A simbologia do monólito

Gilberto Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br

O que aquele monólito cor de ébano simbolizou para o homem macaco, no livro escrito por Arthur C. Clark ? Muito provavelmente tudo, apesar de, no início, só uma certa desconfiança primitiva. Com o passar do tempo, o homem macaco, vendo que aquele bloco de arestas vivas e de faces muito polidas, não apresentava perigo para a tribo, como também não servia para saciar a fome dele e de seus pares, não mais se interessou por ele. Porém, apesar de não mais se interessar, alguma coisa naquele bloco de pedra polida despertou no homem macaco algo que, decididamente, o levou e a sua tribo, a desviar do cominho da extinção.

Sem se aperceber que aquele monólito mudaria sua vida para sempre, o homem-macaco deu inicio à raça humana. Se, a princípio, o monólito só despertou desconfiança, o que poderia ter havido, então, para essa formidável transformação ? Não é fácil responder a esta pergunta, mas, talvez o Grande Arquiteto do Universo, percebendo que havia chegado a hora da criação de uma raça pensante no planeta Terra, sutilmente iniciou o processo evolutivo, lento e gradual. Informações genéticas primitivas de seus ancestrais contribuíram para que o homem-macaco melhor se desenvolvesse naquele meio tão hostil e, ao longo dos séculos, desenvolvesse habilidades inimagináveis para as outras raças.

Assim, o despertar da curiosidade no homem macaco o levou a percorrer caminhos nunca antes percorridos. A ingestão de carne, por exemplo, mudando completamente sua ração alimentar, pode ter sido de fundamental importância, segundo as descobertas científicas, para o seu desenvolvimento, mas o que levou o homem-macaco a essa mudança foi, primordialmente, a descoberta de que, com os rudimentares braços e mãos que possuía, tinha melhores condições de se defender e de se alimentar, que as outras raças existentes até então.

Não seria, portanto, um absurdo afirmar que o nosso homem macaco “Sentinela da Lua”, assim denominado por Arthur C. Clark, foi o primeiro pensador-cientista da humanidade. Mesmo a humanidade, hoje, estando a ponto de se auto-aniquilar, graças ao formidável poder de conhecimento que detêm, a figura do pensador-cientista ainda é de fundamental importância para a sobrevivência da raça humana.

É interessante notar que a figura do pensador-cientista tanto pode contribuir para o bem quanto para o mal da humanidade, e, felizmente ou infelizmente, suas teorias e invenções impulsionam o homem no sentido de, cada vez mais, tornar as coisas mais fáceis e, numa formidável ambivalência, também mais perigosa e mais fascinante. O equilíbrio entre o mal e o bem é pífio, pois, ambos, aperfeiçoam tanto suas formulações que elas se equivalem, com ligeiro predomínio de uma sobre a outra, mas por pequenas frações de tempo. E é nessa espécie de brincadeira de gato e rato que a humanidade caminha, perigosamente, é bem verdade, na incansável busca do conhecimento. Se para o grande escritor português, Fernando Pessoa, “navegar é preciso, viver não é preciso”. Para a humanidade, parafraseando o grande escritor, o lema deve ser: pensar é preciso, viver não é preciso ... , é conseqüência.


 

 



 

O broinha - www.broinha.com.br - todos os direitos reservados