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Antes de iniciar o episódio que aconteceu há uns 8
anos atrás, quero deixar claro que não tenho nenhum
sentimento racista, tanto que quando estou na nossa cidade e encontro
o Sidronilho, eu pago algumas cervejas para ele e brinco que ele
é meu “SIRIGURANÇA”.
Era um sábado por volta das 20 horas e me aproximei do bar
perto do cinema que era comandado por duas mulheres. Várias
pessoas estavam chegando e diziam que haveria uma noitada com um
conjunto de pagode
que chegaria em breve. Era uma noite de verão com uma lua
cheia e muito bonita. Sentei no lado de fora e pedi uma cerveja.
Passado algum tempo, chega uma kombi com instrumentos e uma meia
dúzia de rapazes de cor negra e de cabelos pintados de amarelo.
Como diria o matuto, chegava a lumiá., quer dizer, reluzir.
Pareciam todos iguais. Deveriam ser parentes próximos. Foram
retirando os instrumentos e colocando lá dentro do bar. Estranhei
que logo começaram a tocar sem ao menos testar a afinação.
A primeira vez na minha vida que eu ouço uma desafinação
tripla. A afinação do cavaquinho estava ruim, bem
como a do violão. O cantor não entendia os instrumentos
de corda e ficava entre um ré maior e um ré menor
(devia ser o ré médio). O rapaz do pandeiro tentava
acompanhar, isto é, perseguir os demais. E foi a noite toda.
Lá pelas tantas, já cansado e com a trompa de Eustáquio
entupida, paguei a conta e fui embora decepcionado e pensando num
trocadilho infame:
Nem tudo que reluz é louro...
Almir
Lobo de Aguiar
Vitória-ES, dezembro de 2005.

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