Por Sérgio de Oliveira
Nascida
a 25 de janeiro de 1975, em Espera Feliz - MG, a simpática
e comediante professora de informática Fabiana Salles
Schwenck, nos presenteia com uma entrevista. Há alguns
anos residindo em nossa cidade entre montanhas e flores (com
este lema Calçado deveria ter só ursos e jardineiros),
a popular Bya nos fala um pouco de sua vida e experiência
na área de informática.
Serginho
–
Fale um pouco de sua meninice e cite algo que a marcou?
Fabiana
–
Fui uma criança tranqüila, mas me sentia muito só
por não ter um irmão para brincar, minha mãe
não gostava que eu saísse pra brincar na casa
de outras crianças por achar que iria incomodar, então
resolvi dar o meu jeitinho, comecei a fugir, morava na beira
de um rio que estava sendo dragado e saía pelas beiradas
do rio correndo o maior perigo e havia também uma pinguela
pela qual eu passava a fim de ir para o outro lado. Um dia saí
e ao atravessar a pinguela meus pais me avistaram da janela
de casa, meu pai quis gritar, mas minha mãe achou melhor
não, pois eu poderia me assustar e cair no rio, quando
terminei de atravessar meu pai foi atrás de mim. Ao chegar
em casa me deu um tapa, nunca mais fugi. Vivia pedindo a minha
mãe que me desse um irmãozinho pra brincar e então
ela resolveu, e aos 4 anos tive o tão sonhado irmãozinho.
Serginho
–
Antes de ser professora de computação, tinha
um outro ideal a seguir? Desejava cursar um outro curso?
Fabiana
– Na
verdade o meu ideal sempre foi trabalhar com papéis,
(ter uma sala onde eu pudesse fazer o meu trabalho, eu e os
papéis), cheguei a fazer um curso de Técnico em
Contabilidade, trabalhei durante um tempo nessa área,
mas por insistência de minha mãe cursei o Magistério.
Não conseguia me ver dando aula, pois sou tímida,
mas a vida nos ensina tantas coisas... Hoje, digo sem medo de
errar que é necessário ouvir nossos pais, por
mim não teria feito o Magistério, e sem este curso
não poderia ocupar o cargo para o qual me designaram.
Valeu a insistência e o incentivo maternal. Apesar do
desinteresse pela profissão inicialmente, hoje tenho
prazer em dar aulas e me sinto realizada ao ver os alunos aprendendo
cada detalhe.
Serginho
–
Como você define a computação?
Fabiana
–Algo
imprescindível em nossos dias. Há quem diga que
atualmente “analfabetos não são aqueles
que não sabem ler, mas aqueles que não sabem operar
um computador”. É uma necessidade real para todas
as idades, mas principalmente para os jovens, pois hoje, nos
concursos, por mais simples que seja o cargo, requer a informática.
A informatização avança a passos largos.
Costumo dizer que a informação que temos é
que o desemprego é devido à tecnologia, as pessoas
têm perdido a oportunidade de trabalhar, pois uma só
máquina faz o trabalho de vários homens. Na verdade,
penso que a evolução das máquinas tem os
dois lados e que a culpa está nas pessoas não
se qualificarem, porque estas mesmas máquinas precisam
de profissionais que tenham o devido conhecimento para que as
montem, vendam, operem, consertem, e o que falta é dedicação,
pois empregos como estes tem sobrado no mercado de trabalho
por não ter pessoas preparadas para tais serviços.
“A hora é essa, vamos nos preparar”
Serginho
–O
que você acha da linguagem usada para se comunicar através
do MSN. É um caminho para se habituar a escrever errado?
Fabiana
–Com
certeza, é um verdadeiro assassinato da língua
portuguesa. Acredito que seja mais uma etapa onde a humanidade
caminha para minimizar as palavras, vou dar um exemplo: como
sabemos no início era usado para VOCÊ “vossa
mercê”, depois passou-se a falar “vosmicê”,
encurtou-se para “você”, ultimamente era “cê”
e agora no MSN usa-se “vc”, entre outras palavras
que diminuíram. A modernidade e a escassez do tempo acabam
trazendo estes vícios, parece que os dias passam rapidamente
e as horas são tão velozes, e há tantas
coisas para se fazer e as pessoas se tornam impacientes por
ter que resolver várias coisas ao mesmo tempo e acabam
usando meios como este para se comunicarem com mais rapidez.
Mas não podemos negar que esse vício trará
como conseqüência o uso de palavras erradas em textos
e documentos, pois habitua-se a escrever errado e abreviar palavras
e daqui a pouco não se sabe como escrever as palavras
corretamente.
“O uso do cachimbo deixa a boca torta”
Serginho
–
Há pessoas que pensam que o computador traduz tudo
ao pé-da-letra (só se for pé de porco).
Como você explica essa ilusão?
Fabiana
–
É comum as pessoas dizerem que o computador faz tudo
sozinho. Isso não é verdade, é uma máquina
com muitos recursos, mas é preciso saber operá-la,
em alguns casos, se o usuário tiver uma noção
ele consegue até aprender algo nele por conta própria,
pois o computador dá algumas dicas, mas é preciso
um conhecimento básico e muito raciocínio. O computador
apesar de agilizar o trabalho requer da pessoa que o utiliza
a dedicação em atenção e raciocínio,
pois com o erro de um detalhe ele recusa-se a executar o trabalho,
é como na matemática, é preciso “pensar”
e encontrar a solução. Concluindo, ele não
faz tudo sozinho, é uma parceria, uma interatividade
onde ele oferece os seus serviços através dos
recursos disponíveis e o usuário se dispõe
a descobrir as regras.
Serginho
–
Qual é o lado bom e o lado ruim da internet?
Fabiana
–
A internet é um acesso ao mundo, como o mundo que nos
cerca tem coisas fascinantes e outras chocantes, a internet
como um instrumento que nos liga ao mundo também nos
fornece o que há de bom e de ruim.
A internet é uma ligação direta com as
informações mais recentes do mundo inteiro, traz
facilidades na compra de qualquer produto, através dela
é possível visitar lugares lindíssimos
os quais nunca poderíamos ir, é possível
se estudar à distância, torna a comunicação
com pessoas ou estabelecimentos que se encontram em âmbito
nacional e internacional mais simples e rápida.
O lado ruim é que as pessoas com intenções
distorcidas também são usuárias da internet
e fazem dela uma ferramenta para propagar suas idéias
maléficas, explorando sexo, drogas, prostituição,
roubos a contas de pessoas que acessam a internet para movimentar
suas contas e ainda enviando vírus, trazendo assim a
destruição de arquivos importantes que as pessoas
de bem têm em seus computadores.
Serginho
–
Muitos jovens mesmo tendo um sistema de internet em casa,
preferem pesquisar em bibliotecas. O que você acha disso?
Fabiana
–
Falta preparo, como já disse o computador dá uma
ajuda, mas não faz tudo sozinho, não conseguimos
comparar a praticidade de uma pesquisa na internet e outra na
biblioteca, é bom mencionar alguns fatores como: a atualização
de dados, o tempo gasto, entre outros. Acho que as bibliotecas
são ambientes muito importantes por conterem obras que
ainda não se é possível encontrar na internet,
mas também precisamos nos preparar para andarmos lado
a lado com a tecnologia, não tem como fugir dessa realidade.
Serginho
–
A internet a deixa estressada?
Fabiana
–Não
diria que a internet, mas o computador às vezes me deixa
sim, principalmente quando estou com pressa e ele trava ou quando
a internet cai em meio a um acesso importante, mas tudo isso
é aceitável, afinal é uma máquina,
nem nós somos perfeitos.
Serginho
–
Qual o perigo real que alguns sites podem oferecer?
Fabiana
–
Há sites que exibem “dribles” (músicas,
jogos, mensagens, fotos, etc) que na verdade são portas
para a entrada vírus que detonam os arquivos do computador
de quem os acessa, como eu já mencionei ainda tem o perigo
de desvios de dinheiro em contas bancárias – um
bom truque para as pessoas que consultam suas contas pela internet
é digitar a senha errada na primeira vez que acessa porque
se for um site clonado o autor pegará a senha errada
e não terá acesso as movimentações
e o cliente saberá que se trata de uma armadilha, pois
se for o site certo ele não aceitará os dígitos
errados – e ainda há os problemas de ameaças
de pessoas que se comunicam pelo bate-papo, tem também
a prostituição de menores e o problema da pedofilia
que tem assustado muitos pais e outros problemas podem ser identificados.
Porém não podemos ter essa neurose, é possível
acessar a internet e tirar dela tudo o que é bom, basta
querer e saber como explorar.
Serginho
–Qual
conselho você daria àqueles que estão começando
a navegar (não são os marinheiros da poesia do
Pablo Neruda) na internet?
Fabiana
–
Procurem acessar sites que tragam informações,
entretenimento, conhecimento, façam cursos, conversem
com pessoas conhecidas no bate-papo, não dêem as
informações exatas sobre vocês, não
forneçam número do CPF, endereço, nome
verdadeiro, fotos a estranhos. Divirtam-se com segurança,
conversem, mandem mensagens, cartões virtuais, mas não
se deixem levar por um bom papo, uma boa conversa, sejam conscientes.
Tenham interesse por conhecimento, este é o que ninguém
pode roubar de nós.
E deliciem-se descobrindo os mistérios do mundo que está
a seu alcance.
Serginho
–O
que você acha do site “O Broinha”. Dê
a sua sugestão.
Fabiana
–É
um site de extrema importância para o município,
é dinâmico, e traz informações diversas
da história do povo calçadense, acho muito plausível
a idéia de pessoas que projetaram e concluíram
o site se tornando uma realidade na vida de cada pessoa que
reside aqui ou que não está mais aqui, mas que
ama a cidade entre montanhas e flores. Pra falar a verdade eu
fico impressionada com a quantidade de pessoas ilustres e inteligentes
que fizeram história aqui ou que são filhos de
Calçado, apesar da precariedade que assola o município
podemos destacar muitas pessoas cultas e inteligentes. Preciso
citar algumas: Sr. Epaminondas e sua amável esposa Ivonilde
que recebe a todos com um sorriso, Edson Lobo, Dolores e algumas
outras celebridades que não perdem o seu prestígio
pelo fato de não serem por mim mencionados, mas é
que, não me lembro de todos. Estes também desempenham
um papel fantástico na cultura atual de Calçado,
e não poderia me esquecer do idealizador deste site,
Oscar, que torna acessível a todas as pessoas esta realidade
inegável de cultura e requinte desta cidade acolhedora,
que traz saudades àqueles que se foram daqui e que acolhe
e refugia as pessoas que aqui chegam como eu, com o carisma
das pessoas que sabem valorizar uma amizade.
Serginho
–
Fale de minha pessoa e sobre minha coluna (não é
hérnia de disco).
Fabiana
–
Há pessoas especiais que se tornam difíceis de
definir, Deus em sua infinita grandeza nos projeta e nos faz
conhecer quando ainda somos substância informe (Salmo
139.16), cada pessoa é única com seus sentimentos
e emoções. Você é uma pessoa que
Deus inventou e toda invenção de Deus é
extraordinária. Quanto à sua coluna, acho interessante
os assuntos que nela são tratados, são matérias
com caráter jovial e que com certeza entusiasma a galerinha
calçadense com as notícias deste jardim (Calçado).
Serginho
–
Deixe uma mensagem para aqueles que acessam “O Broinha”.
Fabiana
–
Gostaria de deixar uma reflexão:
“Um
certo senhor, acompanhado por sua filhinha, ia subir uma montanha
muito alta. Sugeriu que a menina fosse na frente e ele atrás.
Ela começou a subida com muito entusiasmo, pois queria
mostrar ao pai como era forte e capaz. O caminho, porém,
tornava-se cada vez mais íngreme e difícil e a
menina por isso, caía de vez em quando, mas porque era
corajosa, levantava-se e punha-se novamente a subir. Os espinhos
lhe rasgavam a roupa e as carnes, mas mesmo assim, continuava
a subir. Finalmente não pôde subir mais e levou
um tombo cruel. Então chorando se virou para o pai. Ele
a tomou nos braços e a levou assim até o cume.
Ele não esperava que ela subisse sozinha. Deus não
quer que subamos a montanha da vida a sós. Toda a nossa
experiência nos ensina que temos um grande amigo invisível,
mas muito real, que espera o momento em que nós, cônscios
da nossa fraqueza, nos voltemos para Ele, em busca da proteção
e auxílio que Ele nos quer dar.”