Por
Addison Viana & Sérgio Oliviera
São
José do Calçado: No
último dia 25, dia do Camponês (lavrador),
o MST – Movimento Sem Terra e MPA – Movimento
dos Pequenos Agricultores, juntamente com o apoio do Sindicato
dos Servidores Públicos Municipais de São
José do Calçado (Sinsercal), Sindicato dos
Servidores da Saúde Estadual (Sindsaude) e demais
seguimentos da sociedade civil, realizaram uma manifestação
reivindicando tratamento digno e humanizado na área
da saúde do município, o fim da perseguição
política, reposição salarial aos servidores
públicos municipais, e cuidado dos órgãos
públicos com o meio ambiente.
O movimento aconteceu com uma marcha que teve como ponto
final a Praça Pedro Vieira, frente à Prefeitura
Municipal. Durante as reivindicações, o Prefeito
Alcemar Pimentel não compareceu para atender as manifestantes,
este se encontrava em uma reunião em Apiacá
– ES, com o Governador do Estado do Espírito
Santo, Paulo Hartung. Na ausência do prefeito, um
dos manifestantes se dirigiu à primeira dama chamando-a
de baronesa, perguntando aonde é que estava o barão
que não vinha atendê-los.
Ainda no decorrer do movimento, a funcionária da
prefeitura Janina Furtado Delatorre, de 27 anos, da sacada
da prefeitura fez gestos de racismo para a manifestante
Marcela de Souza Silva, 23 anos. A vítima registrou
ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de
São José do Calçado, aonde levou com
ela três testemunhas para depor a favor dela. Mas
o grupo revoltou-se com o policiamento, segundo líderes
do movimento, Janina deveria ter sido presa em flagrante,
o que não aconteceu.
Presidente
do sindicato diz se sentir ameaçado
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos
Municipais de São José do Calçado,
Rivelino de Rezende Glória, o Sinsercal entrou na
caminhada em defesa da FGTS que ainda não foi pago,
pelo fim da perseguição política e
pelo reajuste salarial que segundo Rivelino, vem sendo complementado
com as vantagens que já são direitos do servidor
público.
“O senhor prefeito colocou um carro de som nas ruas
da cidade repudiando a manifestação e difamando
a minha pessoa, não sei porque fez isso, estou apenas
defendendo os direitos dos servidores públicos, nós
como cidadãos temos o direito de reivindicar, me
sentí ameaçado com as palavras que ele usou
dirigindo a mim no carro de som”, completou o presidente
do SINSERCAl, Rivelino.
Prefeito
afirma que acusações são falsas
O prefeito Alcemar Lopes Pimentel, em entrevista, disse
que as acusações feitas pelos manifestantes
são falsas. O FGTS já foi pago, afirmou o
prefeito, e disse ainda que se existe algum funcionário
que não tem conhecimento do pagamento, que esse pode
procurar o Procurador Jurídico do município
e a Caixa Econômica Federal para confirmar o pagamento.
Afirmou também que nenhum dos funcionários
da prefeitura recebe hoje menos de um salário mínimo
– todos os funcionários da prefeitura recebem
hoje no mínimo um salário, é lei, eu
não poderia pagar menos de um salário mínimo
– disse Alcemar. O prefeito garantiu também
que não há perseguição política
no governo dele, ele só persegue quem o persegue,
e disse – se eu perseguisse funcionários da
oposição, eu perseguiria o presidente do Sinsercal
que está hoje em estágio probatório
do concurso público.
|
|
 |
| |
Quanto à
saúde, Alcemar explicou que teve de fazer uma limpeza
de profissionais no Hospital São José, já
que, a maioria dos médicos que lá se encontravam
contratados, não cumpriam carga horária ficando
apenas sobre aviso, com isso ele perdeu alguns médicos
que estavam emprestados para a US3, mas disse que está
à procura de médicos para contratar e que
essa é a dificuldade, a não disponibilidade
de profissionais, segundo ele o município precisa
de um pediatra, um ginecologista e um clínico geral.
O prefeito classificou a manifestação como
baderna, desordem, canalhice e vandalismo.
“Esse tipo de manifestação é
insignificante, primeiro que no grupo havia apenas duas
pessoas de Calçado que seguiram a caminhada só
mesmo para ver o movimento, e segundo que eu tenho certeza
de que 98% da população calçadense
está indignada com tamanha falta de respeito por
parte dessas pessoas, nosso povo é culto e descente,
e não merece tolerar isso”, comentou Alcemar
Pimentel.
O prefeito disse também que já esperava por
esse movimento devido à solicitação
que ele fez ao presidente da INCAPER quanto à transferência
do funcionário estadual Lêla, explicou que
tomou essa decisão porque o trabalho que ele fazia
na comunidade não estava agradando. Falou ainda que
não atendeu aos manifestantes porque estava realmente
com o Governador na cidade de Apiacá, mas que também
não atenderia se estivesse na cidade por temer ao
que poderia acontecer de um grupo que vai para frente da
prefeitura fazer baderna e ofender a ele e à sua
família. Para Alcemar, antes de qualquer manifestação,
o líder da organização deveria ter
procurando-o para uma conversa civilizada onde poderiam
entrar em acordos, mas afirmou que em momento algum nenhum
deles o procurou para uma reunião.
|