| São
José do Calçado: Enquanto a
população se mobilizava na manhã de
sexta-feira, dia 3, em São José do Calçado,
pedindo paz e justiça aos homicídios ocorridos
nos últimos meses, no município, outro crime
já estava planejado para acontecer naquele mesmo
dia. O taxista Adenilson Fonte Boa Pereira, 45 anos, foi
vítima de mais um dos crimes que vem deixando a população
do município com medo. Depois de aceitar uma corrida,
Adenilson foi levado para uma mata, onde foi morto queimado,
dentro do carro que trabalhava. Mas, antes de atear fogo,
o assassino perfurou a vítima com um pedaço
de vergalhão.
O primo da vítima, Marlon Abreu Teixeira, 27, registou,
na sexta-feira, uma ocorrência, quanto ao desaparecimento
de Adenilson. Iniciando as investigações,
a polícia recebeu uma informação de
que a última corrida de Adenilson teria sido para
Ana Maria Ramalho Ribeiro. Com esta informação,
a polícia deteve a suspeita que foi levada à
delegacia, para averiguações. Ana Maria confessou
o crime e revelou os nomes dos outros acusados: Rodrigo
Luiz Barcelos da Silva, 22, Warlem Santos Pereira, 18, e
Hélio Leite Rodrigues - vulgo Cabeção,
26 anos. Ainda na sexta-feira, Rodrigo e Warlem foram presos,
Hélio fugiu pelas matas do município.
Ana contou que foi Hélio e Warlem quem roubaram a
vítima, matando-a em seguida. Warlen conta que ele
teria sido convidado apenas para assaltar. “Fui convidado
pela Ana para fazer um assalto a um taxista, junto com o
Rodrigo e o Hélio. Iríamos só roubar,
mas Hélio decidiu matar a vítima”, disse.
Segundo os criminosos, não havia um taxista certo
para ser a vítima. O primeiro que aceitasse a corrida
seria assaltado e, conseqüentemente, assassinado. Segundo
informações, outros três taxistas haviam
recusado fazer a corrida. Os assassinos levaram da vítima
uma quantia, em dinheiro, no valor de R$ 600,00, e dois
aparelhos celulares.
Hélio Leite Rodrigues, Cabeção, até
o fechamento desta edição ainda estava foragido
nas matas da cidade. Dezenas de policiais civis, militares,
da P2 estão à sua procura. Segundo os policiais
civis, Marcelo Ourique e Édino Saluto, já
havia um mandato de prisão contra Hélio Leite,
por furto. Ele estava foragido do Rio de Janeiro e se escondia
na mata há mais de três meses.
A
caminho da execução
No
final da manhã de sexta-feira, 3, Ana Maria, moradora
do Bairro do Grilo - Vala, começou a procurar por
um táxi para executar o plano. Adenilson Fonte Boa
atendeu ao pedido da cliente e foi buscá-la em sua
casa. Chegando lá, ela entrou no carro com Rodrigo
e Warlem e levaram o taxista para a divisa, entre São
José do Calçado e Bom Jesus do Norte, onde
Hélio estava à espera.
Ainda no carro, eles disseram ao motorista que teria de
passar na Fazenda Ferreira, pois teriam de pegar algumas
roupas na casa. Ao chegar na fazenda, Adenilson foi convidado
a tomar um café. Dentro da casa, o taxista foi rendido
pelos quatro e teve suas mãos amarradas, sendo jogado
em seguida no porta- malas do táxi. Os quatro se
apossaram do veículo e seguiram em direção
à localidade de Palmeiras, zona rural do município,
localizada a aproximadamente 7 quilômetros do centro
da cidade.
A
execução
De acordo com informações, que ainda estão
sendo apuradas, os criminosos, por volta das 14 horas, estacionaram
o carro próximo a uma cerca de arame farpado, quando
Ana e Rodrigo desceram para vigiar a estrada. Enquanto isso,
Hélio, acompanhado de Warlem, subiu para mata adentro,
seguindo por uma estrada estreita. Ao chegar no final da
estrada, o taxista foi retirado do porta-malas, teve seu
corpo furado com um pedaço de vergalhão e,
ainda vivo, foi jogado para o banco de trás do carro.
Em seguida, os assassinos atearam fogo no veículo
com Adenilson dentro. Os quatro criminosos voltaram para
a cidade a pé.
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Carro
que taxista dirigia foi queimado com ele dentro
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A
busca
Depois de investigar as possíveis suspeitas e deter
alguns dos criminosos, a Polícia Militar, juntamente
com Warlen Santos Pereira, foi até o local do crime,
o que só veio a acontecer por volta das 21 horas.
No local, foi encontrado o carro completamente queimado
e, na parte do banco traseiro, o corpo da vítima
carbonizado. A perícia chegou ao local, por volta
das 4 horas e os restos mortais foram encaminhados para
Cachoeiro de Itapemirim, seguindo depois para Vitória,
aonde seria feito o DNA. Adenilson Fonte Boa morava em
São Gonçalo e estava em São José
do Calçado há apenas 10 dias, trabalhando
de taxista com o seu tio.
Cidade
em pânico
Com a morte de Adenilson, este passa a ser o sétimo
homicídio cometido no município de Calçado,
em menos de três meses. Essa criminalidade vem assustando
a população local. Bares estão fechando
mais cedo, pessoas evitam ficar nas ruas depois das 23
horas, o sossego de cidade pequena acabou, desde que foi
encontrado um corpo no corte, beira do asfalto, no dia
4 de junho, um dia após a festa do município.
A Polícia Civil investiga todos os casos e garante
que os responsáveis, por cada homicídio,
serão presos e cumprirão a pena, de acordo
com que a justiça determinar.
Proporcionalmente, São José do Calçado
está quase com o mesmo número de homicídios,
este ano, que a Grande Vitória teve, durante todo
o ano de 2006. Ano passado, a média de homicídios,
por habitante, na Grande Vitória foi de 7,67, por
habitante, enquanto em Calçado, este ano, já
é de 6,66.
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