SE EU FOSSE UM POLÍTICO

Márcio Furtado
marciofurt@yahoo.com.br


Depois de tanto tempo observando o que as pessoas fazem, cada uma na sua área de atuação, é possível verificar que a perfeição está muito longe de acontecer. Talvez, seja porque a perfeição tem conceitos diferentes entre as pessoas. Umas acham que perfeição é não haver erros no que se faz. Outras, num sentido mais amplo, pensam que perfeição é estar sempre agradando aos outros, mesmo que algumas coisas sejam feitas com pequenos defeitos. Outras, ainda, menos escrupulosas, entendem que a perfeição é conseguida quando se passa uma imagem distorcida da realidade para a sociedade que não reclama e está sempre satisfeita.

É muito comum, nos dias atuais, ver as coisas acontecendo de forma tão absurda que chegamos a pensar que as pessoas não têm mais a capacidade de discernir entre o certo e o errado, entre o belo e o feio, entre o grande e o pequeno, entre o claro e o escuro. Estamos todos perdendo a consciência e passando a viver numa sociedade movida apenas pelos interesses daqueles que alcançam o poder público com promessas descabidas e sem um pouquinho se quer de vontade de promover as realizações necessárias ao bem comum.

Vejo, com muita tristeza, que as pessoas estão cada vez mais despreparadas para assumir um cargo público. Dentre elas, poucas têm vontade de fazer alguma coisa e a grande maioria só pensa em proveito próprio e daqueles com os quais fez compromissos em época das campanhas eleitorais. Não se tem, nem sequer, a capacidade de enxergar que é através do trabalho honesto e realizado de forma equânime na sociedade que se faz a melhor campanha para os próximos mandatos.

Vivemos hoje o que se chama de democracia, onde os donos dos partidos decidem, entre as barganhas e artimanhas políticas, quem nos vão empurrar goela abaixo. Somos levados às urnas para digitar números que correspondem a candidatos que não queremos eleger. Somos enganados desde muito antes das eleições e estaremos sempre sujeitos aos políticos que não têm interesse de, pelo menos, procurar soluções para os problemas existentes. Não deveríamos dar um basta nisto? Não deveríamos tentar mudar este quadro, não mais elegendo pessoas inescrupulosas e irresponsáveis? Tivemos esta oportunidade, há tão pouco tempo, e não fomos capazes de banir de vez os maus políticos que envergonham nosso estado e país.

Se eu fosse um político e tivesse todo o poder nas mãos, faria com que não houvesse mais salários para vereadores, prefeitos, deputados, senadores e presidente. O trabalho deveria ser voluntário e, na certa, não haveria mais campanhas feitas pelos candidatos, envolvendo milhões e milhões de reais que são gastos com shows em comícios, papéis e outros materiais que apenas poluem nossa natureza já tão devastada pelas mãos do homem. Mudaria a constituição, principalmente em relação às eleições, fazendo com que somente houvesse a troca de políticos que não estivessem dando certo, não importando o tempo do mandato. Para isto, a partir de denúncias pelo Ministério Público, seriam realizados plebiscitos, para se saber a opinião do povo a respeito da substituição ou não do político envolvido. Também, permitiria ao povo decidir se o voto deveria continuar sendo obrigatório ou não. Mudaria a política que trata da cobrança de impostos, principalmente em relação ao Imposto sobre a renda, onde o cidadão assalariado deveria ficar isento do pagamento deste tributo, uma vez que salário é a remuneração pelo trabalho prestado e não a renda obtida pela compra e venda de produtos, onde a grande maioria dos brasileiros nem sequer declara o tipo de negócio que pratica. Acabaria com o limite máximo para desconto, nos salários, para o INSS, pois quem mais recebe deveria ser quem maior desconto teria. Reduziria os encargos trabalhistas para permitir que todos tivessem carteira assinada e que a informalidade deixasse de existir. Criaria quotas para pobres e não para pretos (o que está sendo feito é preconceito), uma vez que ao preto não tem sido negada vaga nas escolas. O que acontece é que ele faz parte da grande maioria de pobres neste país com tanta riqueza. Faria com que as Universidades públicas tivessem a maioria das vagas destinadas a estudantes carentes. Este é o papel do Estado.

Quantas coisas mais faria, se eu fosse um político e tivesse todo o poder nas mãos!
Só que mesmo sendo um político que tivesse todo o poder nas mãos, não conseguiria mudar as regras do jogo, porque nesse jogo estão envolvidos os políticos que jamais irão abrir mão dos salários e vantagens que são uma vergonha nacional, que não deixarão a oportunidade de continuar enganando toda a população brasileira, que permanecerão se beneficiando dos inúmeros impostos arrecadados que se transformam em riqueza para alguns que a justiça é incapaz de punir, que nunca permitirão que bons políticos (raras exceções) permaneçam no cargo enquanto estiverem produzindo resultados satisfatórios, que sempre irão legislar em causa própria e que jamais irão permitir mudanças que os atrapalhem.

São esses políticos que não permitem a melhoria de vida de todos nós; são eles que estão acabando com a educação no país; são eles que contribuem para a péssima qualidade da saúde praticada àqueles que não dispõem de recursos; são eles que não enxergam que fiscais, policiais e professores deveriam ser mais bem remunerados e treinados para o exercício de suas funções; são eles os culpados por tanta violência nos grandes centros urbanos e pelos desequilíbrios ambientais que vêm provocando diversas alterações na natureza; são eles os responsáveis pela falta de emprego, pela falta de estrutura física e financeira para o desenvolvimento da nação; são eles que, para conseguirem votos das pessoas mais humildes, preferem que a pobreza continue; são eles que envergonham nosso país.

 



 

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