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Elementos de Geologia, de Charles Lyell.
A obra de Lyell foi bastante lida e compulsada por Darwin,
de quem o célebre geólogo foi grande amigo.
Darwin sempre fazia questão em seus livros de reconhecer
sua dívida para com ele.
X
De
que elementos a Terra é composta, e de que modos
estes materiais estão arranjados?Estas são
as questões com as quais a geologia se ocupa. Esta
ciência deriva seu nome do grego "ge",a
terra,e logos,discurso.Antes de toda experiência sobre
o assunto,é bem possível que imaginássemos
que devêssemos nos ocupar exclusivamente com o reino
mineral,e com as várias rochas,solos e metais que
ocorrem na superfície da Terra,ou nas profundezas
dela.Mas,ao nos enfronharmos nessas pesquisas,logo somos
levados a considerar as sucessivas mudanças que tiveram
lugar, nos mais remotos períodos, na superfície
e interior da Terra,e as causas que originaram tais mudanças;e,o
que é ainda mais singular e inesperado,também
nos vimos engajados na busca da história da criação
animada,ou das várias espécies de animais
e plantas que,em diferentes períodos do passado,animaram
o globo.
Todos conhecemos que as partes sólidas da Terra consistem
de substâncias distintas, tais como argila,giz,areia,calcáreo,hulha,granito,etc.,e
previamente à qualquer observação,imagina-se
que tudo isso apresenta-se como está desde os primeiros
dias.Contudo,o geólogo chega a conclusões
diferentes,descobrindo que as partes externas da Terra não
foram produzidas desde o começo das coisas no estado
em que as vemos na atualidade.Pelo contrário,ele
pode demonstrar que elas adquiriram a atual configuração
e condições gradualmente,sob uma grande variedade
de circunstâncias,e em períodos sucessivos,durante
os quais distintas raças de seres viventes floresceram
sobre a Terra e nas águas,e os remanescentes,os restos
deixados por essas criaturas que jazem enterrados na crosta
da Terra.
Por "crosta terrestre" queremos dizer a pequena
porção do exterior de nosso planeta que é
acessível à observação humana.
Ela compreende não somente os penhascos que se projetam
sobre um rio ou sobre o oceano,ou qualquer outra estrutura
com que o mineiro pode se deparar em suas escavações.E
é sobre ela que nossos raciocínios podem ser
feitos,penetrando vários quilômetros de profundidade;tal
número,porém,é pequeno,se admitirmos
que sua espessura é da ordem de 1/400 da distância
da superfície ao centro da Terra.Entretanto,embora
essas dimensões da crosta sejam,em verdade,insignificantes
quando comparadas com a de todo o globo terrestre,elas constituem
uma considerável vastidão quando comparadas
com a pequenez do homem e mesmo com a de todas as formas
orgânicas que a povoam..
Os
materiais desta crosta não estão embaralhados
confusamente, como o leigo poderia pensar, e sim dispostos
em distintas massas minerais, denominadas rochas; as quais
ocupam espaços definidos e exibem certa ordem em
seu arranjo. O termo ROCHA é aplicado indiferentemente
pelos geólogos a todas essas substâncias, quer
sejam macias, quer sejam duras, pois a argila e a areia
estão incluídas no termo. Nossos antigos escritores
fizeram o possível para evitar essa violência
de linguagem, ao se referirem a esses materiais componentes
da Terra como rochas e SOLOS. Mas, frequentemente, é
tão insensível a passagem do material macio
e incoerente para aquele pedregoso, que os geólogos
de todos os países sentiram a necessidade de um termo
técnico que incluísse ambos, e assim encontramos
ROCHE em francês, ROCCA em italiano, e FELSART em
alemão. Mas a maneira mais natural e conveniente
de classificar as várias rochas que compõem
a crosta terrestre é nos referirmos a elas, em primeiro
lugar, às suas origens, e, em segundo lugar, às
suas relativas idades.
Teoria da Terra, de James Hutton
O atualismo, isto é, a explicação
de como se formou a crosta terrestre por processos ocorridos
ao longo do tempo geológico e não por cataclismos
eventuais, foi o grande legado do geólogo e naturalista
escocês James Hutton (1726-1797) à ciência.
E o seu livro "Teoria da Terra" é um dos
pilares da geologia moderna, nos seus esforços para
compreender o complexo funcionamento de nosso planeta.
X
Quando
delineamos as partes de que o sistema terrestre é
composto, e quando observamos as conexões gerais
dessas partes, o todo se apresenta como uma máquina
peculiar adaptada a certa finalidade.
Sabemos pouco das partes internas da terra, ou sobre os
materiais que a compõem. Mas sobre a superfície
do globo, a matéria mais inerte está repleta
de plantas, de animais e de seres inteligentes.
Onde tantas criaturas vivas seguem seus caminhos, perseguindo
os objetivos para os quais foram criadas, não veremos
a natureza num estado quiescente; a matéria estará
em movimento, e as cenas da vida--uma contínua e
repetida série de agitações e eventos.
Este globo da terra é um mundo habitado; e na adequação
a este propósito deve nossa sabedoria aprender a
conformar-se. Para julgar este ponto, devemos manter em
mente não só a finalidade como também
os meios pelos quais ela é obtida. Estes são:
a forma do todo, os materiais que o compõem,e os
vários poderes que concorrem,equilibrando-se uns
aos outros na procura do objetivo final.
A terra compõe-se de partes maleáveis e duras,
adaptadas ao uso das plantas e animais; de partes molhadas
e secas são as misturas que nutrem os corpos vivos
que nela habitam; o quente e o frio produzem a temperatura
ou clima.
Para se entender o mecanismo do globo é necessário
dividi-lo em três partes: o corpo sólido da
terra, o corpo aquoso dos oceanos e o corpo fluido do ar.
Há um corpo central no globo, que suporta aquelas
partes que comumente vemos. Nós o supomos sólido
e inerte, mas tal conclusão baseia-se em princípios
científicos e experiências que pudemos fazer
com aquilo que foi expulso de dentro dele para a superfície.
Considere o corpo aquoso. Este, pela gravitação,
é reduzido a uma forma esférica e, pela força
centrífuga da rotação da terra, tornou-se
globoso. Este fluido é essencial na constituição
do mundo, pois, além de ser o meio de vida de muitas
espécies, é o receptáculo dos rios,
a fonte dos vapores que se transformam em chuva e um regulador
do clima.
Considere
a atmosfera que envolve o globo. Este fluido é não
menos necessário que as outras partes, pois não
há nada na superfície da terra que não
tivesse nela a sua origem e manutenção. Sem
ela não existiria o fogo, é o sopro de vida
dos animais e vegetais e,enquanto contribui para dar fertilidade
e saúde para as coisas que crescem,impede ao mesmo
tempo que elas se corrompam.
Pela força gravitacional as partes do globo não
alternadamente expostas à luz e às trevas,
em sua rotação. Desta maneira são produzidas
as vicissitudes do dia e da noite, tão variáveis
nas diferentes latitudes a partir do equador aos pólos.
Tal o cenário de nossas investigações.
Extraído
de “I, Asimov”, autobiografia, com o apêndice”
Morte de Isaac Asimov”, de Janet Asimov
Um dos desejos mais profundos do ser humano é ser
conhecido e entendido. Hamlet instrui Horácio para
contar sua história.
Isaac
diz em sua autobiografia que foi minha a idéia de
que ele a escrevesse, mas o fato que permanece é
que ele desejou escrevê-la para compartilhar sua vida
com seus leitores de um modo que ele não fizera nas
duas versões mais antigas dela, que são mais
detalhistas e cronológicas, mas muito menos introspectivas
que esta última.
Em maio de 1990, Isaac terminou esta autobiografia.
Depois da morte de Isaac, tomei a iniciativa de editar o
manuscrito. O editor a queria bastante abreviada, mas fiz
valer minha vontade e consegui publicá-la tal como
foi escrita.
Isaac registra em seu diário de 30 de maio de 1990
como o dia em que deu à sua autobiografia a redação
definitiva. Ele anotou: ’Está agora pronta,
125 dias depois de tê-la iniciado. Não são
muitos aqueles que podem escrever 235.000 palavras nesse
tempo, enquanto estivessem a fazer muitas outras coisas’.
No dia seguinte fomos a Washington para um almoço
na Embaixada Soviética. A viagem deu a Isaac a sensação
de que vencera a moléstia e que retornara em parte
à sua antiga vida. Estava particularmente feliz de
encontrar-se com Gorbatchev porque o final da Guerra Fria
trazia novas esperanças para a humanidade. Isaac
acreditava fervorosamente que todas as pessoas deviam se
juntar para realizar o bem comum da humanidade.
A despeito de sua crescente fraqueza, escrevia todo dia.
Aborrecia-se com os vários problemas médicos—os
seus próprios e os de sua filha e de seu irmão.
Pela primeira vez mencionou a sua depressão em seu
diário, com imensa amargura. Para os outros que o
rodeavam, tentava passar outra imagem sua, sempre fazendo
piadas, sempre com aquela amabilidade que só ele
possuía.
No dia 2 de janeiro de 1991, escreveu: ’Consegui!Fiz
71 anos. Ganhei um presente de Natal: Saí nas tiras
dos desenhos do Garfield... O que, provavelmente, me pôs
à luz das ribaltas como nunca antes. Minha filha
Robyn veio e juntos fomos ao restaurante Shun Lee atrás
de Pato à Pequim e carne de cervo. Foi ótimo!
Também em janeiro de 1991 ele começou a trabalhar
no ‘Asimov Laughs Again’, que levantou seu moral.
Em 5 de abril ele terminou o livro declarando que estivemos
apaixonados um pelo outro nesses últimos 32 anos.
A página termina assim: ’Acho que minha vida
chegou a seu curso final e não espero viver muito
mais. Entretanto, nosso amor permanece e nada tenho de que
me queixar. Em minha vida, tive minha esposa Janet e tive
minha filha Robyn, e meu filho David; tive um enorme número
de bons amigos; tive meus livros e minha fama e a riqueza
que proporcionaram; portanto, não me importa o que
me aconteça—foi uma boa vida e estou satisfeito
com ela. Assim, por favor, não se preocupe comigo.
Gostaria apenas que este livro o fizesse dar umas boas gargalhadas’.
Ao remeter o livro para a editora, tornou-se mais distante.
A caligrafia em seu diário piorou e houve poucas
anotações. Mas ele continuou a escrever tanto
quanto lhe foi possível.
Não entrarei em detalhes sobre seus últimos
dias, que foram marcados por freqüentes hospitalizações
e severa decadência física. Nem darei detalhes
de seu leito de morte, exceto para dizer que ele não
sentiu dor—rim em estado terminal arrasta a pessoa
para uma espécie de apatia, e eventualmente à
paz.
Robyn e eu estávamos lá quando ele morreu.
Seguramos suas mãos e lhe dissemos que o amávamos.
Suas últimas sentenças completas foram: ’Eu
também as amo’.
Disse a Harlan Ellison sobre um incidente que se deu em
sua última semana em casa. Isaac já não
podia falar muito e passava a maior parte do tempo a dormir,
mas certa vez ele acordou parecendo terrivelmente assustado
e ansioso.
Ele disse para mim: ’Eu quero... Eu quero... ’
‘O que você quer Isaac?’, eu perguntava.
‘Eu quero... Eu quero... ’
‘O que você quer meu querido?’
Então, pareceu rebentar do mais íntimo dele:
’Eu quero—Isaac Asimov!’
‘Claro!’, eu disse, Isaac Asimov é você’.
Então ele disse admiravelmente e em triunfo: ’EU
SOU Isaac Asimov!’
Eu lhe retornei: ’E Isaac Asimov pode descansar agora.
’
Isaac sorriu feliz e disse: ’Ok’, e dormiu novamente.
Mesmo próximo do fim seu senso de humor nunca desapareceu.
Quando todos nos reunimos, disse-lhe: ’Isaac, você
é o melhor homem que poderia existir’.
Isaac sorriu e deu de ombros. Então, com um travesso
erguer de sobrancelhas, ele balançou o rosto em sinal
afirmativo, e nós todos caímos na gargalhada.
Escrever o que ele desejava escrever era um ato de alegria
para ele, durante o qual relaxava e esquecia seus problemas.
Resmungava, é claro, por ter tido que escrever tantas
obras em poucos dias, mas elas sempre o ajudaram. ’Forward
the Foundation’ o machucou, porque ao matar Hari Seldon
ele estava também matando a si mesmo; contudo, ele
superou toda a angústia.
Ele me disse certa vez como seria o final de ‘Forward
the Foundation’—que Hari Seldon morreria,que
as equações do futuro lhe apareceriam como
a girar em torno dele, que ele saberia estar olhando para
um futuro que ele próprio descobrira e ajudara a
concretizar.
Isaac dizia: ’Não sinto autopiedade pelo fato
de não poder estar aqui para ver alguns dos possíveis
futuros. Como Hari Seldon, posso olhar toda a minha obra
em torno de mim e me sinto confortado com isso. Estudei,
imaginei e escrevi sobre muitos futuros possíveis—é
como se tivesse vivido cada um deles’.
Quando uma vez nos pusemos a conversar sobre a velhice,
a doença e a morte, ele disse que não era
tão terrível assim ficar doente, velho e morrer,
desde que sentíssemos ser parte de uma vida que se
completava segundo um padrão. E que, embora não
pudéssemos atingir a velhice, ainda valeria a pena,
ainda haveria prazer na visão de ser parte da vida,
especialmente se esse padrão de vida pudesse ser
expresso e compartilhado em criatividade e amor.
Resumos
e Tradução de Carlos Rezende, extraídos
dos seguintes livros em Domínio Público,nenhum
dos quais foi até hoje traduzido para o português.
1) The Project Gutenberg Etext of The Student's Elements
of Geology by Sir Charles Lyell.
2) The Project Gutenberg eBook, Theory of the Earth, Volume
1 (of 4), by James Hutton.
04/11/2007
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