|
Dirigente
do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Lincoln Bicalho Roque nasceu
em São José do Calçado, no Espírito
Santo, no dia 25 de maio de 1945, filho de Maria Augusta Bicalho
Roque e José Sarmento Roque.
Cursou
o primário no Grupo Escolar Bodart Júnior de Rio Novo
do Sul e o Ginásio no Colégio Estadual do Espírito
Santo em Vitória, onde tirou primeiro lugar, conseguindo
com isto cursar o segundo grau no Colégio Pedro II no rio
de Janeiro.
Foi aprovado para todas as faculdades de medicina do Estado do rio
de Janeiro, chegando a cursar um ano desta disciplina na Faculdade
Nacional de Medicina, Após esse ano, trancou a matrícula,
passando a cursar Sociologia também na Faculdade Nacional.
Formou-se sociólogo em 1967, quando foi contratado professor
do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Em abril
de 1968, por suas atividades políticas, foi compulsoriamente
aposentado.
Trabalhou
ainda como sociólogo no SESC (Serviço Social do Comércio)
até passar a viver na clandestinidade em 1972. Após
esta data continuou realizando trabalhos para esta e outras instituições
utilizando nome de terceiros.
Antes de passar à clandestinidade, foi preso várias
vezes. Participou do Programa Nacional de Alfabetização
e integrou o Comitê Estadual e o Comitê Central do PC
do Brasil.
Deixou
marcas por toda a sua vida estudantil, profissional e política,
seja por sua paciência e persuasão nas discussões
intelectuais ou por sua genialidade, carinho e carisma em suas diversas
e intensas ralações pessoais.
Lincoln desapareceu em 13 de março de 1973. De imediato,
a família percorreu os órgãos policias a procura
de informações. Após uma incansável
busca, pediram ajuda à CNBB. Em 21 de março Divulgou-se
a notícia de que Lincoln fora morto ao resistir à
prisão em um choque armado no Campo de São Cristóvão.
Após sucessivas idas e vindas ao Ministério do Exército,
informaram que o corpo poderia ser encontrado no IML
O
corpo apresentava inúmeras marcas de tortura e foi mantido
fora da geladeira do dia 22 para o dia 23 de março. Tais
fatores, juntamente com as pressões dos órgãos
de segurança, dificultaram o reconhecimento e obrigaram a
família a realizar o enterro imediatamente, sem ao menos
velar seu ente querido.
Os
algozes da repressão não aliviaram a perseguição
a Lincoln sequer na hora de seu enterro, que contou com a incômoda
presença de "olheiros" , que verificavam atentamente
quais dos presentes poderiam também ser enquadrados como
subversivos.
Hoje se sabe que foi preso em frente à Igreja de São
João de Meriti onde tinha um pronto marcado com um companheiro.
No momento, a família move um processo responsabilizando
a União pelo cruel assassinato de Lincoln.
A
versão oficial da repressão afirma que morreu "ao
reagir às Forças de Segurança" , sendo
seu corpo encontrado ao lado do Pavilhão de São Cristóvão
(RJ), em 13 de março de 1973, com mais de 15 tiros.
Seu cadáver entrou no IML/RJ, no mesmo dia como desconhecido,
pela Guia Nº 15 do DOPS. A necrópsia, realizada no dia
seguinte pelos Drs. Gracho Guimarães Silveira e Jorge Nunes
Amorim, confirma a falsa versão oficial da repressão
de que foi morto em tiroteio.
Foi reconhecido, segundo documento nº 437 do DOPS/RJ, em 16
de março de 1973, pelas impressões digitais e retirado
por seu irmão, sendo enterrado pela família, em 23
de março no Cemitério Jardim da Saudade (RJ).
No laudo de perícia de local
há a seguinte afirmação: "...com o cadáver,
ou nas proximidade, não foram encontrados quaisquer documentos,
pertences ou outros elementos materiais...".
As
fotos de perícias de local mostram claramente sinais de torturas
nos olhos e lábio. O que é confirmado pelas declarações
do preso político José Auri Pinheiro, em Auditoria
Militar, à época, que denuncia as torturas sofridas
por Lincoln.
Sua morte foi publicadas pelo "O Globo" e "Jornal
do Brasil", de 22 de março de 1973, sob os respectivos
títulos: "Autoridades de Segurança informam sobre
a morte de um militante do PCdoB".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos
a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo
Miguel Arraes.
Evaristo
Almeida da Silva
Wender da Cunha Faria
|