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O
conquistador da cabana
Sábado
à noite, a caravana parte de Calçado em direção
a Festa de Guaçuí.
Chegando ao destino, o ponto natural de
encontro dos broinhas, como sempre, era a portaria do clube, não
por opção, mas pelo fato de que 99% não tinha
dinheiro para pagar a entrada.
Reunido o conselho, se discutia as mais variadas
formas de se penetrar no baile sem pagar e o interessante é
que os que faziam parte da minoria - os de melhores condições
financeiras - eram solidários com os desafortunados, se
recusavam a pagar.
Naquele ano aprendemos uma nova técnica
com o Lineu Tatagiba que consistia em aproveitar o empurra-empurra
na portaria e ir forçando a entrada de ré, confundindo
totalmente o porteiro, que, coitado, não sabia se o sujeito
estava entrando ou saindo. A "técnica" funcionou
apenas para os mais fortes, tendo sido interrompido o contra-fluxo
com o Caçapa que levou um "chega prá lá"
do porteiro.
Definitivamente fora do clube, o grupo
se dirigiu para o segundo ponto de convergência dos broinhas:
a cabana.
(Para os mais novos, explico que as "cabanas" das festas
do sul capixaba eram frequentadas pelo pessoal do 2° escalão,
3° time, enfim, era o nosso lugar, já que não
tínhamos dinheiro para bancar a entrada nos clubes.)
Arranchados na cabana, uns tomando Fogo
Paulista, outros Porradinha, o Cosminho tomando "rói
os lábios! ( Royal Label Black) e a maioria, encarando
pinga mesmo, em copo duplo, cada um foi se arrumando como pôde
em termos de companhia feminina.
Lá pelas 04:30 da manhã,
o Caçapa, sozinho, avistou uma moça vistosa, morena
clara, debruçada -pensativa - sobre a cerquinha de palha
de coqueiro da entrada da cabana. Dirigiu-se à presa e
com sua vozinha de seda, perguntou:
-"A menina tem namorado?"
- "Não", respondeu abrindo
um sorriso "largo" para o Carlin Caçapa que respondeu
de chofre:
- E nem dente, hein!!
Tiago Vieira

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