E N T R E V I S T A
Vinícius de Sá Viana Pimentel - Vereador no município de S.J. do Calçado




O nosso entrevistado é o vereador Vinícius de Sá Viana Pimentel. Ele faz parte de uma nova geração de políticos calçadenses, e, nesta entrevista, fala aos nossos leitores dos grandes desafios a serem enfrentados na busca de soluções para problemas que afligem o nosso município.

O broinha: Vereador, antes de iniciarmos a nossa entrevista, gostaríamos que o Sr. falasse um pouco sobre você e sobre sua carreira política, para que os nossos leitores possam conhecê-lo um pouco mais.

Vinícius Pimentel: Bom, primeiramente gostaria de agradecer a vocês do site “Broinha” pela oportunidade ora concedida, pois julgo importante a relação cada vez mais estreita entre o representante e o cidadão, uma vez que este é o potencial detentor do direito de cobrar daquele o efetivo cumprimento dos desígnios que lhe foram outorgados nas eleições.

Nasci em 04/04/1982, nesta cidade a qual tenho a honra de representar, tendo, portanto, 23 anos. Além de Vereador, sou também servidor público estadual do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, como Técnico Judiciário I lotado no Juizado Especial Adjunto Criminal da vizinha Comarca de Bom Jesus do Itabapoana. Quanto à política, em verdade sempre gostei de acompanhar a vida política da cidade, mormente quando ingressei-me na Faculdade de Direito, a UNIG, em Itaperuna e comecei a conhecer de modo mais intenso os direitos dos cidadãos. Mas a paixão pela política começou mesmo quando prestei estágio na Defensoria Pública de Calçado (no princípio do ano de 2002 até meados do ano de 2003), quando vi mais de perto que nosso município era por demais carente e que poderia ajudar como político muito mais do que ajudava como estagiário da Drª Lêda, pessoa a quem muito admiro. Minha família sempre teve sangue político e acho que isso também me influenciou. Meus avôs Alair Borges Pimentel e Sizenando Sá Viana foram, respectivamente, Prefeito e Vice-Prefeito (um do outro), meu tio Almir Lopes Pimentel foi Vereador e Presidente da Câmara e meu pai, apesar de até então não ocupar cargo político, sempre era figura presente nas articulações políticas da cidade. Daí comecei a falar nas rodas de amigos, que seria candidato a Vereador, e eles, a princípio, acharam que era apenas brincadeira. Mas não era. Então veio ainda a música do BROZ, “A Prometida”, que tinha um refrão que caía como uma luva para uma música de campanha, foi quando eu pedi ao meu primo Ailsinho que fizesse a letra com base nessa música, apenas pedindo que trocasse, no refrão, o “SIM-SIM-SIM” por “VI-NI-CIM”. Essa música, acredito eu, colaborou muito no sucesso da campanha e hoje estou aqui, realizando um sonho de poder ajudar os munícipes que me elegeram em 03 de outubro.

O broinha: Vereador, o Sr.o faz parte de uma nova geração de políticos calçadenses, e tem como perspectiva um olhar para futuro. Em sua opinião, quais são os grandes desafios a serem vencidos para que o município consiga trilhar o caminho do desenvolvimento?

Vinícius Pimentel: São muitos, e difíceis. Mas não impossíveis. Em primeiro lugar deve haver uma sintonia muito grande entre o Legislativo e o Executivo, o que já vem ocorrendo. Acredito que um governo sério não pode estabelecer prioridades administrativas. Deve procurar, todavia, atender às áreas de atuação (Saúde, Educação, Ação Social etc.) na proporção da necessidade de cada área. No meu entender, o primeiro grande desafio é a Saúde, já que todo pequeno município tem dificuldades em dar adequada Saúde à população e sem Saúde não há Educação, não há Esporte, não há Cultura; enfim, povo doente é povo debilitado, povo infeliz. É triste saber que, enquanto ficamos doentes e temos condições de fazer exames e comprar remédios muitas famílias têm seus filhos e idosos com essa necessidade. Também me preocupo muito com a Ação Social. Nosso município está inserido no rol dos mais pobres do Estado, o que não é difícil constatar no dia-a-dia. Muitas vezes me deparo com pessoas que, LITERALMENTE, NÃO TÊM O QUE COMER EM CASA. É duro, cara, você olhar seu prato no almoço e pensar que pessoas que você vê no dia-a-dia passam fome. Mais duro ainda é saber que, embora possa diminuir o problema, dificilmente podemos acabar com ele. Já no campo da Educação/Cultura, precisamos resgatar nos jovens a dedicação ao estudo e à leitura, com programas que dêem esse suporte, esse incentivo. Queremos que Calçado volte a ser conhecida como a “Terra dos Magistrados”, como outrora o foi. Não menos importante é a área da Agricultura. A base da economia da nossa cidade é a agricultura e, por isso, temos que dar inteiras condições a esses produtores de terem as estradas, meio de escoamento da sua produção, devidamente patroladas e em reais condições de tráfego. Também temos que buscar junto aos demais entes da Federação (Estado e União), bem como grandes patrocinadores, parcerias que visem à implementação de projetos voltados à Agricultura, visando, por exemplo, um maior aproveitamento do solo, como meio de aumentar a produção sem aumentar os gastos. Importante ainda é o fator da geração de empregos. Nosso município infelizmente têm alto índice de desemprego, e talvez aí esteja minha maior frustração até então como Vereador. Coloquei à apreciação do Plenário um Projeto de Lei que autorizava (não concedia por si só, apenas autorizava) o Poder Executivo a conceder incentivos fiscais (ou até isenção) às empresas ou indústrias que empregassem mais de 50 CALÇADENSES ou de 20 a 50 CALÇADENSES, sendo que, nesse último caso, 50% das vagas para JOVENS de até 21 anos. Esse Projeto limitava o tempo de isenção em 10 anos, enfim, tratava a matéria de modo a possibilitar ao Prefeito a “segurar” em nossa cidade, num exemplo clássico de uma empresa enquadrada nos moldes do Projeto, a que fosse oferecido o incentivo de 1% de ISS para sua instalação em Bom Jesus, pudéssemos isentá-la desse imposto por até dez anos e com esse incentivo trazê-la para Calçado. Infelizmente o Projeto foi rejeitado.

Enfim, essas são as áreas que, a meu entender, são as mais necessitadas, mas, como disse acima, todas as demais áreas merecem ser atendidas, na proporção da necessidade do município para cada área.

O broinha: Vereador, nós que não vivemos o dia a dia da cidade, temos a impressão, ao ler no jornal A ORDEM os atos do poder legislativo, que a Câmara de Vereadores de Calçado tem se preocupado muito mais em homenagear e a criar a títulos para serem entregues a vários representantes da sociedade do que realmente cumprir a sua função constitucional. Esta visão está equivoca? Como a atual legislatura tem se relacionado com a comunidade que a elegeu?

Vinícius Pimentel: Na verdade não fazemos as homenagens em detrimento do cumprimento das nossas funções institucionais. Na realidade fazemos tanto um quanto outro. Por outro lado, acho também que hoje São concedidas muitas homenagens, haja vista que atualmente cada Vereador pode conceder 06 (seis) honrarias por ano. Assim, no final de um mandato de quatro anos, a Câmara poderá conceder o total de 216 homenagens. É um número demasiadamente alto, para uma população de pouco mais de 10.000 habitantes, o que, a meu entender, poderá até vir a banalizar essas honrarias. É interessante vocês tocarem nesse assunto das honrarias, uma vez que já tive essa preocupação e por isso já protocolei um Projeto de Resolução limitando a cada Vereador o direito de conceder anualmente apenas 03 das 06 honrarias existentes, o que diminuiria pela metade as homenagens, evitando a referida banalização. Contudo, não houve tempo hábil para que a votação ocorresse antes das concessões para este ano, pelo que, creio eu (e espero), será o citado Projeto de Resolução aprovado até o próximo ano.

Assim, a visão é equívoca no sentido da “preocupação”, que de fato não ocorre. Mas realmente nossas Leis atualmente estão permitindo a concessão de muitas honrarias. E quanto à relação dos Vereadores com a comunidade é boa, pois, apesar de não termos condições de ajudar em tudo o que nos é solicitado, as pessoas têm assistido às Sessões da Câmara e têm visto nossa maneira combativa de lutar pelos seus interesses, os projetos, requerimentos e indicações que fazemos. Isso sem falar no trabalho social que fazemos, que, muito embora não seja função institucional, entendo que devemos fazê-lo não apenas por sermos Vereadores, mas principalmente como seres humanos que somos, pelo amor ao próximo, como nos foi ensinado pelo Nosso Senhor Jesus Cristo.