E N T R E V I S T A
Elcenyr Tatagiba Cordeiro: Diretor administrativo da ONG Amigos

 

O nosso entrevistado é o diretor admiinstrativo da ONG Amigos, Elcenyr Tatagiba Cordeiro. Nesta entrevista, Elcenyr fala aos nossos leitores das ações e dos projetos da ONG nestes quase dois anos de sua criação.

O broinha: Ao iniciar esta entrevista, gostaria que você fizesse um histórico da ONG Amigos.
Elcenyr: Para atender aos anseios de um grupo de calçadenses que sempre discutiam os problemas de Calçado e as suas possíveis soluções, surgiu a idéia de se criar uma ONG para ajudar a cidade. Em agosto de 2003 ela foi criada. Fizemos a reunião de fundação, houve a participação de muitas pessoas e a filiação dos chamados sócios fundadores, que foram 52. No estatuto da ONG colocamos um dispositivo para permitir àqueles que não puderam participar desta assembléia, se associassem em Calçado, onde foi feito uma nova assembléia em novembro, e mais 37 pessoas se associaram.. Mais tarde fizemos uma nova filiação, na festa do município, e mais 18 associações foram feitas. Hoje a ONG conta com 89 sócios fundadores e 18 sócios efetivos.

O broinha: A ONG já é uma entidade jurídica?
Elcenyr: A ONG já está juridicamente regularizada, dentro do que a legislação exige. Tivemos o cuidado de fazer isto através de uma assessoria jurídica e técnica, o Dr. Marcelo Pimentel nos ajudou na parte legal e o Enéias Diniz nos ajudou, e continua nos ajudando nas questões contábeis.

O broinha: Neste período, que ações da ONG você destacaria?
Elcenyr: Em minha opinião a principal ação da ONG não aparece fisicamente. É o despertar nas pessoas de um sentimento de que somos calçadenses e não podemos deixar que Calçado involua, não acompanhando o progresso. Nesse aspecto temos a certeza absoluta da contribuição de “O broinha”, foi um casamento importante com a ONG, que vem dando resultado e com certeza dará muito mais.
   Em termos de realizações de projetos é necessário o cumprimento de algumas etapas legais, pois para funcionar e pleitear algum tipo de recursos a ONG precisa de um tempo de serviços prestado. Para o reconhecimento municipal é necessário um ano de serviços prestado. Estamos agora solicitando o reconhecimento no município. Já na esfera estadual precisamos de dois anos e na federal três anos. Como só temos um ano e meio de entidade jurídica ainda não temos o reconhecimento destas outras esferas.

O broinha: E a atuação junto a sociedade, o que você destacaria?
Elcenyr: Apesar de pouco tempo já podemos listar algumas de nossas ações: 1) A participação na área de artesanatos, quando patrocinamos um artesão de Calçado para participar da feira internacional de artesãos em Curitiba. 2) A participação do lançamento do livro de escritores calçadenses, que foi uma coisa espetacular. A ONG patrocinou o projeto adquirindo livros e distribuindo para as Bibliotecas das escolas do município.3) Promoveu uma campanha para adquirir livros para biblioteca pública de Calçado. Aqui eu gostaria de colocar um parênteses. É preciso que as pessoas em Calçado fiquem mais atentas, levamos uma quantidade de livros para lá no mês de maio passado e foi difícil conseguir que alguém levasse estes livros para a Biblioteca, tivemos que insistir muito, mas já está sendo resolvido.


O broinha: Há outras ações que você gostaria de destacar?
Elcenyr: Sim, já está em andamento um projeto de concurso junto a rede municipal de ensino, sobre organizações governamentais. Este projeto é importante no sentido de dar visibilidade para a ONG como também informar as nossas crianças que existem estes organismo que podem ajudar a resolver muitos problemas da comunidade, e que a participação de todos é fundamental.
   Outro concurso que estamos organizando é sobre geração emprego e rendas, especifico para os alunos do segundo grau da rede estadual. A idéia é escolher projetos para serem patrocinados futuramente pela ONG .
   Não podemos deixar de destacar outro projeto importante que é o de inclusão digital, que desde a fundação da ONG já vinha sendo sugerido pelo Gilberto. Este projeto já foi implantado com a participação da ONG, fundação Banco do Brasil e prefeitura municipal. Criamos duas escolas de informática, uma em Palmital e outra no Jacá. Estamos trabalhando junto a prefeitura para viabilizar o pessoal que irá trabalhar nos laboratórios. Fazendo aqui um esclarecimento. São Benedito não foi contemplado no projeto inicial porque fomos informados que o distrito já havia conseguido, através do governo do estado, o seu laboratório. Infelizmente ficamos sabendo que o problema não foi resolvido, estamos preocupados com isto, estudando uma forma de também atender São Benedito.

O broinha: Sabemos que montar a estrutura física não é tão difícil, o problema é fazer com que as coisas funcionem, como se dará este acompanhamento?
Elcenyr: Estamos preocupados com isto, realmente temos uma dificuldade, pois estamos aqui em Vitória. Recentemente, o Francisco (presidente da ONG) esteve em Calçado conversando com a prefeitura. A prefeitura, através do prefeito e da secretária de educação, se responsabilizou com o fornecimento do material e a contratação das pessoas que irão se responsabilizar pelo funcionamento. Também temos voluntários, que moram em Palmital e no Jacá, que já se dispuseram a ajudar e serão treinados para esta tarefa. Estamos sempre preocupados em ter alguém de Calçado que acompanhe as ações da ONG, felizmente, recentemente conseguimos que o João Anésio seja este interlocutor .

O broinha: Nos parece que é mais difícil conseguir pessoas para participar da ONG em Calçado do que fora de lá. É verdade isto?
Elcenyr: Infelizmente é verdade. Eu tenho dados aqui levantados que gostaríamos que não fossem assim. Dos 89 sócios fundadores e dos 18 sócios efetivos, somente 16 moram em Calçado, o que demonstra a dificuldade que temos.


O broinha:Outro assunto que gostaríamos de abordar, é sobre a Escola Família Agrícola. Como estão as negociações a respeito deste assunto?
Elcenyr:Antes de falar de escola agrícola, me veio uma lembrança que não podemos deixar de destacar. Um outro projeto que foi administrado pela ONG juntamente com a Fundação do Banco do Brasil, através do seu vice presidente Adézio Lima, que tem sido nosso grande parceiro, foi a compra de um trator com todos os acessórios necessários para a associação dos pequenos agricultores de Calçado.
   Voltando a Escola Agrícola. Esta idéia surgiu de um interesse inicial da professora Alacyr da Faculdade Saberes. Através de pesquisas na área de educação ela tomou conhecimento de um programa de ensino que se chama pedagogia da alternância, uma experiência desenvolvida na França. Aqui no Brasil e especificamente no Espírito Santo, tem um grupo que trabalha com esta pedagogia, o MEPES (Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo). O MEPES administra 14 Escolas Famílias Agrícolas no Espírito Santo. O projeto é voltado para os filhos de pequenos agricultores do município onde a escola atua. É importante ressaltar que o objetivo do projeto é formar os filhos dos agricultores para que permaneçam na terra e não necessitem buscar o seu sustento em outros locais.