Baianadas

Carlos Rezende
cev.rezende@uol.com.br

Quem tem um Gilberto Gil como ministro, pra quê vai querer cultura?Saiu tarde... ou não.não sei...

 Falar em termos genéricos, vagos, é o modo preferido de certos baianos, talvez só aconteça com baianos—não me pergunte por que. Tomo como exemplo Gilberto Gil, o ex da Cultura de Lula, que (qual?!) poderia tecer estas considerações num Simposio sobre Física Atômica, que o convidou por descuido (falam sobre qualquer coisa entre o Céu e a Terra). Claro, não ficou no tema. Não consegue:

Renunciamos ao dever de sacar uma síntese da massa colossal de análises de que dispomos em todos os setores da atividade humana. Como metáfora disso, como uma "visão" no reino do inteligível, tomemos a bomba atômica: uma unidade...digamos assim... sintética antes da explosão;um derramamento quase infinito de partículas no...seja no espaço,para sermos exatos,depois que foi disparada ou não.

Essa impotência de concluir só deixou intacta a nossa tecnologia, que "conclui" inventando comodidades e os meios de usufruí-las, e que segue avante a inventar perfumarias e penduricalhos enquanto que, de raro em raro, produz algo de valor: internet e células-tronco, são é assim?

Na arte impera o cinema... depois posso passar um vídeo meu...uma conversa com o Lula. Foi inventado antes, mas é a televisão que forma, com uma pontualidade diária de intestino bem regulado, nisso comparável à do sol, o seu grande público. Falar em público, depois tocarei alguma coisa pra vocês.

Na política atingimos aquela unanimidade tão cerrada que deveríamos já suspeitar--alguns o fazem, embora timidamente. Então, é o capitalismo a última e derradeira realidade?Não terá sido o marxismo soviético a pior tradução das idéias de Marx?Parece que o capitalismo é a expressão econômica do darwinismo e que qualquer mudança doravante só poderia ser involução, ou não.

Nas ciências do homem, excetuadas aquelas que se debruçam sobre a nossa cultura, em seu sentido mais estrito, nada mais fazemos que procurar as estruturas materiais que são aparentemente mais afetadas quando realizamos um ato mental ou quando à uma abstração o pesquisador acha que deva seguir-se infalivelmente uma repercussão em qualquer substância material que nos compõe.Ora,já sabemos que a matéria,uma pedra de granito, é composta de infinitas partículas.O corpo humano também o é.Portanto,se não chegarmos à última partícula que compõe um,muito menos chegaremos à partícula que compõe o outro.Será o conhecimento total de 100 partículas superior ao conhecimento de 10,abstraindo o aspecto quantitativo?Não é assim?Ou não...

Teresópolis, 10 de agosto de 2008.






 

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