A ciência entre os romanos : Estrabão


Por Carlos Rezende
cev.rezende@uol.com.br


Alexandria, a capital grega do saber, às margens do Nilo, continuou como centro de pensamento científico e filosófico. O reino dos Ptolomeus ainda tinha, ao menos na aparência, as antigas glórias dos velhos tempos. Um grupo de gramáticos e comentadores de reduzido mérito ainda podia ser encontrado a serviço dos famosos museu e biblioteca. Mas o aspecto geral do mundo estava mudando rapidamente. A Grécia, após seus breves dias de supremacia política, estava rapidamente afundando na inatividade, enquanto os obstinados romanos se faziam senhores por todas as partes do mundo. Corinto, a última fortaleza da Grécia tinha caído diante da intrepidez romana, e o reino dos Ptolomeus, embora ainda nominalmente livre, tinha começado a sucumbir, pondo-se debaixo da esfera de influência de Roma.

A escola de Alexandria, como centro criador, entrou em rápido declínio. Há, todavia, nomes distintos, mas, regra geral, os espíritos tendem antes a imitar as pesquisas de seus predecessores do que criarem pesquisas novas e originais. Aristarco e Hiparco, formuladores de métodos astronômicos originais, tiveram como sucessor Ptolomeu, o aperfeiçoador e sistematizador de seus métodos e conhecimentos. Como quer que seja, Roma nunca se tornou um verdadeiro centro de cultura. Não como a Grécia. O grande gênio de Roma era a política. A era de Augusto produziu uns poucos grandes historiadores e poetas, mas nem um único grande filósofo ou devotado gênio criador da ciência. Cícero, Luciano, Sêneca, Marco Aurélio dão-nos,quando muito,reflexões sobre a filosofia grega. Plínio, o mais famoso nome nos anais de Roma, não pode clamar por mais crédito do que o de industrioso coletor de fatos—o compilador de uma enciclopédia que não contém o mínimo de toque criador.

Tudo considerado, então, esta época de dominação romana não deve deter o historiador da ciência senão por um breve momento.

Estrabão, o geógrafo


O mais famoso dos geógrafos antigos nasceu em Amasia, Ponto, atualmente Turquia, ao redor de 63 a.C. e viveu até 24 d.C, portanto, vivendo na época de César e Augusto.

O nome Estrabão é a forma modificada que se tornou popular através de uma curiosa circunstancia. O geógrafo,ao que tudo indica,era vesgo—daí os modernos oculistas aplicarem a essa particular condição o termo estrabismo.
Afortunadamente, todos os seus livros foram preservados em sua inteireza, sendo um dos poucos clássicos antigos nesta situação. Sua geografia é notável em vários pontos. Fornece muitos detalhes—torna mais precisas certas áreas e distâncias, elucida questões de locações geográficas, como latitudes e zonas.
Mas, em que pese a importância desses detalhes para o ponto de vista contemporâneo, eles, claro, nada mais oferecem para a posteridade senão a parte histórica.O valor da obra segundo a consideração presente diz respeito às críticas que Estrabão faz a seus predecessores,e a história incidental e as referências científicas com as quais sua obra abunda.Com ele,temos uma clara idéia acerca do estado da geografia científica no final da época clássica.

“Se a investigação científica de qualquer assunto for o passatempo adequado do filósofo”,diz Estrabão,”a geografia,a ciência da qual me proponho tratar,é certamente digna de um alto posto;e isto é evidente de muitas considerações.Aqueles que primeiro tomaram em mãos o assunto foram homens da mais alta distinção.Homero,Anaximandro,Demócrito,e muitos outros,e após esses,Eratóstenes,Políbio,Posidônio,todos os quais filósofos.Como adição a tudo isso,tem ela vasta importância para a vida social e a arte do governo—a geografia desdobra diante de nós os fenômenos celestes,familiariza-nos com os ocupantes da terra e do oceano,com a vegetação,os frutos,e peculiaridades dos vários quadrantes da terra,um conhecimento que marca aquele que dele se ocupa com a estampa da seriedade ao tratar os grandes problemas da vida e da felicidade”.

“Quanto ao tamanho da Terra,” Estrabão diz, ”ele já foi demonstrado por outros autores. Assumiremos, portanto, que a Terra é esferoidal, que sua superfície também o é e,acima de tudo,que os corpos possuem uma tendência em direção ao seu centro,tudo muito claro para a percepção do entendimento mediano.Como quer que seja,mostraremos sumariamente que a Terra é esferoidal pelo fato de que todas as coisas,não obstante distantes,tendem para seu centro,e que todo corpo é atraído para o centro em virtude de sua gravidade.Isto é mais distintamente provado pela observação dos oceanos e o céu,pois aqui a evidência dos sentidos é o único requisito.A convexidade do oceano é uma prova adicional para todo aquele que navegue por,pois esse indivíduo imaginário não pode ver luzes muito distantes quando postas no mesmo nível que seus olhos,mas,se erguidas no céu,logo se tornam perceptíveis à visão,ainda que muito afastadas.Igualmente,se os olhos do observador forem erguidos,ele verá o que antes era inteiramente imperceptível .Homero fala disto quando diz :

”Erga-se sobre a vasta onda e logo verá aquilo que muito distante está”

“Com efeito, os marinheiros quando se aproximam de seu destino observam-no aproximar-se continuamente mais alto, e os objetos que a princípio pareciam em nível mais baixo, começam a se elevar”.

Em toda parte Estrabão critica Eratóstenes por ter mantido longas discussões sobre a forma da Terra. Este tópico, afirma Estrabão, ”devia ter sido logo descartado em poucas palavras”.Obviamente esta doutrina da esfericidade do globo terrestre tinha,no curso de 600 anos,se tornado tão firmemente estabelecida entre os pensadores gregos, que era quase um axioma.Veremos mais tarde que o mundo ocidental realizou um verdadeiro retrocesso nesse sentido,em parte sob o estímulo de um preconceito oriental.Quanto ao tamanho do globo,Estrabão aceita sem maiores comentários as medidas de Eratóstenes.Ele fala,entretanto,de “medições mais recentes”,referindo-se em particular àquela adotada por Posidônio,contemporâneo e amigo de Cícero.Suas medições da Terra estavam baseadas numa estrela que se elevava muito pouco acima da linha do horizonte em Rodes,comparada com a altura da mesma estrela quando observada de Alexandria.Foi esta medição que permaneceu até a Idade Média.

Como escritor que era mais fundamentalmente geógrafo e historiador do que astrônomo, Estrabão demonstrava possuir um interesse mais acentuado na parte habitável do globo do que no globo como um todo. Ele nos assegura que esta parte habitável é uma grande ilha, ”dado que em qualquer extremidade que o homem vá da terra encontra sempre o oceano”.


Junto com a idéia de que a porção habitável do globo é uma ilha, havia uma outra noção toleravelmente definida quanto ao formato desta ilha.Esta forma,Estrabão compara com a do manto militar.Esta idéia,Estrabão nos assegura,está de acordo com as mais rigorosas observações “tanto antigas quanto modernas”.Também lhe parecia não ser possível a vida numa região próxima ao equador e que,por outro lado,a temperatura fria limitava a habitabilidade do globo para o norte.Toda a civilização da antiguidade amontoava-se em torno do mar Mediterrâneo,ou estendia-se em direção ao oriente na mesma latitude.


Extraído de “As grandes pinturas descritas por escritores famosos” (sem tradução em português, como todos os livros dos quais faço as compilações).
A Morte de Prócris, de Piero di Cosimo
por EDWARD T. COOK

 


Uma obra bem característica de Piero di Cosimo, sobrenome em homenagem a seu padrinho e mestre, Cosimo Rosselli. A primeira impressão deixada por essa pintura—sua estranheza--é precisamente típica do homem. Ele isolou-se do mundo, e tampava os ouvidos, vivendo nos quartos mais sujos, não queria que seu jardim fosse cuidado, "preferindo ver ao redor de si coisas desordenadas e selvagens”. Tomava suas refeições em horas e modos jamais tomados por outros homens. E ainda tinham que o atrair para isso com doces e ovos cozidos. Seu gosto por paisagens fantásticas pode ser visto nesta pintura. Tinha amor aos animais, entre os quais, no dizer de Vasari, encontrava "prazer indescritível".

Seus temas geralmente são alegóricos. Neste que aqui vemos, ele nos mostra a morte de Prócris, uma lenda na qual os antigos expressaram a loucura do ciúme. Pois Prócris, ao lhe dizerem que Céfalo lhe é infiel, imediatamente acredita no que lhe contam, e secretamente segue Céfalo até à floresta,já que ele era um grande caçador.E Céfalo gritou por "aura",que quer dizer em latim "brisa",pois ele sentia calor após uma rápida corrida:"Doce brisa,venha",e o eco respondeu,"Venha,doce brisa".Entretanto Prócris,pensando que ele chamava por sua amante,girou para olhar,e,assim fazendo,fez com que as folhagens de um arbusto se agitassem.Céfalo,interpretando o movimento como sendo de uma caça da floresta,desferiu seu dardo,matando-a.





Extraído de “O livro dos factóides” (também sem tradução em português).


1)Microchips
O Journal of Environmental Science and Technology publicou um estudo pelo qual se fica sabendo que na manufatura típica de um chip-2gramas são consumidos 1.6 quilogramas de combustível, 72 gramas de produtos químicos e 32 quilogramas de água. Um microchip de 32 MB de memória requer 630 vezes a sua massa na sua manufatura. A produção de microchip utiliza 160 vezes a quantidade de energia necessária para fazer o simples silício. Milhares de produtos químicos são usados no processo, alguns dos quais altamente tóxicos.

2) Sir Isaac Newton (1642-1727)
O pai da física e matemática modernas era um dedicado alquimista, místico, teólogo e astrólogo. Não foi nada bem como estudante e sua mãe desejava torná-lo um simples fazendeiro. Foi admitido no Trinity College, em Cambridge, na condição de "subsizar",isto é,alguém que executa certos serviços domésticos.A história da maçã não é lenda.Ela foi recontada por ele próprio quando estava já idoso.Ele disse que,ao ver a maçã cair,pensou no movimento da lua ao redor da terra.Seu trabalho foi tão selvagemente criticado quando de sua publicação ao ponto de fazê-lo parar por completo,durante vários anos,de publicar fosse o que fosse.

3)Bíblia
Os judeus não incluem os 27 livros do Novo Testamento em sua Bíblia. Eis alguns fatos relacionados com a versão da Bíblia usada pelos cristãos de todo mundo: Velho (39 livros) e o Novo Testamento. Os dois juntos possuem 1.189 capítulos (929 só no Velho), 31.173 versículos. O Velho Testamento contém 592.439 palavras e 2.728.100 letras; o Novo Testamento contém 181.253 palavras e 838.380 letras. Dos 27 livros do Novo Testamento, 14 foram escritos por São Paulo. A Bíblia contém palavras do hebraico, do aramaico e do grego. A Bíblia é o livros mais vendido de todos os tempos. Mais de 50 cópias são vendidas a cada minuto. De acordo com a Concordance, uma compilação das palavras e letras da Bíblia, os gatos não aparecem nela nem uma única vez.Cristãos aparecem somente 3 vezes (Atos 11:26; 26:28; 1 Pedro 4:16).As palavras "avó" e "eternidade" somente uma vez cada.A Bíblia registra 7 suicídios e 7 diferentes Jeremias--mas nem uma única "trindade".Os livros de Ester e os Cânticos de Salomão não contém a palavra "Deus".Os codificadores judeus da Bíblia quase os deixaram de fora,isto é,quase que os declararam apócrifos.

4)Peste Negra
A AIDS já infectou até agora 42 milhões de pessoas, das quais 22 milhões já morreram. A peste negra, uma epidemia de peste bubônica que se alastrou pela Europa e Mediterrâneo em 1347-1351, matou de 1/4 a 1/3 da população, ou seja, 25 milhões de pessoas.Isto equivale hoje a 250 milhões de pessoas.Levou 150 anos para a população restaurar os níveis pré-epidemia.Estudiosos acreditam que a praga haja se originado no Oriente Médio através do sudeste da Rússia,entre os mares Negro e Cáspio.Os contemporâneos não usavam o termo "Morte Negra".Eles a chamavam de "Pestilência" ou de "Grande Mortandade",pois acreditavam que ela fosse uma punição divina pelos pecados da humanidade.

Resumos e Tradução de Carlos Rezende, extraídos dos seguintes livros em Domínio Público:

1) Project Gutenberg Etext of A History of Science, V 1, Henry Smith Williams
2)The Project Gutenberg eBook, Great Pictures, As Seen and Described by
Famous Writers, Edited by Esther Singleton
3)The Project Gutenberg EBook of The First Book of Factoids, by Sam Vaknin
05/10/2007
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