Por Juninho Coimbra e Evaristo Almeida
Entrevista de hoje é com Dalva Ringer – Secretária
Executiva do Consórcio Caparaó – durante
a IV mostra de desenvolvimento sustentável da região
realizada em São José do Calçado
O
Broinha – Dalva nós gostaríamos
que você fizesse um histórico de quando começou
e como é que surgiu a idéia do consórcio?
Dalva Ringer – Em 1995 eu era coordenadora
de Educação Ambiental do Estado, fiz uma visita
à região do Caparaó e fiz uma proposta
ao Governo do Estado na Época que era de um protocolo
de intenções para fazermos um plano de desenvolvimento
para essa região que tinha uma potencialidade imensa
mas estava economicamente estagnada. Essa proposta foi feita
e foi aceita, e aí no dia 5 de junho de 1995 nós
lançamos esse desafio através de um protocolo
de intenções lá no auditório da
Rede Gazeta em Vitória com o Governo do Estado. Inicialmente
nós pensamos em trabalhar cinco municípios e montamos
um projeto chamado “Fórum Itinerante Pró-Caparaó”
que tinha o objetivo de fazer um DRT (Diagnóstico Rápido
Participativo) dos municípios para saber quais eram os
principais problemas, quais eram as demandas, quais seriam as
alternativas, as potencialidades em desenvolvimento e uma das
coisas que foram levantadas, é que nós tínhamos
um Parque Nacional, o Parque Nacional do Caparaó, em
que nós tínhamos 78% desse Parque no território
capixaba, o Pico da Bandeira fica no município de Ibitirama,
mas que só o Estado de Minas Gerais explorava turisticamente
e, automaticamente, economicamente, e aí nós começamos
a pensar “Como é que nós vamos fazer com
que a população dessa região comece a conhecer
e a despertar para essa região?” porque as pessoas
não conheciam, que os próprios livros de história
e geografia vinham mostrando como se o Parque Nacional do Caparaó
fosse mineiro, sob o Espírito Santo só diziam
que estava na divisa. Ai nós fizemos esse levantamento
através de um estudo técnico, por meio de uma
equipe contratada pelo Ministério do Meio Ambiente, e
nesse trabalho nós vimos a possibilidade de estar fazendo
um plano de fato maior e abrindo uma portaria pelo lado do Espírito
Santo para começar, mas antes disso nós fizemos
um programa de educação ambiental pra região
porque nós entendíamos que só através
de uma educação diferenciada, que é a educação
ambiental, nós poderíamos estar levando esse conhecimento
à população.
E aí nós começamos na inauguração
da portaria, quando nós conseguimos trazer o Ministro
Gustavo Krause. E depois da inauguração em 98
“E agora vamos fazer o quê com isso?” aí
numa reunião nós pensamos primeiro em criar uma
fundação, mas era mais complicado, aí chegamos
à conclusão que criamos um Consórcio Intermunicipal
de Desenvolvimento Sustentável da Região do Caparaó,
eram 10 municípios e agora entrou Jerônimo Monteiro,
e atualmente nós temos municípios do Estado de
Minas Gerais querendo entrar e os municípios de Bom Jesus
do Norte, Apiacá e Brejetuba querendo entrar também,
e é uma coisa que nós temos que pensar e avaliar
pois tudo que é grande demais não se sustenta.
Mas isso é uma coisa que nós estamos estudando.
O
Broinha – E como está o desenvolvimento
dos trabalhos hoje?
Dalva Ringer –O Consórcio hoje
tem vários projetos, nós estamos agora com o apoio
da Companhia Vale do Rio Doce, fazendo o plano de Desenvolvimento
Sustentável da Região que é o Projeto Vale
Mais. Nós estamos na fase de diagnóstico dos municípios,
e é um projeto de um ano e meio. Nós estamos contratando
agora 80 jovens na região pra trabalhar como pesquisadores
nas comunidades inclusive na zona rural e até junho de
2006 nós vamos estar lançando esse projeto e também
fazendo os Planos Municipais de Desenvolvimento de todos os
11 municípios, onde o SEBRAE é nosso parceiro
vai bancar metade do projeto e a outra metade nós estamos
bancando com recursos do Ministério das Cidades que já
está aprovado.
Nós temos também um outro projeto do PRONAF territorial.
Nós aprovamos esse ano pra São José do
Calçado uma fábrica de farinha para os assentamentos
e acredito que até início de janeiro ou fevereiro
essa fábrica já vai começar a ser construída.
Nós estamos com mais de 3 milhões de investimentos
nos municípios. Estamos com o Projeto “Cama e Café”
que é o projeto de Turismo Rural que é o primeiro
município que nós vamos trabalhar agora, estamos
esperando a liberação de recursos, vai ser São
José do Calçado, até por causa da Festa
do Carro de Boi, que a gente quer estar ajudando a fortalecer,
que é uma festa dos carreiros, então acho que
nem o consórcio pode assumir isso e nem o município,
ela tem que ter uma associação e ela tem que ser
independente para ela ter uma continuidade, o que nós
podemos fazer é dar apoio naquilo que for necessário.
Nós temos o Projeto “Corredores Ecológicos
da Mata Atlântica” que é um projeto mundial,
que nós temos três corredores na região,
um pega os pontões e vai até uma parte de Guaçui,
pega pontões, Jerônimo Monteiro, Alegre e uma parte
de Guaçui.
Temos o outro projeto do corredor ecológico na Cachoeira
da Fumaça, ligando ao Parque Nacional do Caparaó,
e temos o terceiro que é pegando Muniz Freire, Ibatiba,
Iúna Irupi e Ibitirama e liga ao Parque Nacional do Caparão.
Temos o Projeto “MOVA Caparaó” que é
o projeto de vídeo ambiental onde esse ano nós
fizemos oficina com os alunos das escolas, é um projeto
que tem a categoria internacional, nacional, estadual e regional,
os vídeos regionais estão sendo construídos
pelos jovens da região, esse ano nós apresentamos
oito vídeos e tem um vídeo de animação
que foi feito por crianças e que vai concorrer agora
a um festival internacional o “Eco Cine São Paulo”,
que é o “Zé Caparaó”, que é
um filme de animação que foi construído
pelas crianças. Então o mais importante desse
projeto é que ele formou cineastas, ele formou atores,
formou cinegrafistas e nós até o ano que vem vamos
montar uma ilha de cinema dentro do Consórcio do Caparaó
para dar continuidade a esse projeto com as crianças.
Nós conseguimos fazer oito vídeos esse ano, foi
fantástico e ano que vem vai ser em Pedra Menina, município
de Dores do Rio Preto. Nós vamos montar um estrutura
dessas pra fazer o Festival e vamos tentar atrair pessoas do
Brasil todo para esse Festival de cinema e vídeo, e aí
nós vamos ter vários vídeos da região
pra poder concorrer à categoria regional.
Um Projeto que nós temos também chamado Pró-renda,
que é o Projeto de Geração de Emprego e
Renda, que é uma parceria com o Governo alemão,
um Projeto chamado GTZ que é voltado pro artesanato.
É um Projeto muito interessante, não tem muito
recurso, mas ele nos dá apoio pra que a gente busque
esses recursos.
Com
o BANDES fechamos semana retrasada as oficinas de capacitação
do Projeto “Banco Nosso Crédito” em todos
os municípios onde não o tinha, que é exatamente
pra fazer empréstimo lá para pessoas que tem no
fundo de quintal uma pequena fábrica de doces, uma pequena
fábrica de biscoitos, ou uma costureira, ou um salãozinho,
uma barbearia. Já foram escolhidos os jovens que vão
trabalhar, os profissionais que vão trabalhar dentro
do Banco Nosso Crédito, e agora em outubro nós
temos a capacitação desses jovens, e em novembro
nós estaremos inaugurando o Banco Nosso Crédito
em todos os municípios.
Nós estamos fazendo um Projeto para o lixo dos 11 municípios,
todo ano volta recurso do Ministério do Meio Ambiente
para o caixa do Governo Federal por que não tem projeto
para questão do tratamento do lixo. Nós estamos,
paralelo a isso, querendo começar a montar pequenas indústrias
com o lixo. Nós não queremos vender o lixo para
a indústria de papel reciclado, e sim uma indústria
de plástico em pelota, por exemplo. O plástico
nós vamos vender, e nós queremos além do
lixo, nós queremos gerar emprego e renda e os subprodutos
do lixo também geram emprego, fazer de fato a reciclagem,
pois você quando só separa você não
recicla, você só recicla quando você transforma,
nós queremos coletar separadamente e transformar isso
em sub produtos.
O Broinha – Para um município
pequeno uma indústria de lixo seria inviável?
Dalva Ringer – Exatamente. Por isso que
nós temos que trabalhar consorciados,. Nós temos
municípios de 10 mil, 11 mil habitantes que é
inviável montar usina de tratamento de lixo, ela não
se sustenta. E nem a quantidade de lixo que se produz compensa
você vender. Então nosso objetivo é fazer
essa concentração pra poder ter grande quantidade
pra vender, a região toda hoje ela tem cerca de 170 mil
habitantes, nós geraríamos, no mínimo,
150 empregos diretos com o próprio lixo pagando, eu já
fiz isso em Ibatiba, tem um município só que já
tem isso, são 22 mil habitantes que geram 10 empregos
diretos
O
Broinha –Ou seja a importância
de um município estar inserido no Consórcio é
muito grande, pelo que a gente percebe. Mas especificamente
Calçado como é que foi a inserção
do município de Calçado no Consórcio e
o que isso já está trazendo, se não está
trazendo, o que é que pode trazer para o município
a nível de desenvolvimento?
Dalva Ringer – Depois que a mostra passa
muda a história do município. Em todos que nós
fizemos mudou a história, porque o nosso problema na
região, como no Brasil todo, é cultural, é
muito difícil você mudar cultura, você resgatar
cultura, é muito difícil, então São
José do Calcado, é um município onde nós
sempre tivemos muita dificuldade de penetrar. E eu fiz questão
de trazer pra cá .
Mas foi exatamente em 98 quando São José do Calçado
entrou, nós começamos em 95 e em 98 São
José do Calçado entrou, e agora é que nós
estamos conseguindo de fato botar o pé dentro de São
José do Calçado Nós já fizemos vários
cursos aqui, fizemos várias investidas, já estivemos
até pensando em tirar São José do Calçado
mas nós vamos novamente voltar. Eu já fiz uma
exposição na Câmara de Vereadores, porque
precisava de uma aprovação da Câmara de
Vereadores para o município participar efetivamente,
pois existe uma contribuição simbólica
dos municípios para manter a estrutura do Consórcio
e a gente não tava conseguindo fazer isso com São
José do Calçado, e então eu tive que ir
à Câmara fazer um exposição, os Vereadores
ficaram impressionados com o que nós mostramos, nós
não fomos só falar, nós mostramos o que
estava sendo feito e aí agora nós conseguimos
a adesão da Câmara e da Prefeitura e agora nós
estamos entrando com força.
E a primeira coisa que nós estamos fazendo é esse
projeto do Plano de Desenvolvimento. Nós vamos planejar
o crescimento de São José do Calçado e
através do planejamento nós vamos saber quais
são os investimentos que precisam ser colocados aqui
e vamos fazer os projetos e buscar esse recursos além
dessa questão do resgate da cultura do artesanato que
para nós é primordial.
O Broinha –Já tem
um pequeno diagnóstico de Calçado?
Dalva Ringer –São José
do Calçado é um município que tem tudo
pra dar certo, tenho certeza disso eu trabalho com isso há
30 anos e eu nunca errei. São José do Calçado
tem que desenvolver o eco turismo e o turismo rural aqui. Tem
tudo, tem as fazendas mais lindas da região, tem a beleza
natural fantástica, tem os pontões aqui que precisa
ser transformado num parque urgente, para podermos fazer um
plano de manejo desse parque, disciplinar o uso dele e trabalhar
um centro de vivência ali com esportes radicais. São
José do Calçado tem como atrair campeonatos nacionais
e internacionais de algumas categorias de esporte radical seja
parapente, vôo livre, escalada, trilhas ecológicas,
então tem tudo pra dar certo, nós temos que ter
é a população consciente disso, eu sei
que consciência a gente não dá, as pessoas
formam consciência na medida que elas vão adquirindo
conhecimento e é isso que nós estamos tentando
trazer, “conhecimento”.
O
Broinha – Você falou das oficinas
que teve na Mostra, como é que foi a participação
nessas oficinas?
Dalva Ringer – ainda não foi a
participação que nós esperávamos
não, porque acredito que houve falha na divulgação,
mas isso é normal acontecer, mas nós vamos voltar
com outras, mas as oficinas de 15 vagas estava dando 10 pessoas,
a gente esperava que fosse ultrapassar. Nas oficinas de confecção
de artesanato em fibra de banana, e banana todo mundo tem até
em fundo de quintal, foram feitas coisas fantásticas,
as pessoas saíram impressionadas com o que elas conseguiram
produzir, jarras, caixinhas de lembranças, uma série
de coisas, então já existe um pedido que eles
mesmos vão organizar outros grupos e nós vamos
viabilizar essas novas capacitações pra cá.
O
Broinha – Uma dificuldade muito grande
que a gente vê Dalva nos municípios menores, é
a questão de recursos. Eu acho que a importância
do Consórcio ela está exatamente aí. Na
possibilidade de atração de recursos maiores para
investimentos. Isso tem sido trabalhado, tem existido uma integração
entre os municípios para que esses recursos venham, ou
seja, como é que está sendo trabalhado isso?
Dalva Ringer –Dentro do Consórcio
nós temos a parte política que é composta
pelos prefeitos e nós temos a parte administrativa da
qual eu sou a gerente e eu não me envolvo com as questões
políticas dos municípios, eu trabalho com as pessoas,
e eu tenho uma equipe técnica, eu tenho duas biólogas
dentro da equipe, eu tenho um administrador, em cada município
nós temos algum representante e nesse trabalho do Plano
de Desenvolvimento, nós temos duas equipes enormes trabalhando,
uma trabalhando os municípios que nós chamamos
de merco “I”, que são os municípios
que começam com “i”, que é Ibitirama,
Iúna, Irupi e Ibatiba, e a outra equipe, que é
contratada temporariamente. Essa equipe está trabalhando
os municípios de Alegre, Guaçui, Dores do Rio
Preto, Divino de São Lourenço, São José
do Calçado e Jerônimo Monteiro. A maior dificuldade
que nós encontramos hoje nos municípios é
ter pessoal capacitado para digerir os projetos que vem para
dentro do municípios. Com esse plano e esse PDM (Plano
de Desenvolvimento Municipal) nós estaremos fazendo também
essa capacitação dentro das Prefeituras, por que
a gente percebe que dentro dos municípios é sempre
a mesma pessoa para fazer tudo e a centralização
não vai a lugar nenhum, e as pessoas começam a
pegar muita coisa pra fazer e acabam não conseguindo
fazer absolutamente nada. Isso é no Brasil inteiro, não
estou falando que seja só aqui na região não,
então um dos maiores objetivos é exatamente esse,
com esse plano de desenvolvimento e com o PDM, para a população
que não sabe, você vai organizar o crescimento
do município e os investimentos do município
O
Broinha – Vai dar um rumo para o Município.
Dalva Ringer – Direção,
por exemplo margem de rio, não pode se construir, é
área de proteção permanente, de acordo
com a legislação vigente, então vai ter
um mapa dizendo onde pode ter, se tiver a indústria vai
pra onde? Tem que ter um centro industrial, vai pra tal lugar,
se for construir uma faculdade aqui, pra onde vai essa faculdade?
Temos um parque, temos que fazer um parque municipal, como vai
ser a administração desse parque? Onde que ele
está localizado, o que que ele precisa dentro dele para
fazer isso? Tem uma série de coisas que o PDM vai definir,
organizar o crescimento das cidades. Essa questão de
se construir casas populares dentro das cidades isso é
um erro imenso das administrações, porque ao invés
de você desenvolver, você tira o homem do campo
para dentro da cidade, e aí você provoca o êxodo
rural. Quais são os tipos de potencialidades agrícolas
que o município tem, quer dizer o que que você
pode plantar que você pode colher? O que você tem
comércio e tem preço? Muitas das vezes a pessoa
planta uma coisa que não tem comércio e nem tem
preço, então esse plano vai fazer exatamente isso.
E o fortalecimento dos seguimentos organizados, isso é
muito importante, das associações, das ONG´s
que existem na região, isso é fundamental porque
não adianta querer desenvolvimento sem participação
popular, tem que ter a participação da população.
A população é a peça fundamental,
nós só conseguimos fazer com que o Consórcio
chegasse onde chegou hoje, porque nós temos 13 ONG´s
que nos dão essa sustentação. Quando mudam
as administrações municipais nós temos
um problema sério, nós temos depois que recomeçar
tudo novamente, mas aí nós temos essas Ong´s
que dão sustentação ao Consórcio
por isso que o Consórcio até hoje não parou
O
Broinha –Quais são essa ONG´s?
Dalva Ringer – Nós temos AGUAPAN
de Guaçui, AMAR CAPARAÓ, Aguapa de Guaçui,
e Amigos do Caparaó de Alegre, Acapa de Alegre, Geac
de Alegre, Apa de Dores do Rio Preto, Apartu de Dores, Dematur
de Dores, Aprog de Dores do Rio Preto, Mac de Ibitirama, Voldema
de Ibitirama, Geac de Ibatiba, a Academa de São José
do Calçado que faz parte, e ta precisando de dar uma
injeção de ânimo, eu não tenho como
me lembrar de todas. E nós temos parcerias também,
como Secretaria de Meio Ambiente de Estado, Secretaria de Turismo,
Secretaria de Cultura, Centro Universitário do CAUFES,
em Alegre, a Escola Agrotécnica Federal, também
de Alegre, e muitos outros .
O
Broinha – Dalva fica o espaço
aberto aqui pra você fazer as suas colocações
da maneira que você achar necessária, o broinha
está aberto pra você.
Dalva Ringer – Eu gostaria de agradecer
e convocar a população, não só os
fieis internautas que visitam o site do broinha, o site broinha
é muito cultural, super interessante, e deixar a mensagem
pra que as pessoas visitem a região, apóiem as
iniciativas da região, porque nós estamos trabalhando
pra ser a primeira região ecológica modelo do
Espírito Santo e nós queremos ser exemplo à
nível nacional e até mesmo a nível internacional.
O
Broinha –Dalva só a título
de curiosidade, você está falando que Apiacá
e Bom Jesus do Norte estão querendo participar, existe
uma regra pra você fazer parte do Consórcio?
Dalva Ringer – o primeiro critério
é o de estar imbuído nesse espírito de
ser consorciado e estar participando e estar contribuindo em
todos os sentidos, o segundo critério é lê
estar dentro da área das bacias hidrográficas
que nascem no Parque Nacional do Caparaó, no caso de
Apiacá e de Bom Jesus do Norte eles até estão,
é o único critério que eles podem estar
baseados em estar entrando é o de estarem na bacia do
Rio Itabapoana que é um rio que nasce na Serra do Caparaó.
Os municípios hoje estão querendo entrar no Consórcio
porque no Consórcio não tem paredão, o
Estado está dividido em 12 Regiões e São
José do Calçado fazia parte da Região de
Cachoeiro, mas nunca participava de nada em Cachoeiro, eu sou
de Cachoeiro, as pessoas já me viram lá em reuniões
brigando contra Cachoeiro, de atrair os municípios pra
lá, pra fazer número e os recursos ficam todos
lá. Caparaó não, Caparaó reúne,
faz. Nós temos reuniões permanentemente, dia 27
agora nós temos reunião pra reformular nosso programa
de educação ambiental, com dois Secretários
de Educação da Região, e na hora de fazer
é cada vez em um município. E se nós temos
recursos é também porque nós nos reunimos
e decidimos pra onde vai e porque que vai? qual município
que vai receber? Mas por quê que ele vai receber? Ele
tem essa potencialidade? Ele tem como desenvolver isso? Nós
também não vamos botar recursos num município
pra jogar dinheiro no lixo e nós temos um conselho de
60 pessoas da sociedade civil organizada junto com Prefeituras
e tudo mais,que fiscaliza a aplicação desses recursos.
Nós temos as oficinas, inclusive agora em outubro nós
temos uma oficina pra fazer isso. São 60 membros, é
um conselhão, que tem assembléia, que tem discussão.
Semana passada na reunião do Conselho, discutiu a utilização
de um caminhão para Muniz Freire que era pra ser usado
para carregar alevinos e foi utilizado pra carregar a mudança
de uma pessoa do Rio de Janeiro pra cá. Desculpe a expressão
mas o pau quebrou, se tiver a segunda nós tomamos o carro,
pois o carro está na Prefeitura à serviço
da Agricultura Familiar e para quele Projeto. Ele não
pode prestar serviço à particulares. Então
existe um conselho, por isso que o Consórcio hoje ele
tem essa credibilidade, porque nós trabalhamos com coisa
séria, nossos Projetos são super enxutos, todos
os Projetos nós trabalhamos com os preços mais
mínimos possíveis e a concorrência ela é
livre e justa, nós capacitamos nós contratamos
por competência e por qualidade de serviço e não
por indicação, nós não aceitamos
indicação política dentro das coisas que
nós fazemos, embora nós temos os Prefeitos que
fazem parte de um Conselho político, mas eles respeitam
porque eles sabem que é dessa forma que as coisas estão
andando, o dia em que tiver interferência política
dentro do Consórcio aí nós podemos acabar
com o Consórcio.
O
Broinha –Como é a formação
desse Conselho?
Dalva Ringer – Esse Conselho é
formado por representantes da sociedade civil, representantes
do conselho municipal de desenvolvimento rural sustentável,
INCAPER, os educadores ambientais, um representante da Prefeitura,
e um representante das ONG´s, então são
seis, então tem muito mais a sociedade civil do que o
poder público no Conselho. O Consórcio também
tem duas vagas no Conselho, o próprio Consórcio.
O
Broinha – Obrigado Dalva
Dalva Ringer – De nada eu é que
agradeço aí a oportunidade de estarem cedendo
espaço do site do broinha pra estar colocando a Mostra
aí, mostrando o que a região tem.