A Era de Newton - 1ª parte.

Por Carlos Rezende
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Sucessores de Galileu


Os esforços dos sucessores de Galileu, trabalhando independemente na Física e Química, deram um grande impulso à ciência.

Evangelista Torricelli (1608-1647), seu discípulo, fazendo experiências com o mercúrio, observou que o nível de uma coluna desse metal sofria variação proporcional à densidade maior ou menor da atmosfera, inventando o barômetro. Robert Boyle (1627-1691) iniciou os estudos sobre a composição dessa mesma atmosfera, ao mesmo tempo em que fazia experimentos químicos que marcaram época; Mariotte e von Guerick demonstraram,num experimento tão dramático quanto o de Galileu na Torre de Pisa,a resistência do ar atmosférico; Christian Huygens (1629-1695),nascido na Holanda,dentre vários feitos científicos,inventou o relógio de pêndulo,com o qual realizou notáveis medições da gravidade, aperfeiçoou e construiu muitos telescópios,aos quais adaptou o micrômetro,que permitiu medir distâncias diminutas,e escreveu um livro sobre óptica que veio a ser uma das obras prediletas de Newton.
Galileu, esse gigante da ciência física nos começos do século 17, morreu em 1642. No dia de Natal, do ano seguinte, nascia na Inglaterra outro gigante intelectual que estava destinado a levar avante os trabalhos de Copérnico, Kepler e do próprio Galileu a uma maravilhosa consumação, pela descoberta da grande lei unificadora de acordo com a qual se dão os movimentos planetários. Referimo-nos, está claro, ao maior cientista inglês e talvez de todos os tempos, Isaac Newton, o Shakespeare do mundo científico.

Nascido, assim, na primeira metade do século 17, Newton viveu além do primeiro quartel do século 18. Nos 40 últimos anos de sua vida, foi a personalidade científica dominante do mundo. Com inteira propriedade essa época foi chamada de a "Era de Newton".

Nascimento e infância

Entretanto, o homem que alcançaria tamanha distinção não deu qualquer sinal premonitório dessa futura grandeza. Seu local de nascimento foi a vila de Woolsthorpe; teve por pai um pequeno proprietário rural,também chamado Isaac Newton,o qual morreu três meses antes do nascimento de seu filho,e de Hanna Ayscough.Veio à luz minúsculo e fraco, o corpo todo podendo ser acomodado dentro de uma tigelinha, e não se esperava que sobrevivesse sequer ao seu primeiro dia de vida,muito menos que atingisse os 84 anos.Sem pai ao nascer,sua mãe casou-se em segundas núpcias com um próspero ministro anglicano de nome Barnabas Smith e mudou-se para uma vila vizinha,para criar um menino e duas meninas dessa união,deixando o pequeno Isaac aos cuidados de sua avó materna.Por nove anos,até a morte de Barnabas Smith,Isaac esteve efetivamente separado de sua mãe,fato que talvez explique suas pronunciadas tendências psicóticas.Que ele odiava seu padrasto,não se pode duvidar.Quando se pôs a examinar seu estado de espírito, em 1662 compilou uma relação de seus pecados,nela lembrando haver “ameaçado queimar a casa com meu pai e minha mãe juntos”.A aguda sensação de insegurança que o tornou obsessivamente ansioso quando sua obra-prima foi publicada, e a irracional violência com que a defendeu,acompanharam-no por toda vida.Ao se enviuvar pela segunda vez,sua mãe determinou que seu primogênito deveria gerir sua agora considerável propriedade.Logo se evidenciou que essa idéia seria um desastre para os bens de herança e para Newton.Foi então mandado de volta para a escola em Grantham,onde cursara o primário e o ginasial,para os preparatórios,tendo em vista os exames de ingresso na faculdade.Como aconteceu com muitos dos mais famosos cientistas de seu tempo,deixou entre seus condiscípulos um farto anedotário.Por exemplo,ao que tudo indica,tinha forte domínio da língua latina,mas superficial conhecimento de aritmética;possuía raras habilidades mecânicas,que lhe permitiam construir modelos de máquinas tais como relógios e moinhos d’água e pipas.Enquanto os outros garotos apenas desejavam que suas pipas voassem, Newton queria investigar os princípios envolvidos nesses brinquedos, em como testar os materiais de que eram construídos de modo a obter sempre os mais adequados. Nesse meio tempo o futuro filósofo adquiria gosto pela leitura e pelo estudo, e sondava velhos volumes sempre que lhe sobrava oportunidade. Tais hábitos convenceram seus parentes de que seria inútil tentar fazer dele um fazendeiro, como tinham intenção.

Ida para Cambridge

Portanto, mandaram-no de volta para a escola, e no verão de 1661 foi matriculado no Trinity College, em Cambridge. Mesmo aí, Newton não manifestou qualquer sinal de capacidade mental incomum. Quando foi sabatinado pelo Doutor Barrow, em 1664, soube-se que esse ilustre cavalheiro formou dos conhecimentos do examinando uma pobre idéia, e que foi essa fraca estimativa de suas habilitações por esse instrutor, presume-se, o acicate de que o jovem Newton precisava para tomar a sério os estudos matemáticos.

Como milhares de outros estudantes de graduação da época, Newton imergiu na obra de Aristóteles. Muito embora a nova filosofia ainda não fizesse parte do currículo, ela estava no ar. Não demorou a entrar em contato com os livros de Descartes, o qual, em contraste com Aristóteles, considerava a realidade física composta inteiramente por partículas de matéria em movimento e sustentava que todos os fenômenos naturais podiam ser explicados pelas interações mecânicas dessas partículas. Newton, ao meditar sobre essas idéias, começou a fazer algumas anotações a que deu o nome de “Certas Questões Filosóficas”. Logo abaixo desse título, muito significativamente, escreveu a frase latina “Amicus Plato amicus Aristoteles magis amica veritas” (“Platão é meu amigo, Aristóteles é meu amigo, mas meu melhor amigo é a verdade”). A carreira científica de Newton tinha começado.

Note-se que a infância de Newton e os primeiros anos de sua maturidade foram passados num período turbulento da política britânica, que testemunhou a derrubada do trono de Carlos I, a vigência da autocracia de Cromwell, e a eventual restauração dos Stuarts. Sua maturidade testemunhou ainda a deposição do último dos Stuarts e o reino do holandês William de Orange. Em sua velhice, viu o primeiro da Casa de Hanover ascender ao trono da Inglaterra. Nos 10 últimos anos de sua vida, desbravadores da ciência do porte de Cavendish, Black e Priestley nasceram--homens que viveram até o final do século 18.
Num sentido mais amplo, a Era de Newton serviu de ponte entre o renascimento científico sob Kepler e Galileu até o século 20.

Resumo e Tradução de Carlos Rezende, dos seguintes livros em domínio público:
(1) Project Gutenberg Etext of A History of Science, V 2, by Williams #2 in our series by Henry Smith Williams.
(2) The Project Gutenberg EBook of Encyclopaedia Britannica, 11th Edition,by Various.
16/06/2008.
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