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Alexandria, a capital grega do saber,
às margens do Nilo, continuou como centro de pensamento
científico e filosófico. O reino dos Ptolomeus
ainda tinha, ao menos na aparência, as antigas glórias
dos velhos tempos. Um grupo de gramáticos e comentadores
de reduzido mérito ainda podia ser encontrado a serviço
dos famosos museu e biblioteca. Mas o aspecto geral do mundo
estava mudando rapidamente. A Grécia, após
seus breves dias de supremacia política, estava rapidamente
afundando na inatividade, enquanto os obstinados romanos
se faziam senhores por todas as partes do mundo. Corinto,
a última fortaleza da Grécia tinha caído
diante da intrepidez romana, e o reino dos Ptolomeus, embora
ainda nominalmente livre, tinha começado a sucumbir,
pondo-se debaixo da esfera de influência de Roma.
A escola de Alexandria, como centro criador, entrou em rápido
declínio. Há, todavia, nomes distintos, mas,
regra geral, os espíritos tendem antes a imitar as
pesquisas de seus predecessores do que criarem pesquisas
novas e originais. Aristarco e Hiparco, formuladores de
métodos astronômicos originais, tiveram como
sucessor Ptolomeu, o aperfeiçoador e sistematizador
de seus métodos e conhecimentos. Como quer que seja,
Roma nunca se tornou um verdadeiro centro de cultura. Não
como a Grécia. O grande gênio de Roma era a
política. A era de Augusto produziu uns poucos grandes
historiadores e poetas, mas nem um único grande filósofo
ou devotado gênio criador da ciência. Cícero,
Luciano, Sêneca, Marco Aurélio dão-nos,quando
muito,reflexões sobre a filosofia grega. Plínio,
o mais famoso nome nos anais de Roma, não pode clamar
por mais crédito do que o de industrioso coletor
de fatos—o compilador de uma enciclopédia que
não contém o mínimo de toque criador.
Tudo considerado, então, esta época de dominação
romana não deve deter o historiador da ciência
senão por um breve momento.
Estrabão,
o geógrafo
O mais famoso dos geógrafos antigos nasceu em Amasia,
Ponto, atualmente Turquia, ao redor de 63 a.C. e viveu até
24 d.C, portanto, vivendo na época de César
e Augusto.
O nome Estrabão é a forma modificada que se
tornou popular através de uma curiosa circunstancia.
O geógrafo,ao que tudo indica,era vesgo—daí
os modernos oculistas aplicarem a essa particular condição
o termo estrabismo.
Afortunadamente, todos os seus livros foram preservados
em sua inteireza, sendo um dos poucos clássicos antigos
nesta situação. Sua geografia é notável
em vários pontos. Fornece muitos detalhes—torna
mais precisas certas áreas e distâncias, elucida
questões de locações geográficas,
como latitudes e zonas.
Mas, em que pese a importância desses detalhes para
o ponto de vista contemporâneo, eles, claro, nada
mais oferecem para a posteridade senão a parte histórica.O
valor da obra segundo a consideração presente
diz respeito às críticas que Estrabão
faz a seus predecessores,e a história incidental
e as referências científicas com as quais sua
obra abunda.Com ele,temos uma clara idéia acerca
do estado da geografia científica no final da época
clássica.
“Se a investigação científica
de qualquer assunto for o passatempo adequado do filósofo”,diz
Estrabão,”a geografia,a ciência da qual
me proponho tratar,é certamente digna de um alto
posto;e isto é evidente de muitas considerações.Aqueles
que primeiro tomaram em mãos o assunto foram homens
da mais alta distinção.Homero,Anaximandro,Demócrito,e
muitos outros,e após esses,Eratóstenes,Políbio,Posidônio,todos
os quais filósofos.Como adição a tudo
isso,tem ela vasta importância para a vida social
e a arte do governo—a geografia desdobra diante de
nós os fenômenos celestes,familiariza-nos com
os ocupantes da terra e do oceano,com a vegetação,os
frutos,e peculiaridades dos vários quadrantes da
terra,um conhecimento que marca aquele que dele se ocupa
com a estampa da seriedade ao tratar os grandes problemas
da vida e da felicidade”.
“Quanto ao tamanho da Terra,” Estrabão
diz, ”ele já foi demonstrado por outros autores.
Assumiremos, portanto, que a Terra é esferoidal,
que sua superfície também o é e,acima
de tudo,que os corpos possuem uma tendência em direção
ao seu centro,tudo muito claro para a percepção
do entendimento mediano.Como quer que seja,mostraremos sumariamente
que a Terra é esferoidal pelo fato de que todas as
coisas,não obstante distantes,tendem para seu centro,e
que todo corpo é atraído para o centro em
virtude de sua gravidade.Isto é mais distintamente
provado pela observação dos oceanos e o céu,pois
aqui a evidência dos sentidos é o único
requisito.A convexidade do oceano é uma prova adicional
para todo aquele que navegue por,pois esse indivíduo
imaginário não pode ver luzes muito distantes
quando postas no mesmo nível que seus olhos,mas,se
erguidas no céu,logo se tornam perceptíveis
à visão,ainda que muito afastadas.Igualmente,se
os olhos do observador forem erguidos,ele verá o
que antes era inteiramente imperceptível .Homero
fala disto quando diz :
”Erga-se sobre a vasta onda e logo verá aquilo
que muito distante está”
“Com efeito, os marinheiros quando se aproximam de
seu destino observam-no aproximar-se continuamente mais
alto, e os objetos que a princípio pareciam em nível
mais baixo, começam a se elevar”.
Em toda parte Estrabão critica Eratóstenes
por ter mantido longas discussões sobre a forma da
Terra. Este tópico, afirma Estrabão, ”devia
ter sido logo descartado em poucas palavras”.Obviamente
esta doutrina da esfericidade do globo terrestre tinha,no
curso de 600 anos,se tornado tão firmemente estabelecida
entre os pensadores gregos, que era quase um axioma.Veremos
mais tarde que o mundo ocidental realizou um verdadeiro
retrocesso nesse sentido,em parte sob o estímulo
de um preconceito oriental.Quanto ao tamanho do globo,Estrabão
aceita sem maiores comentários as medidas de Eratóstenes.Ele
fala,entretanto,de “medições mais recentes”,referindo-se
em particular àquela adotada por Posidônio,contemporâneo
e amigo de Cícero.Suas medições da
Terra estavam baseadas numa estrela que se elevava muito
pouco acima da linha do horizonte em Rodes,comparada com
a altura da mesma estrela quando observada de Alexandria.Foi
esta medição que permaneceu até a Idade
Média.
Como escritor que era mais fundamentalmente geógrafo
e historiador do que astrônomo, Estrabão demonstrava
possuir um interesse mais acentuado na parte habitável
do globo do que no globo como um todo. Ele nos assegura
que esta parte habitável é uma grande ilha,
”dado que em qualquer extremidade que o homem vá
da terra encontra sempre o oceano”.

Junto com a idéia de que a porção habitável
do globo é uma ilha, havia uma outra noção
toleravelmente definida quanto ao formato desta ilha.Esta
forma,Estrabão compara com a do manto militar.Esta
idéia,Estrabão nos assegura,está de
acordo com as mais rigorosas observações “tanto
antigas quanto modernas”.Também lhe parecia
não ser possível a vida numa região
próxima ao equador e que,por outro lado,a temperatura
fria limitava a habitabilidade do globo para o norte.Toda
a civilização da antiguidade amontoava-se
em torno do mar Mediterrâneo,ou estendia-se em direção
ao oriente na mesma latitude.

Extraído de “As grandes pinturas
descritas por escritores famosos” (sem tradução
em português, como todos os livros dos quais faço
as compilações).
A Morte de Prócris, de Piero di Cosimo
por EDWARD T. COOK
Uma obra bem característica de Piero di Cosimo, sobrenome
em homenagem a seu padrinho e mestre, Cosimo Rosselli. A
primeira impressão deixada por essa pintura—sua
estranheza--é precisamente típica do homem.
Ele isolou-se do mundo, e tampava os ouvidos, vivendo nos
quartos mais sujos, não queria que seu jardim fosse
cuidado, "preferindo ver ao redor de si coisas desordenadas
e selvagens”. Tomava suas refeições
em horas e modos jamais tomados por outros homens. E ainda
tinham que o atrair para isso com doces e ovos cozidos.
Seu gosto por paisagens fantásticas pode ser visto
nesta pintura. Tinha amor aos animais, entre os quais, no
dizer de Vasari, encontrava "prazer indescritível".
Seus temas geralmente são alegóricos. Neste
que aqui vemos, ele nos mostra a morte de Prócris,
uma lenda na qual os antigos expressaram a loucura do ciúme.
Pois Prócris, ao lhe dizerem que Céfalo lhe
é infiel, imediatamente acredita no que lhe contam,
e secretamente segue Céfalo até à floresta,já
que ele era um grande caçador.E Céfalo gritou
por "aura",que quer dizer em latim "brisa",pois
ele sentia calor após uma rápida corrida:"Doce
brisa,venha",e o eco respondeu,"Venha,doce brisa".Entretanto
Prócris,pensando que ele chamava por sua amante,girou
para olhar,e,assim fazendo,fez com que as folhagens de um
arbusto se agitassem.Céfalo,interpretando o movimento
como sendo de uma caça da floresta,desferiu seu dardo,matando-a.

Extraído de “O livro dos factóides”
(também sem tradução em português).
1)Microchips
O Journal of Environmental Science and Technology publicou
um estudo pelo qual se fica sabendo que na manufatura típica
de um chip-2gramas são consumidos 1.6 quilogramas
de combustível, 72 gramas de produtos químicos
e 32 quilogramas de água. Um microchip de 32 MB de
memória requer 630 vezes a sua massa na sua manufatura.
A produção de microchip utiliza 160 vezes
a quantidade de energia necessária para fazer o simples
silício. Milhares de produtos químicos são
usados no processo, alguns dos quais altamente tóxicos.
2) Sir Isaac Newton (1642-1727)
O pai da física e matemática modernas era
um dedicado alquimista, místico, teólogo e
astrólogo. Não foi nada bem como estudante
e sua mãe desejava torná-lo um simples fazendeiro.
Foi admitido no Trinity College, em Cambridge, na condição
de "subsizar",isto é,alguém que
executa certos serviços domésticos.A história
da maçã não é lenda.Ela foi
recontada por ele próprio quando estava já
idoso.Ele disse que,ao ver a maçã cair,pensou
no movimento da lua ao redor da terra.Seu trabalho foi tão
selvagemente criticado quando de sua publicação
ao ponto de fazê-lo parar por completo,durante vários
anos,de publicar fosse o que fosse.
3)Bíblia
Os judeus não incluem os 27 livros do Novo Testamento
em sua Bíblia. Eis alguns fatos relacionados com
a versão da Bíblia usada pelos cristãos
de todo mundo: Velho (39 livros) e o Novo Testamento. Os
dois juntos possuem 1.189 capítulos (929 só
no Velho), 31.173 versículos. O Velho Testamento
contém 592.439 palavras e 2.728.100 letras; o Novo
Testamento contém 181.253 palavras e 838.380 letras.
Dos 27 livros do Novo Testamento, 14 foram escritos por
São Paulo. A Bíblia contém palavras
do hebraico, do aramaico e do grego. A Bíblia é
o livros mais vendido de todos os tempos. Mais de 50 cópias
são vendidas a cada minuto. De acordo com a Concordance,
uma compilação das palavras e letras da Bíblia,
os gatos não aparecem nela nem uma única vez.Cristãos
aparecem somente 3 vezes (Atos 11:26; 26:28; 1 Pedro 4:16).As
palavras "avó" e "eternidade"
somente uma vez cada.A Bíblia registra 7 suicídios
e 7 diferentes Jeremias--mas nem uma única "trindade".Os
livros de Ester e os Cânticos de Salomão não
contém a palavra "Deus".Os codificadores
judeus da Bíblia quase os deixaram de fora,isto é,quase
que os declararam apócrifos.
4)Peste Negra
A AIDS já infectou até agora 42 milhões
de pessoas, das quais 22 milhões já morreram.
A peste negra, uma epidemia de peste bubônica que
se alastrou pela Europa e Mediterrâneo em 1347-1351,
matou de 1/4 a 1/3 da população, ou seja,
25 milhões de pessoas.Isto equivale hoje a 250 milhões
de pessoas.Levou 150 anos para a população
restaurar os níveis pré-epidemia.Estudiosos
acreditam que a praga haja se originado no Oriente Médio
através do sudeste da Rússia,entre os mares
Negro e Cáspio.Os contemporâneos não
usavam o termo "Morte Negra".Eles a chamavam de
"Pestilência" ou de "Grande Mortandade",pois
acreditavam que ela fosse uma punição divina
pelos pecados da humanidade.
Resumos
e Tradução de Carlos Rezende, extraídos
dos seguintes livros em Domínio Público:
1)
Project Gutenberg Etext of A History of Science, V 1, Henry
Smith Williams
2)The Project Gutenberg eBook, Great Pictures, As Seen and
Described by
Famous Writers, Edited by Esther Singleton
3)The Project Gutenberg EBook of The First Book of Factoids,
by Sam Vaknin
05/10/2007
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