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Quando o filósofo Aristóteles saiu de cena,
Atenas deixou de ser o centro científico do mundo
antigo. Com rapidez cataclísmica, um novo centro
intelectual surgiu em Alexandria, em 332 a.C., a qual tomou
seu nome de Alexandre o Grande, que a fundou durante sua
breve visita ao Egito.
Sob
o governo dos Ptolomeus, herdeiros do império desmembrado
de Alexandre, ali se reuniram as melhores mentes da época.
A maravilhosa jornada de conquistas de Alexandre tinha alargado
os horizontes dos geógrafos gregos e estimulado a
imaginação de pessoas em todos os níveis
da sociedade. Nada mais natural, portanto, que a geografia
e a astronomia passassem a ocupar a atenção
dos estudiosos. Com efeito, um grupo de astrônomos
e de medidores de terras entrou em cena, como nunca antes
havia existido no mundo. As tendências dos novos tempos
estavam voltadas para as ciências mecânicas.
Eles não se preocupavam em resolver questões
relacionadas com o "ser" ou o "vir-a-ser”,
e sim com as realidades objetivas. Assim, nasceu uma sucessão
de grandes geômetras que se puseram a inventar novos
dispositivos mecânicos, por um lado, e, por outro,
elaboraram novas teorias para a mecânica celeste.
Esses homens que executaram os feitos que a seguir serão
mencionados, se não eram todos de Alexandria, ao
menos atuaram sob sua influência. Sabemos, por exemplo,
que os estudos de Aristarco, originário de Samos,
eram conhecidos por Arquimedes,originário de Siracusa.Enquanto
que, nos séculos precedentes,colonizadores vindos
dos confins do mundo civilizado se dirigiam para Atenas,agora,todos
os olhares estavam voltados para Alexandria--a cidade onde
os Ptolomeus erigiram um grande museu e onde reuniram uma
vasta biblioteca com não menos de meio milhão
de papiros,onde grande professores fundaram uma escola de
ciência que tornou aquela cidade o centro cultural
do mundo de então.
EUCLIDES
(cerca de 300 a.C.)
O nome de um desses líderes se tornou coisa corriqueira
em nossas salas de aula desde então. Sim, este foi
o famoso
Euclides, o pai da geometria sistemática. A tradição
preservou-nos muito pouco acerca da personalidade deste
notável mestre; por outro lado, sua mais importante
obra chegou até nós em sua inteireza. Os Elementos
de Geometria, obra com a qual o seu nome está associado
na mente de todo garoto de escola, apresenta as principais
proposições de seu assunto de uma maneira
tão simples e lógica que a obra permaneceu
como livro escolar por toda parte por mais de 2 mil anos.
A obra de Euclides, de fato, dá expressão
a muito conhecimento que não teve origem nele próprio.
Muitas de suas proposições foram desenvolvidas
por Tales e uma, com certeza, por Pitágoras. Não
se pode dizer com precisão aquilo que é e
aquilo que não é de Euclides, em sua obra.
O que parece mais provável é que ele foi antes
um disseminador que um criador—mas sua fama de consumado
professor e sistematizador de conhecimento é segura
e nunca foi posta em questão.A ele é creditado
um epigrama que por si só perpetuaria sua nome:”Não
há estrada real na geometria”,ao ser questionado
pelo rei Ptolomeu se não haveria uma maneira de simplificar
aquela ciência.
De outra feita, um jovem aluno seu, que iniciava seu aprendizado,
lhe perguntou: ”Que proveito posso tirar dessa ciência?”.Respondeu-lhe
o mestre chamando um serviçal e lhe dizendo:”Tome
e dê àquele jovem esta moeda de meia coroa,uma
vez que ele não pode aprender sem ganhar dinheiro.”
Os Elementos são compostos por 13 livros. Aqui, vamos
dar uma rápida espiadela no Livro I. Começa
ele por uma lista de 23 definições, como por
exemplo:
Def.1: Ponto é aquilo que não tem partes.
Def2: Linha é o comprimento sem largura.
Def.3: As extremidades de uma linha são pontos.
Def.15: Círculo é a figura plana contida por
linhas tais, que todas as linhas retas que caem sobre ele
a partir de um ponto, entre aqueles que se encontram dentro
da figura, são iguais umas às outras.
Def.20: Das figuras de 3 lados,o triângulo eqüilátero
é aquele que tem os 3 lados iguais;o isósceles
é o que tem 2 lados iguais;e o escaleno é
o que tem os 3 lados diferentes.
Seguindo-se a essa lista, são apresentados os postulados.
Cada postulado é um axioma, ou seja, uma declaração
que deve ser aceita sem prova. Muitos deles são construções—maneira
lógica de traçar uma determinada figura.
Exemplos de postulados:
Post. 1:Tirar uma linha reta de qualquer ponto a qualquer
outro.
Post. 3:Descrever um círculo com qualquer centro
e qualquer raio.
Em seguida são apresentadas as magnitudes e noções
comuns. Estas últimas são também axiomas
e se referem a magnitudes de várias espécies.
A magnitude que aparece com mais freqüência é
a das linhas retas.
Exemplo de noção comum:
N.C.1: Duas coisas que são iguais a uma terceira
são iguais entre si.
Seguindo-se às definições, postulados
e noções comuns temos as proposições.
Cada uma destas proposições inclui uma declaração
seguida pela prova dela. Cada declaração de
cada prova está logicamente justificada por uma definição,
postulado, noção comum, ou uma proposição
que já foi provada anteriormente. Devemos lembrar
que algumas proposições são também
construções. Uma construção
depende, em última análise, de postulados
construtivos sobre como traçar linhas e círculos.
Exemplo
de uma proposição e sua correspondente prova:
Proposição
1,do Livro 1:Construir um triângulo eqüilátero
em uma linha reta finita.
Seja
AB a linha reta finita dada, na figura abaixo:
Pede-se que se construa um triângulo eqüilátero
a partir desta linha reta AB.
Solução:Descreva
o círculo BCD com centro A e raio AB. Descreva o
círculo ACE (Post. 3) com centro B e raio BA.Ligue
as linhas CA e CB a partir do ponto C,no qual (Post.1) os
círculos se cortam,aos pontos A e B.
Agora, desde que o ponto A é o centro do círculo
CDB, temos que AC é igual a AB. De novo, desde que
o ponto B é o centro do círculo CAE, temos
que BC é igual a BA. (I.Def.15).
Mas
provou-se que AC é igual a AB,e assim temos que as
retas AC e BC são iguais a AB (N.C.1),visto que,
se uma coisa é igual a outra e esta é igual
a uma terceira,segue-se que elas são iguais entre
si;portanto, AC também é igual a BC.
Deste modo, as 3 linhas retas AC,AB e BC são iguais
umas às outras.
Portanto, o triângulo ABC é eqüilátero
e foi construído com base na linha reta finita AB.
Q.E.F. isto é,estas iniciais são da expressão
latina “Quod erat faciendum”,que,traduzida,quer
dizer” Que se devia fazer”.Umas poucas proposições,como
esta,resolvem problemas de construção.Contudo,a
maioria das provas,ao invés,termina com Q.E.D.,ou
seja,”Quod erat demonstrandum”,que,traduzida,quer
dizer “Que se devia demonstrar”.Mas ambas são
similares, do ponto de vista da demonstração
logicamente assentada em princípios já fornecidos.
XX
Amenidades extraídas do Livro dos Factóides
(sem tradução em língua portuguesa,
assim como todas as outras obras que uso)
1) Filósofos Gregos
Houve tantos pensadores gregos na antiguidade que virtualmente
cada pedacinho do conhecimento moderno, cada fato, cada
pseudociência, tudo, enfim, teve neles seus representantes.
O matemático Pitágoras (582-500 a.C.) postulou
que a terra é redonda e que, junto com os outros
planetas, girava ao redor de um fogo central.
O astrônomo Eratóstenes (276-196 a.C.) mediu
a circunferência da terra com precisão. Ele
usou observações astronômicas para calcular
a diferença na latitude entre as cidades de Syene
e Alexandria, no Egito.
O astrônomo Aristarco foi ainda mais preciso que Pitágoras.
Sugeriu que a terra gira ao redor do sol e sugeriu um método
para calcular a distância entre os dois.
O filósofo Demócrito (460-370 a.C.) inventou
o conceito dos átomos—partículas diminutas,
invisíveis, indivisíveis e indestrutíveis.
2) O número irracional 
Razão
áurea ou proporção divina na antiguidade,
cujo número apresenta-se assim:1,6180339887.
É encontrado no arranjo das pétalas de rosa,
nas conchas dos moluscos, nas florzinhas do girassol, nos
furacões, nos fractais, na estrutura dos cristais,
no comportamento do mercado de ações e na
forma da Via Láctea. É crucial no desenho
do pentagrama e é um símbolo de poderosa magia.
A razão p encantou eruditos através das eras—desde
Pitágoras, Kepler até aos matemáticos
modernos dedicados ao estudo dos números de Fibonacci
(permutações de pi).Artistas como Goethe,Cézanne,Bartok
o estudaram obsessivamente.Sua descoberta é atribuída
a Euclides.
Resumos
e Tradução de Carlos Rezende, extraídos
dos seguintes livros em Domínio Público:
1) Project Gutenberg Etext of A History of Science, V 1,
Henry Smith Williams
2) Project Gutenberg’s First Six Books of the Elements
of Euclid, By John Casey
3) The Project Gutenberg EBook of the First Book of Factoids,
by Sam Vaknin
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