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Entrevista com José Antônio Pimentel



A entrevista de hoje, nas vésperas do carnaval, é com um dos broinhas que mais incentivaram e incentivam o carnaval em Calçado. Estamos falando do José Antônio Pimentel, que desde muito jovem sempre esteve presente nas festividades de Momo. Nesta entrevista, José Antônio nos fala dos velhos carnavais, da criação do "nóis num liga" e de muitos outros assuntos ligados ao carnaval de nossa terra.

O broinha: José Antônio ,você é uma pessoa que sempre participou das festas e carnavais em Calçado. Tem um depoimento da Zarife onde ela diz que você participa do carnaval, desde da pré-adolescencia, quando ajudou a promover um carnaval lá na Máquina do Zé Vieira. Quando começou este seu lado festeiro?
José Antônio: Tudo começou com meu pai, lá em casa, eu e meus quatro irmãos vivenciavamos, nas épocas dos carnavais, a minha mãe preparando o meu pai para ser Rei Momo. A partir daí fui incorporando este espírito festeiro, até que no carnaval de 64, quando ainda não havia clube em Calçado e o Montanha estava em construção, ajudei a fazer um carnaval lá na máquina do Zé Vieira. Neste época estava doido para participar, mas tinha apenas 13 anos e não podia entrar no carnaval. A forma encontrada para que eu participasse foi trabalhar como garçom.
Com o surgimento do Montanha, participei na época do Epaminondas, Tunico, Zarife ,entre outros, de todos os carnavais .

O broinha: Em sua opinião quais foram os momentos áureos do Carnaval em Calçado?
José Antônio: Eu ainda não participava antes do Montanha, participei somente daquele na máquina do Zé Vieira. O carnaval de Calçado sempre teve muita tradição em Calçado, principalmente devido a família Sá Viana, formada por grandes músicos, o que ajudava a promover os carnavais. Considero o período áureo do carnaval, a década de 70 e início dos anos 80, quando surgiram os blocos: Solidão, Marinheiro, Gaviões e o das Charmosas, formado por senhoras da terceira idade, que não concorriam ao título de melhor bloco, estavam lá somente para animar. Nesta época eu contava os dias para chegar o carnaval. Havia uma grande identidade entre os calçadenses ausentes e aqueles que moravam na cidade. Realmente este foi um período inesquecível.

O broinha: Porque estes carnavais foram acabando?
José Antônio: Não aconteceu só em Calçado, aconteceu em toda a nossa região. Antes a dificuldade para se locomover e sair de Calçado era muito grande. Com o asfaltamento das estradas os balneareos ficaram mais perto e as pessoas começaram a se deslocar para os carnavais de praia.
Outra questão era a dificuldade em contratar as orquestras, ficava muito caro. Enquanto os Sá Viana estavam presente, principalmente o Sr. Antônio Sá Viana, que merece ser reverenciado pelo povo calaçadense, pois é um dos maiores responsáveis pelo sucesso dos carnavais da época, tudo era mais fácil.

O broinha: Você acha possível que o carnaval em Calçado volte aos bons tempos?
José Antônio: Só se for em outro modelo, este que estamos fazendo atualmente, o carnaval de rua, as escolas de samba, os blocos etc. O carnaval de clube não volta mais.

O broinha: O que fazer para que isto aconteça?
José Antônio: O poder público, junto com a comunidade tem que incentivar e dar valor as pessoas que fazem o carnaval em Calçado. Agora mesmo está surgindo um novo bloco, quem tiver condições de ajudar financeiramente deve fazê-lo. Todos tem que se unir e fazer com que a juventude fique em Calçado, pois é ela que leva as pessoas de fora para lá.

 

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