Por Carlos Rezendea
cev.rezende@uol.com.br
Houve
três grandes povos europeus no mundo antigo, cada um dos
quais fornecendo à história um herói: os
gregos, os cartagineses e os romanos.
Alexandre
foi o herói dos gregos. Foi rei da Macedônia, uma
nação ao norte da Grécia. Chefiou um exército
e empreendeu uma sucessão de conquistas e glórias
até o interior da Ásia. Reinou sobre o mundo conquistado
estabelecendo-se na Babilônia. Cavou sua própria
sepultura pelos excessos que uma prosperidade sem limites lhe
trouxe. Sua fama repousa no vasto império que construiu,
e a admiração da humanidade por ele deve-se ao fato
de haver realizado tudo isso em sua juventude—e também
aos nobres e generosos impulsos que tão profundamente marcaram
seu caráter.
Aníbal foi o herói dos cartagineses. Classificamos
os cartagineses entre os povos europeus da antiguidade; pois,
com respeito à sua origem, sua civilização,
suas relações comerciais e políticas, eles
pertencem à Europa, embora Cartago estivesse do lado africano
do mar mediterrâneo. Aníbal deveu sua fama à
energia e implacabilidade de seu ódio. Pode-se dizer que
o trabalho de sua vida foi o de manter o império romano
em estado de contínua ansiedade e terror ao longo de cinqüenta
anos. Sua grandeza está ligada à determinação,
à perseverança com que cumpriu sua missão
de se tornar o terror do mundo enquanto vivo estivesse.
Júlio César foi o herói dos romanos. Nascido
cem anos antes da era cristã, seu renome não dependeu,
como o de Alexandre, de suas conquistas mundo afora, nem, como
o de Aníbal, à terrível energia de seus ataques,
mas antes às suas calculadamente adiadas e terríveis
disputas com seus rivais e competidores em sua própria
nação. Quando ele aparece em cena o império
romano já incluía quase todo mundo que valia a pena
ser conquistado. Pouco havia mais que ser conquistado. César,
de fato, aumentou-o relativamente pouco. Contudo, a grande pergunta
que pairava no ar era: quem merecia possuir o poder sobre tudo
aquilo que os precedentes conquistadores haviam amealhado?
O império romano, tal como existia naqueles dias, não
deve ser concebido pelo leitor como uma totalidade unida sob forma
compacta e consolidada de governo. Era, sim, um vasto conglomerado
de nações, largamente dissimilares entre si. Falavam-se
várias línguas, adotavam-se variados costumes e
leis. Eram elas mais ou menos dependentes, mas ligadas ao grande
poder central. Alguns desses países eram províncias
governadas por funcionários designados e enviados pelas
autoridades em Roma. Esses governantes tinham que coletar as taxas
de suas províncias, e também presidir e dirigir,
em muitos aspectos importantes, a administração
da justiça.
Tinham, assim, abundantes oportunidades para se enriquecerem,
coletando mais dinheiro do que aquele que tinham que remeter para
o governo central, e também quando aceitavam suborno para
o favorecimento de homens ricos junto à corte. Desta maneira,
quanto mais ricas as províncias, maior era a competição
entre os aspirantes a elas em Roma.
Aos líderes seriam dados esses cargos, e, depois de permanecerem
o tempo suficiente que lhes permitisse adquirir fortuna, retornariam
a Roma, e aí gastariam seus dias em intrigas e manobras
para a obtenção de cargos ainda mais altos.
Quando houvesse alguma guerra no exterior com alguma nação
distante ou tribo, haveria sempre uma enorme ânsia entre
os funcionários militares para a obtenção
dos postos de comando. Cada qual se sentia mais certo de ganhar
a nomeação, deste modo se enriquecendo ainda mais
com os espólios de guerra do que com as extorsões
e subornos numa província em paz.
XXXXX
Do
The First Book of Factoids, by Sam Vaknin:
Simón Bolívar (1783-1830).
Herói folclórico da América Latina, reverenciado
como guerrilheiro revolucionário, simpático aos
direitos humanos e
político bem sucedido. Credita-se a ele a libertação
da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia do
jugo colonial espanhol. O novo homem forte da Venezuela, Sr. Hugo
Chávez, mudou o nome de seu país para República
Bolivariana de Venezuela para refletir a sua denominada “revolução
bolivariana”.
Entretanto, enquanto vivo, Bolívar foi um ditador odiado
e, no começo de sua carreira, um militar fracassado.
Bolívar explicava seus motivos: “Confesso que isto
(a coroação de Napoleão em 1804) me fez pensar
em minha infeliz pátria e na glória de quem a libertasse.”
A Venezuela se tornou independente em 1811 e Bolívar, uma
figura política apagada—embora gostasse de se auto-engrandecer—pouco
teve a ver com isso. Após sua primeira grande derrota militar,
ao defender a cidade costeira de Puerto Cabello contra os realistas
insurgentes da recém libertada Venezuela, ele advogou a
criação de um exército profissional (no Manifesto
de Cartagena). Muito longe de ser um revolucionário, ele,ao
contrário,opunha-se aos guerrilheiros e à milícia.
Na reconquista de Caracas, capital da Venezuela, à frente
de um pequeno exército, declarou-se ditador. Obrigou o
Congresso a outorgar-lhe o título de El Libertador. As
sementes de seu culto à personalidade estavam lançadas.
Quando novamente perdeu Caracas para os realistas em outra mal
planejada campanha, bateu em retirada e capturou Bogotá,
a capital da Colômbia em dezembro de 1814.
Depois de uma seqüência de derrotas militares, Bolívar
exilou-se na Jamaica. Em uma súbita conversão, publicou
a Carta de Jamaica (1815), na qual propõe um modelo de
governo semelhante ao sistema parlamentar britânico—com
uma ressalva, teria que haver uma fase de “liderança
guiada”. Deixo que o leitor adivinhe quem seria esse guia...
Mas
esse líder não hesitou em desertar de seus soldados,
deixando-os perdidos após outra “proeza” militar—uma
tentativa de capturar Caracas—conseguida por fim só
em 1816. Ele simplesmente desertou para o Haiti, deixando que
suas tropas leais se defendessem como bem pudessem.
Depois disso, ocorreram vitórias, algumas até brilhantes.
Bolívar, com isso, entrou em coalizão com militares
e políticos locais e conseguiu-se que o Peru fosse libertado.
Em 1824, Bolívar foi declarado ditador—ou, para ser
mais preciso, ”Imperador”—do Peru e comandante-em-chefe
de seu exército.
Bolívar amava o poder e suas pompas. Na Constituição
que ele então compôs,em 1826,sugeriu que o presidente
da Bolívia—que era o nome dado a toda uma região,
exceto o Peru—pudesse ser vitalício, caso fosse necessário,
e tivesse ainda a prerrogativa de escolher seu sucessor.
Em uma carta a Santander, El Libertador, confessava-se: ”Estou
convencido até o tutano de meus ossos que a América
Latina só pode ser governada por um déspota sagaz.”
Um repórter da National Geographic descreve como: ”William
Tudor, cônsul americano em Lima, escreveu em 1826 sobre
a ‘profunda hipocrisia’ de Bolívar, que não
se importava em ser ludibriado por gente que rastejava a seus
pés, desde que o bajulassem do modo mais vil. ’Mais
tarde, John Adams definiria a carreira militar de Bolívar
como ‘despótica e sanguinária’ e declara
abertamente que ‘ele não consegue disfarçar
seu enorme desejo de ser coroado rei. ’E desabafa: ’Com
a máscara de patriotismo e reverência pela liberdade,
ele está na verdade se preparando para investir-se de todo
poder arbitrário possível. ’
Com efeito,em 1828,uma convenção constitucional
na Colômbia rejeitou as emendas propostas por ele à
constituição. Em revide, Bolívar assumiu
poderes ditatoriais em um golpe de estado.
Agora, ele é o opressor.
Daí em diante, mandou matar ou exilar todos os políticos
rivais. Confiscou fundos da Igreja e impôs onerosas taxações
à população. Assim procedendo, El Libertador
não demorou a defrontar-se com numerosas revoltas populares
e por muito pouco escapou de uma tentativa de assassinato.
Foi tão desprezado que, ao morrer, o governo venezuelano
recusou que seu corpo fosse enterrado em solo pátrio e,
só passados 12 anos após sua morte, e mesmo assim
sob insistentes petições de seus familiares, pode
ser enterrado.
Resumos e Traduções de Carlos Rezende, extraídos
dos seguintes livros em domínio público:
1) The Project Gutenberg eBook, History of Julius Caesar, by Jacob
Abbott
2) The Project Gutenberg EBook of The First Book of Factoids,by
Sam Vaknin:
26/11/2007
This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away
or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License
included with this eBook or on-line at www.gutenberg.org

|