REFLEXÃO

*Marcio José Furtado
marciofurt@yahoo.com.br

Uma coisa complicada é o comportamento humano. Às vezes, a gente não consegue entender a nossa própria maneira de agir, de dar soluções aos problemas que nos afligem, de questionar a vida alheia, de falar sobre futebol, política ou até mesmo de religião. Também, para mostrar a complexidade desse comportamento, basta verificar como é muito fácil opinar sobre questões relativas a outras pessoas – sempre os nossos problemas são mais difíceis...

É curioso observar, também, o momento em que alguns fatos ocorrem. O estado de tranqüilidade, ansiedade, angústia, ira, paixão, ou de forma diferente, a hora do dia, o dia da semana, a semana do mês e o mês do ano, tudo interfere na tomada de decisão, seja qual for a dimensão do problema. Chega-se a dizer que devemos contar até dez antes de qualquer posicionamento. Há ainda quem diz que a voz do coração é mais doce que a da razão. Cuidado ao tomar uma posição... Siga a voz da razão... Cuidado com a paixão; pois nesse caso pode ser insensata sua decisão.

Em função de tudo isso, além da própria formação intelectual que muitas vezes é influenciada pelo meio, devemos exercitar nossos pensamentos, tal como um atleta que, para manter a forma física, está sempre às voltas com os exercícios. É comum se ouvir dizer que corpo são, mente sã. O contrário também não é verdadeiro? Muitas vezes, ouvimos dizer também que quando a cabeça não pensa o corpo paga... Devemos, então, sempre que possível, olhar um pouco para dentro de nós mesmos, ou seja, verificar se estamos sendo coerentes ou se, muitas vezes, adotamos posicionamentos diferentes diante de fatos semelhantes.

Quando conhecemos uma nova pessoa ou nos deparamos com um fato novo, sentimos uma nova emoção e, por isso, estamos sempre sujeitos a algum tipo de impacto. Um novo fenômeno (pessoa ou fato) será sempre novidade na vida da gente e, talvez, por isso é que muitas coisas são bem vindas e outras não. Se pudéssemos prever quem estaria por se aproximar da gente, o prazer de uma nova amizade provavelmente não existiria. Por esta razão, devemos disciplinar nosso comportamento diante dos novos conhecimentos. É importante realizarmos algum tipo de análise antes de continuarmos na nova estrada – quando se envereda por um novo caminho, antes de uma longa caminhada, devem-se buscar informações a respeito de onde estamos, pois poderá ser tarde demais e, na maioria dos casos, não se pode retroceder.

Normalmente, esses fatos ocorrem no mundo dos negócios, na vida amorosa, em nossos empregos, em decisões políticas etc., quando conflitos diversos têm abalado a saúde de muita gente. Não queremos aqui, deixar nenhuma receita. Estamos simplesmente colocando alguns conceitos (se é que podemos chamar de conceitos) relativos ao comportamento humano perante alguns fatos da vida cotidiana. O importante é, de vez em quando, pararmos para uma reflexão. À vezes, fazemos isto à noite quando vamos dormir. Só que não o fazemos conscientemente. É preciso disciplinar nossos pensamentos para que possamos, então, por em prática este tipo de exercício.

Existem centenas de livros cheios de lições a respeito de como dominar nossos pensamentos, como mudar nosso comportamento, como alcançar bons resultados em termos de relações humanas. Não desaconselhamos esse tipo de leitura. Em muitos casos, é até necessário. Todavia, é muito difícil se achar a receita apropriada, uma vez que cada pessoa tem um caso diferente das demais. Apesar de não haver contra indicação nos livros, é como se estivéssemos comprando remédio sem prescrição médica. Devemos, pois ir em busca de alguma orientação que pode estar até nas pessoas com as quais convivemos no dia-a-dia. De qualquer modo, devemos sempre estar preocupados com os reflexos negativos de nossas atitudes – já é o começo para melhorar nosso relacionamento com os outros.

Não é meu desejo fazer proselitismo, isto é, não estou aqui como filósofo, médico, sacerdote ou representante de outra atividade profissional. Estou, sim, como pessoa que tem se preocupado com esta matéria e que, sem qualquer embasamento teórico, resolveu externar seu pensamento.


*Engenheiro Agrônomo, Professor da UVV e membro da Academia Calçadense de Letras.

 



 

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