Aluízio Teixeira*
A região do extremo sul de nosso Estado, conhecida como região do ABC capixaba, ou seja, Apiacá, Bom Jesus e Calçado é tida como uma região das mais pobres de nosso Estado. Alguns dizem que o desinteresse das autoridades que vêm governando o Estado e os municípios envolvidos, é que vem gerando, anos após anos esta condição de estagnação econômica e social . Entretanto, vejo este cenário de outro modo. Acredito que a falta de mobilização de nossa sociedade, a incapacidade que temos para o associativismo, para a união, para a parceria, sejam os principais fatores desta situação em que vivemos hoje.
Sob o ponto de vista geográfico, são municípios muito próximos uns dos outros , com Bom Jesus do Norte centralizado e eqüidistante apenas 12 quilômetros de Apiacá e Calçado, mas infinitamente separados politicamente e administrativamente. Sabemos hoje em dia que a parceria entre municípios tem sido um instrumento político da mais alta importância para o crescimento econômico e social de uma região.Diversos exemplos em alguns estados brasileiros e mesmo no exterior demonstram o sucesso desta iniciativa.
O nosso ABC tem um potencial enorme para crescer, gerar empregos e rendas e, por conseguinte transformar esta região num pólo de desenvolvimento da mais alta importância para a nossa população. O primeiro passo neste sentido é a união dos três municípios através da criação de um Consórcio Público, regido pelas normas e princípios da Administração Pública, conforme prevê a Lei N°11.107 , sancionada pelo Presidente da República em 06 de abril de 2005.
Os consórcios têm força e personalidade jurídica, possibilitando aos municípios condições de reinvidicar melhorias de infra-estruturas e fomento das cadeias produtivas.
Certamente, uma das principais finalidades em nossa região seja a de promover políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da agricultura, mais precisamente das agroindústrias, principal caminho para a geração de empregos.
Entretanto, as indústrias de processamento dos produtos rurais só serão viáveis se houver a união dos três municípios, condição esta imprescindível para gerar volumes suficientes de matéria prima e, por conseguinte, de produtos industrializados que possam realmente competir em um maior mercado consumidor.
Vejo neste instante o momento oportuno para uma discussão maior em torno desta idéia. Os novos prefeitos, eleitos recentemente, certamente estarão receptíveis aos anseios da sociedade ,mas a vontade política de realizar só se concretizará através de uma mobilização maior de todos nós. Precisamos, entretanto, dar o primeiro passo.
* Professor Aposentado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
