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VIDA VIVA DE UM BERÇO POLITICO


   Para nós, que gostamos de viver e reviver o que compartilhamos e aprendemos no dia a dia de nossa formação pessoal, em São José do Calçado, é imensamente prazeroso viajarmos no aprendizado que, a nós, foi proporcionado por grandes figuras da vida viva da nossa gente. Podermos sentir a emoção da responsabilidade de assumir um relato do alheio e ter a certeza de que o alheio é, sem duvida, personagem par dos grandes homens da história de nossa terra, é muito prazeroso.
Acredito que seja dos primórdios da civilização, a crença de que, do seio da família é que se vinga o sucessor legítimo de suas paixões. E foi em 1929, que nascia o segundo e último filho de uma família abastada de paixão, manifestada de várias formas, por sua terra natal e sua gente. Nos dois filhos, Pedro, o mais velho, que hoje é juiz aposentado de nosso estado, e Antônio, que acabara de vir ao mundo, cravado em seus corações, ficou o sentimento de amor, respeito e dedicação a sua terra e a sua gente.
   Quando seus pais José Teixeira Vieira de Rezende, ou, simplesmente Zezé Vieira e Maria Alice Borges de Rezende, mais conhecida como Dª Mulatinha, decidiram ser Antonio Borges de Rezende o nome do recém chegado, que, juntamente com Pedro e toda a filharada dos parceiros, meeiros e empregados que povoavam aquela fazenda, dando vida e graça à beleza de ali se viver, não imaginariam que nele é que vingaria a paixão de ser o amante da política, hospedeiro de uma das artes mais difícil e graciosa que sua família "Teixeira Vieira de Rezende" desenvolvera com tamanha dedicação e respeito ao nosso Município e ao nosso Estado.
Criado em ambiente onde bondade, respeito ao próximo, dedicação à causa alheia, integridade moral e tantos outros valores inerentes às famílias calçadenses, ele, Antônio, vai estabelecendo sua personalidade de herdeiro da paixão política vivida por sua família.
   Estudante do Colégio de Calçado, Antônio divide essa fase marcante em sua vida com uma geração de Calçadenses que, mais tarde, também deixam nas páginas de nossa história suas importantes participações nos rumos e destinos de nosso município.
   No ano de 1957 Antônio casa-se com Maria de Oliveira Vieira Rezende, com quem tem seus quatro filhos. Gilberto, José Antônio e Marcelo são, respectivamente, os nomes de seus três varões. Cláudia, a única filha mulher, soma-se ao lar para dar graciosidade e beleza a nova geração dos "Vieiras de Rezende".
   Ainda moço, em 1958, Antônio Borges se elege com o maior número de votos para a câmara municipal. A registrar: O candidato a prefeito apoiado por sua família, Eliezer Rezende de Mendonça, também se elege.
   O ano de 1958 é marcado nos anais de nossa história como um ano difícil para o município. Foi o ano em que fechou o "Banco de Calçado", isso mesmo, calçado tinha seu banco, pertencia ao Dr. Pedro Vieira Filho.
   Antônio Borges, com muita desenvoltura, dá início a sua longa jornada na vida pública de nosso município. Certamente seu pai, Zezé Vieira, fonte de suas inspirações e incentivo para o ingresso na política partidária, o faz um autêntico e verdadeiro aprendiz da boa política, preparando-o para o futuro que lhe haveria de pertencer. Aliás, a dedicação do seu avô, tios e primos à atividade pública do município e à sua gente foram, também, constantes lições de vida no estabelecimento de sua personalidade. Na oportunidade vale um registro específico ao tio Pedro Vieira Filho. Era a grande figura política, empresarial e social de nossa historia, talvez a maior referência para os mais novos do clã "Teixeira Vieira de Rezende".
   Neste seu primeiro mandato, Antônio já deixa a marca de sua personalidade em suas ações políticas. O jornal "O Colégio em Revista", fundado por Sinval Raymundo Machado, do Grêmio Lítero Esportivo "RUY BARBOSA", do Colégio de Calçado, em sua edição de nº 6, de 15 de maio de 1962, traz uma nota, redigida pelo recém empossado presidente, o estudante Jonacy Sant'Ana de Moraes, que hora, oportunamente, transcrevemos:

 

"AGRADECIMENTO

   Somos gratos ao vereador Antônio Borges de Rezende que demonstrou seu idealismo em prol da classe estudantil, conseguindo na Câmara Municipal, o auxilio de Cr$5.000,00 (cinco mil cruzeiros) ao nosso Grêmio.
Por meio deste mensário, agradecemos ao nosso querido conterrâneo e nos colocamos à inteira disposição do fiel amigo".

   Convicto de que a educação é referência máxima de um povo, Antônio, já em seu primeiro e único mandato no legislativo municipal, mostra sua parceria para com o que tem de mais nobre na vida de um povo. A Educação.
   Por não ficar registrado o porque que Antônio Borges de Rezende não concorreu a cargo eletivo após o primeiro mandato, nos resta acreditar que seu período de afastamento do processo político eleitoral, entre os anos de 1962 e 1969, teve o objetivo de melhor se preparar para o trato com a "coisa pública" e, assim, almejar alçar vôo mais alto.
Em suas atividades particulares, seja na sua fábrica de telha e tijolos do município, seja em sua propriedade rural, o dia a dia de Antônio Borges sempre foi permeado de reconhecimento pelos seus companheiros políticos partidários.
   E assim foi. Em 1970, arregimentado pelo líder maior, Dr. Aristides, então sucessor do tio, Dr. Pedro Vieira Filho, Antônio volta a disputar um cargo eletivo em nosso município. Já mais maduro consciente do momento difícil que a democracia atravessava por conseqüência da opressão do regime militar, põe o seu nome para a disputa do cargo de prefeito do município. Naquele momento, os princípios de democracia, que sempre reinaram no seu berço familiar, seriam os principais fatores a nortear seus atos administrativos no poder executivo calçadense. Sem dúvida é mais um executivo na administração pública de nosso município a deixar sua marca de competência, carinho e paixão por sua terra e seus conterrâneos. Concluindo obras da administração que ele sucedeu, prestigiou o potencial rural, realizou a primeira Exposição agropecuária do município, construiu a primeira escola de presos no Estado, viabilizou a construção da rede de coleta do esgoto e a estação de tratamento e distribuição de água potável da sede municipal, sendo estas algumas de suas ações nos seus dois anos de mandato, pois, por força de decreto presidencial, aquele mandato só teria dois anos de duração.
   Parecendo designo divino, o mandato do prefeito eleito nas eleições de 15 de novembro de 1976 ficou estipulado em 6 anos, em vez dos quatros que era e é nos dias atuais. Não só por merecer um tempo a mais, até para compensar os seus dois anos apenas de mandato na primeira incursão de prefeito municipal, foi ele, Antônio Borges, novamente conduzido por eleição ao cargo de prefeito para aquele período de 1977 a 1982. Quando deixa marcos de administração importante para o bem estar e desenvolvimento do município, como a vila agrícola em Airituba, a abertura e infra-estrutura completa de três novos bairros: Novo Mundo, Serra Pelada, Terra Roxa, o ginásio poli-esportivo e o Colégio de São Benedito.
   Antônio Borges já em suas primeiras oportunidades na atividade da vida pública de nosso município mostra sua preocupação com a área da educação, o que, merecidamente, lhe rende o titulo de "PREFEITO DA EDUCAÇÃO". Mas, o grande ensinamento que Antônio Borges de Rezende passa para as páginas da história de São José do Calçado e que até os dias atuais zela pelo seu aprimoramento, é o respeito pelo próximo, companheirismo, dignidade, ética em suas ações, o grande amor que tem por sua terra e a paixão pela política local. Mesmo sem disputar um cargo eletivo em nosso município a mais de 22 anos é ele, Antonio Borges, um nome que sempre é lembrado pelos companheiros nas disputas eleitorais locais. Mas, como ele mesmo faz questão de explicitar já no auge do seu amadurecimento político, sua contribuição para a atividade partidária municipal tem seu total apoio para as gerações mais novas que atuam hoje no processo natural de sucessões. Uma coisa é certa, atualizado, amadurecido, equilibrado, inteligente e uma das maiores reservas morais de nossa cidade, são estes alguns de seus predicados que, no mínimo, o faz ser referência para as gerações mais novas.
   Quanto ao seu sucessor, creio que poderá vir a ser um de seus filhos, com dois mandatos de vereador já exercido, que naturalmente se confirmou na vida política de nossa cidade, até porque em seu batismo, parece que prevendo seu potencial, Antônio, soma-se ao nome do Pai, José, o seu, para assim registrar José Antonio Vieira de Rezende o nome desse legítimo herdeiro da linhagem política, como que se quisesse apostar todo o potencial da seqüência de uma história muito digna e bonita na vida de um município e um povo.
   Hoje, com certeza um homem realizado, Antônio mantém sua rotina de, pessoalmente, gerenciar sua propriedade rural e, ao lado de sua importante companheira e esposa, Dª Mariinha, curtir a alegria de viver a mais nova geração de seu clã, os queridos e amados netos: A linda morena Alice, as belas gêmeas Laura & Luiza e a gatinha Jadi sem esquecer a turma do barulho, João, Hassan e Hafelli, que vão dar muito trabalho às gatinhas.
   É com grande satisfação que, dentro do meu ponto de vista e sentimentos, dedico aos meus filhos e esposa essas poucas linhas que fala um pouco de um ser Humano que muito admiro e gosto com todo o respeito que temos por ele.


Um forte abraço.

Jamir Júnior

Vitória, 19 de setembro de 2003.


 

 


 

 

 

 

 

 

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