SOBRE PRAGAS DIVERSAS

Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com


O Santo Padre Bento XVI não tem mesmo medo de dizer a verdade. Faz isso com a mesma coragem com que Pedro anunciou aos judeus que Jesus era o Messias, com a mesma convicção com que Paulo falou da ressurreição aos gregos no areópago de Atenas. Logo, não é de se estranhar que o Papa desses nossos tempos entranhados de verdadeiro neopaganismo, também seja incompreendido, criticado e mesmo perseguido. Na recente Carta Apostólica Sacramentum Caritatis, Bento XVI foi a voz dos bispos do mundo inteiro que, em 2005, se reuniram em mais uma assembléia do Sínodo, para refletir sobre a Eucaristia. No número 29 do documento final, ele vai falando que, assim como a Eucaristia é sacramento e, por isso, irreversível, também o Matrimônio é indissolúvel. E lamenta a situação dos fiéis que não conseguiram manter o casamento religioso, separaram-se e se casaram novamente. É nesse contexto que ele diz: "Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos". E termina pedindo atenção dos pastores a essas ovelhas que vivem nessa "dolorosa situação".

Os meios de comunicação social, como sempre fazem, não publicaram o sentido da fala oficial da Igreja; aqueles que vivem fisgando polêmica para sobreviver recortaram a palavra "praga" – utilizada no texto conforme o sentido original na língua portuguesa, que é o de epidemia ou doença contagiosa – e deram a ela um sentido pejorativo que nunca existiu. O problema é que, no popular do Brasil, praga é sinônimo de maldição ou do tão à tona "encosto". Da forma como foi disposta a palavra nos noticiários, ficou parecendo que o Papa estava dizendo que os divorciados são amaldiçoados. E pior: pareceu que ele estava considerando praga os divorciados e não o divórcio! Qualquer um que tenha lido um pouco mais atentamente percebe que ele, na verdade, utiliza a metodologia de Jesus: o pecador é um filho amado de Deus; o pecado, sim, é uma praga, no sentido de que vai se espalhando e contaminando tudo o que encontra pela frente.

Mas parece que estamos mesmo voltando à época das catacumbas e dos mártires. Está sendo aprovada no Congresso a lei contra a homofobia, que chega a considerar criminoso o bispo que não aceitar no seminário um homossexual, ou o pregador que colocar o homossexualismo na lista dos pecados. Nesse ritmo, em pouco tempo, vão exigir que os cristãos rasguem na Bíblia as páginas em que Deus condena claramente a prática homossexual... E mais: não foi apenas mais um disparate do presidente Lula chamar de hipócrita a Igreja e quem mais que for contrário à distribuição de camisinha nas escolas; essa idéia é muito mais perigosa do que absurda, porque atenta contra a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, dois direitos humanos fundamentais.

 



 

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