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Este caso aconteceu em São Benedito,
num butequinho desses que tem dois
vira-latas dormindo na porta, o João, um pequeno sitiante,
está sentado, olhando
para o nada," enchendo a cara".
Aparece
o Nelson, um amigo, e ocorre o seguinte diálogo ( "in
verbis"):
- Jão, por que cê tá aí inchend'a cara
num dia tão bão com'esse?
- Cumpade, tem coisa que num dá pra ispricá...
- Mais que que cunteceu home de tão horríve?
- Bão, se cê quisé memo sabê, eu tava
sentado do ladoda minha vaca, tirano leite. Quando o barde tava
quase cheio ela bateu a pata isquerda no barde e derramô
tudo.
- Puxa que chato, mais e daí?
- Tem coisa que num dá pra ispricá....
- Mais o que que cunteceu home?
- Peguei uma corda e marrei a perna isquerda dela na viga do lado
isquerdo. Aí sentei e continuei ordenhano. Quando o barde
tava quase cheio ela bateu apata direita no barde e derramô
tudo de novo.
- Mais de novo? E aí, que que cê feis?
- Peguei a pata direita dela e marrei na viga do lado direito.
- E daí?
- Sentei atráis e continuei a ordenhar. Quando o barde
tava quase cheio, aquela vaca marvada bateu co rabo no barde e
derramô tudo de novo.
- Puxa, mais que farta de sorte!
- Tem coisa que num dá pra ispricá....
- E aí que que cê feis?
- Bão, eu não tinha mais corda, tirei meu cinto
emarrei o rabo dela na viga de cima. Nessa hora, minha carça
caiu e minha muié chegô ..
- Tem coisa que num dá pra ispricá...
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