O
nosso entrevistado de hoje é Francisco Carlos Dias Ferreira.
Francisco é filho do Sr Francisco Dias Ferreira (Chico
do Alípio) e de dona Irene Tatagiba Ferreira, é
casado com a Sra Alba Maria Cunha Ferreira e tem três
filhos Gianfram que é Veterinário, Patrick que
é Dentista e Tiago que é Advogado. Após
se aposentar com funcionário do Banco do Brasil, Francisco
vem dedicando o seu tempo em devolver a Calçado aquilo
que a cidade tão generosamente lhe deu. Hoje na direção
da ONG AMIGOS ele está trabalhado no sentido unir a comunidade
calçadense em torno de um objetivo que é o de
levar o desenvolvimento para o município.
Nesta entrevista ele fala para os nossos leitores
como está e o que esta fazendo a ONG, perto de completar
um ano de existência.
O
broinha:
Francisco, a ONG AMIGOS está por completar um ano de
existência. Você poderia dizer para os nossos leitores
o que foi feito neste período?
Francisco: Este ano
foi de estruturar, as ações foram no sentido de
legalizar a ONG . Hoje ela já está registrada
sem nenhum problema. A ONG para operar recursos tem que ser
reconhecida em três esferas: municipal, estadual e federal.
No primeiro ano ela é reconhecida no esfera municipal,
no segundo na esfera estadual e no terceiro na esfera federal.
Só a partir destes três reconhecimentos poderá
atuar em grandes projetos. Mesmo nesta fase de estruturação
não ficamos parado, temos procurado ouvir a comunidade
calçadense. A diretoria tem ido a calçado conversar
com as pessoas. É importante dizer que não esperem
da ONG coisas grandiosas, por enquanto, pois também estamos
aprendendo.
O
broinha:
Quantos sócios a ONG tem hoje?
Francisco: No lançamento
da ONG em Vitória tivemos 51 sócios fundadores
e no lançamento em Calçado chegamos a 97 sócios.
Estamos considerando 91 sócios tendo em vista que 6 ainda
não fizeram o pagamento da anuidade.
O
broinha:
Francisco, depois da criação da ONG e do site
O Broinha, notamos que despertou uma motivação
nos calçadenses, principalmente os ausentes, em relação
à cidade. Na sua opinião o que deve ser feito
para que esta motivação não seja perdida
e se transforme em ações concretas voltadas para
o desenvolvimento do município?
Francisco: Eu penso
que nós, a ONG o site "O broinha", que foi
o primeiro a levantar esse sentido de união, os escritos
de A ORDEM, trouxeram o passado para o presente de Calçado.
Nós calçadenses ausentes e os que vivem na cidade
temos que praticar ações que possam transformar
em realidade aquilo que a gente pensa. Encontros, criar e realizar
projetos são fundamentais para manter acesa esta chama.
Essa responsabilidade não é só da ONG,
é de todos. O movimento do ano passado foi muito bonito,
só se ouviu falar de Calçado. Notamos agora que
a coisa está meio devagar, aquele pavio, aquela chama
inicial começa a arrefecer. Penso que cabe a nós,
como disse em Calçado, calçadenses que de certa
forma tiveram algum sucesso, retornarmos para Calçado
alguma coisa daquilo que tenhamos conseguido na vida.
O
broinha:
Após este primeiro ano de estruturação
da ONG, você já pode anunciar para os nossos leitores
algum projeto que já esteja em andamento?
Francisco:
A grande dificuldade que tivemos é que não conseguimos
envolver efetivamente a população calçadense
ou mesmos os ausentes neste projeto. O projeto não é
de uma duas ou três pessoas, assim como o site O broinha
é um projeto de muita gente, todos tem que se envolver.
A respeito de projetos concretos, já
tem alguma coisa.
-
Enviamos recentemente um projeto para o Banco do Brasil objetivando
a criação de telecentros nos distritos de São
Benedito, Airituba e Divino Espírito Santo (Jacá).
- Estivemos em Calçado conversando
com a secretária de educação que nos enviou
um carta solicitando que a ONG contribua com livros para a biblioteca
de Calçado. Logo estaremos colocando no site O broinha
e enviando cartas aos nossos sócios solicitando que doem
livros para a biblioteca.
- Compramos 50 livros de crônicas, que
está sendo organizado pelo Pedro Teixeira, como uma maneira
de ajudar a cultura calçadense.
- Está em estudo a solicitação
da Josana (do SEBRAE) para criarmos a casa do artesão
de Calçado.
- Estamos patrocinando em parceria com a prefeitura,
o envio de um artesão de Calçado para participar
do encontro internacional de artesões em Curitiba.
Outra solicitação que recebemos,
e que estamos em estudo de como viabilizar, é um pedido
para compra de uniformes para a Banda Marcial do Colégio
de Calçado.
O
broinha:
De que forma se dará a escolha dos projetos a serem
executado?
Francisco:É
pensamento comum da diretoria da ONG que atuemos atendendo as
reivindicações da comunidade. As demandas tem
que vir de Calçado para a ONG e não da ONG para
Calçado. Eu fiquei fora do Espírito Santo por
21 anos, então quem sou eu para dizer o que Calçado
precisa. Uma coisa para mim é fundamental, os projetos
para serem implementados devem gerar renda, o social é
importante pois aproxima as pessoas mas o importante para Calçado
são os projetos que gerem renda para a comunidade.
O
broinha:
Quem formulará os projetos e como conseguir recursos
para a execução dos mesmos?
Francisco: Uma das
grandes dificuldades que a ONG enfrenta é encontrar profissionais
que estejam habituadas a fazer projetos. As fontes de recursos
existem, temos condições de procurar recursos
privados, federais e de ONG's que patrocinam outras ONG's. A
dificuldade mesmo é de como fazer os projetos. Agora
mesmo estamos enviando cartas aos nossos associados, solicitando
para que aqueles, ou mesmo seus familiares, que estejam habituados
em confecções de projetos que entre em contacto
com a ONG.
O
broinha:
No seu discurso de lançamento da ONG em Calçado,
você disse que somos anjos de uma asa só e somente
abraçados podemos voar. Você acha que a comunidade
calçadense irá realmente abraçar a idéia
da ONG ou ela corre o risco de ser somente um movimento social,
sem trazer benefícios econômicos para o município?
Francisco: O risco
sempre existe, pois é muito mais fácil de fazer.
Se isso acontecer acho que todos nós que participamos
da ONG nos sentiremos frustrados, pois o nosso objetivo é
o de sempre procurar desenvolver projetos que gerem renda e
que una a comunidade calçadense em busca de sua própria
vida. Calçado é uma cidade pobre e sua população
precisa entender que tem condições de melhorar
o seu padrão de vida, bastando que acredite em si mesma
e participe.
O
broinha:
Francisco, a ONG não pode ser usada eleitoralmente
por algum candidato? Como ela deve se posicionar no processo
eleitoral em Calçado, para que as pessoas entendam que
a ONG é uma sociedade que não se envolve em política
partidária?
Francisco: Nas minhas
palavras, quando do lançamento da ONG em Calçado,
fui bem claro quando disse que o nosso objetivo é que
a ONG seja uma sociedade a-política. Calçado é
um município onde a prefeitura é o grande empregador
e o grande financiador, nós temos que nos juntar a ela
para executarmos os projetos.
A respeito da eleições em Calçado,
tenho um sonho na minha pouca vida participativa em Calçado,
é que o município se junte em torno de si mesmo,
pois a divisão política não leva a nada.
Quem é Calçado? Uma cidade pequena e pobre e ao
se dividir politicamente não traz benefícios para
a cidade.
O
broinha:
E o poder publico, qual será o seu papel junto a ONG?
Francisco: Temos
que ter consciência que em cidades pequenas como Calçado,
você não pode fazer nada sem a participação
do poder publico, pois em quase tudo que se faz na cidade poder
publico atua. A ONG nuca irá se omitir da ação
política. Se entramos no jogo de não dependermos
do poder publico e que não vamos trabalhar junto à
prefeitura para não dizerem que somos "casados"
com a prefeitura, estamos agindo numa atitude discriminatória.
O
broinha:Para
encerrar, gostaríamos de agradecer a sua atenção
e pedir que deixasse uma mensagem para o povo calçadense?
Francisco: Vou repetir
aquilo que já disse: somos anjos de uma asa só
e somente abraçados podemos voar. Não
serão duas ou três pessoas que farão alguma
coisa, só termos êxito se houver uma perfeita confiança
entre os calçadenses ausentes e a comunidade local. Os
nossos objetivos só serão alcançados se
todos estiverem imbuídos de um mesmo sentimento, que
é o de trazer benefícios para o Município.