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LOIRA E O FAZENDEIRO
Por ocasião da festa de maio,
apareceu em Calçado uma carioca que era a coisa mais linda
do mundo. A moça era tão bonita que os namoradores
da época chegaram a causar tumulto defronte a Barraca de
Chopp do Lauí só para ficarem apreciando a novidade.
Loira, olhos verdes, seios pontiagudos, pele bronzeada, simpática
e puxando o "s". Beleza maior somente quando a broinha
Darlene Glória chegava em Calçado de SP 2 enlouquecendo
a molecada!
Baile de sexta-feira no Montanha!
O frio rachando lá fora, a serração misturada
com a fumaça do churrasquinho do Carlos Xáxá
sufocando a praça e a carioca sapateando sozinha ao som
do conjunto Aeroporto. Ninguém ousou encostar na moça
pois todos se sentiam "menores" diante da abençoada
criatura. Não se arriscaram nem os "top" de linha
Adézio, Zé Aristão, Bastião da Magali,
Cosminho, Almir do Alair, Paulinho Poubel, Juninho da Verconda,
todos sempre bem colocados no ranking dos "dez mais"
de Calçado. Os outros menos cotados, a exemplo do Djalminha,
Toinha, Zeca Lisador, Ferrugem, Rogério Malheiros, Cabiúna,
Pedrinho Melo, Caçapa e Jiló não passavam
nem perto pois poderiam ofuscar a beleza da moça e além
do mais não teriam nenhuma chance.
Final do baile! A carioca sai meio sorumbática, decepcionada
pois dançara a noite toda sozinha sem que nenhum varão
se apresentasse para uma conversa, uma dança ou algo mais,
dirigindo-se para a casa da amiga onde estava hospedada.
Saíram - feios e bonitos
- do baile dançando e dançando se incorporaram a
alvorada capitaneada pelo grande e eterno maestro Aureo Fiori
que vinha desfiando "Cisne Branco" já na altura
da casa do seu Héber, sob os aplausos da Marta e do Zé
Maria Pézão. O Djalminha realizando evoluções
( e chorando!) no meio das fileiras da banda, atrapalhando os
músicos e usando um pão de sal como batuta para
reger a orquestra, tudo sob o olhar complacente e carinhoso do
maestro que os suportou durante todo o sobe-e-desce das ladeiras.
Terminada a alvorada, a turma, ainda querendo festa, resolveu
ir tomar a "saideira" no recém inaugurado Campestre
Clube.Chegando lá foram direto para o cantinho da piscina,
atrás da cerca, local onde quem chega no estacionamento
não consegue visualizar.
Ressaqueados, cansados e até
arrependidos de terem se deslocado até o clube, que fica
na zona rural, distante alguns quilômetros da cidade, estavam
em silêncio quando ouviram o roncar de um motor. Calados
estavam, calados ficaram! Daí em diante ouviram o seguinte
diálogo:
_ Pronto gata, chegamos!
_ Nooossa, como isso aqui é bonito! Bem que voce me falou
que sua fazenda era uma graça! Amei!
_ É sim! Mas dá muito trabalho! Você sabe
como é...esses empregados já não querem mais
trabalhar... só vivem falando em direitos...horas extras...justiça
do trabalho.
_ Ahhhh....Amor, mesmo assim compensa...olha! Tem até campo
de bocha!
_ Mandei construir para os amigos brincarem. Tem ainda o campo
de futebol, sauna, piscina, churrasqueira, salão de jogos.
E aí? Vai tomar alguma coisa? Aceita um tira-gosto?
Após esse breve diálogo, o homem que estava com
a moça bradou com seu vozeirão: _ Ô MACUCO,
EU TROUXE A GATA PARA CONHECER MINHA FAZENDA. ME TRAZ AÍ
UMA CERVEJA GELADA E UM GUARANÁ PRÁ ELA. VÊ
SE TRABALHA DIREITO, HEIN RAPAZ! JÁ TERMINARAM DE TIRAR
O LEITE? COLOCARAM SAL NOS COCHOS?
Malandro antenado e principalmente amigo dos amigos, Macuco, educadamente,
atendeu de pronto as ordens do "doutor" e ainda teceu
comentários - diante da moça, naturalmente - sobre
a bela produção das vacas leiteiras que o "patrão"
tinha adquirido na última exposição de Itaperuna.
Para surpresa geral dos "otários" que se encontravam
estropiados no cantinho da piscina, a gata era a carioca gostosa
que ninguém ousou atacar e o "fazendeiro" era
o lendário e incorrigível Lineu Tatagiba dando ordens
ao "capataz" Macuco, então gerente do Campestre...
O caso é verídico. Mentira é exclusividade
do Lineu.
Thiago
Vieira

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