Jorge Luis Vargas dos Santos
ticogessinger@yahoo.com.br

O homem sapiens e demens em si e por si clama por transcendência. Toda imanência deseja transcender. Toda prisão clama por libertação. Os desejos não suportam as crises, mas os sonhos supra-assumem toda crise. Mesmo preso na escuridão da caverna, onde houver um raio de luz há esperança.
Numa sociedade teoricamente democrática é inadmissível permitir que uma pseudo-politica tente impedir que o ser humano proteste e lute pelos seus direitos. Infelizmente no atual cenário da política do Brasil ainda existem projetos imperiais que tentam impedir o cidadão (ã) de exercer sua cidadania com liberdade e dignidade.
Todavia, no ultimo domingo minha cidade natal viveu uma forte experiência de transcendência. O eleitor antes concebido como ignorante manifestou com consciência e sabedoria sua cidadania. O povo calçadense clama por uma política democrática e participativa e não por uma politicagem caracterizada pelo medo, perseguição, opressão e abandono.
O povo calçadense transcendeu. A esperança venceu o medo. Para Leonardo Boff “a transcendência é talvez o desafio mais secreto e escondido do ser humano. Ele se recusa a aceitar a realidade na qual está mergulhado porque se sente maior do que tudo o que o cerca. Essa capacidade é o que nós chamamos de transcendência, isto é, transcende, rompe, vai para além daquilo que é dado. Numa palavra, eu diria que o ser humano é um projeto infinito”.
Para Shopenhauer somos seres de vontade. A vontade é insaciável. Nossa vontade de transcender também deve ser insaciável. Com isso, o real valor da transcendência deve ser experimentado em gestos concretos em prol da humanização da humanidade. O ápice da transcendência no povo Calçadense ainda não se totalizou, será total quando o novo governo com humanidade der passos significativos para resgatar a dignidade de todo ser e com co-responsabilidade erigir uma sociedade mais justa e solidária, sobretudo para com os mais pobres e excluídos.
O povo Calçadense ainda não é feliz (ser feliz), pois, ser feliz significa um estado prolongado de felicidade, além do mais, parte do nosso povo ainda se sente tratado como objetos, ganham salário baixíssimo etc. Porém, é claro e objetivo que o povo de Calçado estar feliz, ou seja, por um momento está feliz, pois, reencontrou a esperança.
Acredito que não exista partido melhor ou pior, mas projetos individuais e interesseiros e projetos comunitário e eficaz. Todos esses projetos são governados por seres humanos, e, todo humano é sapiens e demens. No fundo, mesmo que inconsciente, o povo de Calçado não votou contra uma ou outra pessoa, mas contra um programa político que não promoveu em quatro anos a dignidade da população Calçadense. Ora, fica um alerta para a nova gestão: o mesmo pode acontecer daqui quatro anos caso o novo governo não construa sua política em base sólida e eficaz.
A votação encerrou domingo passado, mas a vida do povo permanece sendo desumanizada. Agora não é tempo de ir para as ruas zombar e desrespeitar do derrotado, mas de unir forçar para lutar pelo bem comum de todos.
Peço permissão a Domingos Fernando Ribeiro de Rezende para citar: “Alguns ou algum grupo precisa investir na cidade, não colocando dinheiro. Falo de projetos viáveis, trabalhos bem fundamentados, que traduzam em melhorias para todo o município. Os recursos federais existem, em todas as Áreas, basta competência para buscá-los. É preciso fomentar o desenvolvimento, antes que Calçado e transforme de vez num recanto infantil insosso, capitaneados por meia dúzia de pessoas sem visão, e incapazes de enxergar além do umbigo”.
Está eleição me fez recordar de uma frase que o eterno amigo Pe. Ênio adorava declamar: “Quem não renova morre”.
Oxalá o grito protestante da população Calçadense permaneça nessa e em outras gestões, e, que os políticos e a população Calçadense não percam de vista o verdadeiro sentido da política: o bem-comum.
