Lembranças do Colégio de Calçado


   São José do Calçado, linda cidade, terra abençoada, de um povo culto, simples, generoso e hospitaleiro. É mais do que certo o seu cognome: "Cidade Simpatia Entre Montanhas e Flores". Gosto de lembrar daí, dos tempos de estudante no Colégio de Calçado. Excelentes professores, amigos e empenhados na missão de ensinar, exemplos de dignidade. Exigentes, porém educados e carinhosos. Dona Mercês, professor Lourismário, professor João Carneiro, Dr. Aristides, professor Aderbal ... tantos e tantos outros de saudosas lembranças...

   Recordando a minha turma, éramos treze e tínhamos admiração pelos nossos professores. Eram tão queridos, que num gesto carinhoso, às vezes, repetíamos seus ensinamentos, imitando-os na voz e no gesto, repetindo seus conselhos e advertências. Imitávamos quase todos, mas, na maioria das vezes, era a dona Mercê que, nos seus gestos educados, de sutileza na voz, todos queriam imitar. Certa vez, que susto, fomos surpreendidos por ela numa dessas imitações. Pensam que se zangou com a brincadeira? Que nada, muito risonha e corada, explicou no mesmo tom costumeiro: "Vejo que têm boas máquinas registradoras".

   Guardávamos entre nós um clima de muito companheirismo e era nos intervalos que a gente colocava nossos assuntos e interesses em dia. Sônia, minha sobrinha, procurava muito a companhia da Enói Brasil, que admirava por ser boa aluna de matemática. Eu era mais companheira de Ení Brasil, por quem tinha profunda admiração pela inteligência e competência, alcançando sempre os primeiros lugares nas provas. Ela era também a redatora do jornalzinho do Grêmio, chegando, certa vez, a traçar o meu perfil em uma de suas edições. Bons tempos ... bons tempos aqueles ...

   Assim, mergulhada nas lembranças daqueles anos tão felizes, agradeço a Deus por tudo de bom que aí recebi. Não porque a gente era jovem ou tinha a pujança e a alegria da juventude, mas porque éramos felizes mesmo. Foi um tempo abençoado. É certo que o bom São José, o padroeiro da cidade, estava a me conceder grandes graças. E a força do Divino Espírito Santo, que rege todo o Estado, também estava me abençoando.

   Concluí meu curso de professor no ano de 1949, e no ano seguinte comecei a trabalhar para o Município de Calçado, na Fazenda Bom Jardim, de propriedade do senhor José Mateus, pessoa simples, bondosa e desprendida dos bens da terra. Não posso deixar de agradecer também ao senhor José Vieira de Rezende (Zezé Vieira), então vereador na cidade, que patrocinou o meu Curso Normal no Colégio de Calçado. Rezo sempre por ele, como meu grande benfeitor.

   Agradeço também aos meus familiares, minha irmã Maria da Conceição e José Ramos, meu cunhado, e a seus doze filhos que me receberam em sua casa como um membro da família. Generosos como sempre, dividiam tudo comigo, mesmo nos tempos mais difíceis, como sempre acontece nas famílias numerosas. Obrigada a todos !!!

Terezinha Teixeira de Siqueira Xavier





 

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