos, tem sido usada
para injuriar, difamar, caluniar e invadir injustamente a privacidade
de cidadãos, enxovalhar pessoas, liquidar com reputações
e, até mesmo, tentativas de destruir instituições
centenárias.
O nível de casos de manipulação por parte
de órgãos da mídia, como Veja, Globo, Estadão,
e outros maiores, constituem um desrespeito e um abuso à
liberdade de imprensa.
Os abusos e desrespeitos vão desde áreas como
a política e os políticos, passando pelo futebol,
até às Igrejas, dentre outros setores variando
de acordo com seus interesses.
É essencial que, em respeito aos princípios constitucionais,
e mais que isso, em garantia da dignidade da pessoa humana,
conceda-se aos cidadãos o direito à informação
correta, verdadeira e IMPARCIAL, sem que haja manipulação
e seja tendenciosa.
Apenas para ficar em exemplos, o “O Globo” acusou
o Vice Presidente da República, José Alencar,
de furar uma fila de transplante de medula óssea que
não existe.
Nas CPMI’s recente, foi divulgado que o Partido dos Trabalhadores
teria recebido dinheiro de Cuba, dinheiro de Angola, dinheiro
de Fundo de Pensão. Suposições que foram
rechaçadas e não foram sequer mencionadas no relatório
final. Porém nas manchetes dos principais veículos
de informação (principalmente “VEJA”)
estampou-se: “PT recebe dinheiro de Cuba”.
No futebol temos a Rede Globo de Televisão tentando,
de todas as formas, “eliminar” uma instituição
centenária como o Clube de Regatas Vasco da Gama, por
conta de brigas com o Presidente daquela instituição.
O motivo é que a Globo teve que transmitir um jogo de
final de campeonato (Copa João Havelange no ano de 2000,
Vasco x São Caetano), com o time do Vasco usando no uniforme
o logotipo do SBT.
Contra o Vasco, manchetes polêmicas ao passo que por outro
lado, esta semana na tal “OPERAÇÃO CEROL”
da Polícia Federal descobriu-se que o Flamengo está
envolvido nas fraudes contra o INSS.
Qual fora o destaque da imprensa? Nenhum. Só o jornal
“O Dia” que publicou pouca coisa. E olha que o Flamengo
recebe verbas da Petrobrás, que é uma empresa
estatal, portanto, dinheiro público. Eis a questão:
“SE NÃO ESTÁ EM DIA COM O PAGAMENTO DOS
TRIBUTOS PODE-SE RECEBER DINHEIRO PÚBLICO?” Logo
“DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS?”
Acusações precipitadas, apurações
deficientes, tudo isso tem ocorrido com freqüência
e tem levado a uma série de abusos e equívocos
que podem arruinar a vida de pessoas inocentes. Um exemplo claro
é o do ex Deputado Ibsen Pinheiro.
A época do escândalo dos Anões do Orçamento,
descobriram um depósito em sua conta de R$ 1.000,00 se
não estou enganado, e divulgaram como sendo de R$ 1.000.000,00.
Acabaram com a vida pública dele sem que lhe fosse dada
a chance de explicações. Dia desses o vi numa
entrevista no programa “RODA VIDA” da TV Cultura,
logo após a Justiça inocentá-lo de qualquer
envolvimento com a máfia dos anões no Congresso
Nacional. Ele chorou.
Uma grande parte dessa imprensa que aí se encontra não
lutou contra a ditadura e aproveita-se agora para enxovalhar
reputações, atacar homens públicos e até
mesmo tentar manipular eleições.
Parece que na Inglaterra há um conselho que recebe reclamações
contra a imprensa, e que concede, inclusive, indenizações
às vítimas de calúnia, difamação
e invasão de privacidade por parte da dela.
Até quando prevalecerão os interesses comerciais
(de jornais e revistas) e empregatícios (de jornalistas)
da imprensa no Brasil?
Como disse acima, sempre fui a favor da “total e irrestrita
liberdade de imprensa”, que está lá prevista
no § 1º, do artigo 220 da Constituição
Federal de nosso país, mas do jeito que estão
abusando, teremos que criar mecanismos de punição
severa para os excessos e exageros que estamos vendo.
Ler uma notícia no jornal hoje, não quer dizer
que a verdade está ali escrita. Leio com restrições
e espero o desenrolar dos fatos para tirar minha própria
conclusão.