São José do Calçado: da pracinha à escalada
     
Vivendo o turismo e o ecoturismo de São José do Calçado, a cidade simpatia
     
Por Addison Viana    
 
São José do Calçado é uma cidade de origens Imperiais! Caracterizada por suas ruas extensas e onduladas, uma cidade ladeada de montanhas e flores, parece ter sido construída no centro de uma floresta. A economia que lá predomina é a do leite e do café. A temperatura no verão calçadense pode chegar a 38 Cº; no inverno a marca cai para os 11 Cº. Um dos maiores orgulhos da cidade é o jardim da praça pública, considerado o maior de todo o estado do Espírito Santo. Calçado se localiza ao extremo sul da “Região do Caparaó”, porém suas terras quase que rompem divisas com os estados de Minas e Rio de Janeiro. Localiza-se mais exatamente ao sul do Brasil e ao sudoeste capixaba. Para chegar à cidade basta pegar a BR 484 a partir de Bom Jesus do Itabapoana – RJ. Os capixabas devem seguir pela rodovia Cachoeiro/Alegre, passando por Guaçuí.

 


QUANDO IR?

 

Calçado tem muito a oferecer para os amantes da natureza. Os que preferem banhos de piscinas e cachoeiras devem passar pela cidade no verão, e assim poderão aproveitar as piscinas dos clubes Campestre e Acqua Show, além das belíssimas cachoeiras existentes nos arredores do município. Durante a caminhada dentro da cidade de apenas 11 mil habitantes, você por diversas vezes avistará antigas casas que até hoje preservam sua imagem. Algumas arquiteturas também chamam a atenção dos que as vêm pela primeira vez, como o prédio da Igreja Presbiteriana, sendo essa a mais antiga do Espírito Santo, e o prédio do antigo cinema “Cine São José”, que não funciona há mais de cinqüenta. Durante o passeio pela cidade e pelas históricas fazendas ainda de pé no município, é preferível que o turista vá de carro, pois as ruas de Calçado são bem onduladas, o que provocará um cansaço que poderá desanimar o turista que anda a pé,
impedindo-o de conhecer as outras partes dessa pequena,
porém encantadora cidade que guarda com muito
cuidado suas belezas naturais. Ao turista, Calçado oferece hoje apenas um hotel, uma pousada e uma pensão. Da cidade à capital capixaba, Vitória, são 233 quilômetros. Apesar de ser uma cidade pequena, existe uma forte rede de comunicação composta por um jornal, um site comercial de informações turísticas e noticiosas, uma emissora de rádio comunitária, uma radio difusora e uma emissora de TV da Câmara Municipal de Vereadores.

 


CULTURA CALÇADENSE

 


A cidade preserva a antiga cultura rural através da Festa do Carro de Boi, que não prescinde da tradicional procissão de mais de 20 carros. Já a tradicional festa junina da comunidade do “Bandeira”, que também lembra a roça e seus costumes – como passar descalço à meia noite sobre as brasas para demonstrar o tamanho da fé - é um exemplo de preservação da cultura religiosa e das superstições, num sincretismo que encanta. Para os religiosos, vale a pena estar na cidade nos noves dias que antecedem o dia 19 de março, dia do padroeiro da cidade, São José, para participar da novena que leva a imagem do santo em cada dia numa comunidade paroquial, encerrando com uma grande festa em praça pública. A esses católicos e aos curiosos, vale lembrar que a Matriz traz pinturas no teto que contam a vida de Cristo. Calçado, que se destaca também na literatura, está no Guinnes Book como a cidade de maior número de escritores por metro quadrado do mundo. O que não passa por despercebido aos turistas também são as lendas e curiosas histórias contadas pelo povo antigo. A lenda do “Bicho Charpinel” diz que um homem qualquer mentiu ao dizer que teria tido relação sexual com a filha de um dos “poderosos” fazendeiros por volta de 1880, que foi caçado pelos capangas do coronel e certamente morto, já que sempre em festas na fazenda aparecia encarnado no corpo de outra pessoa pedindo perdão ao coronel Charpinel que depois de muito tempo o perdoou e a partir daí nunca mais apareceu nas tradicionais festas dadas pelo “poderoso”. Há também a lenda de mais um coronel orgulhoso e temido por muitos daquela época, que quando em seu velório, no último adeus, ao destamparem o caixão para que os parentes se despedissem, as pessoas que faziam presente no velório foram surpreendidas ao verem no lugar do sue corpo uma bananeira. Uma história curiosa também é o apelido que surgiu para os Calçadenses na década de 40, quando na época os melhores bailes eram em Calçado, sendo que ao final do show, todos que dele saiam paravam na padaria que já se encontrava aberta para comer broinha, daí, o povo de Bom Jesus passou a chamar os Calçadenses de “Broinha”, enfurecendo-os. Hoje, esse apelido que ninguém gostava de receber, virou um site de informações e notícias da cidade (www.broinha.com.br). Essas lendas e histórias é que fazem valer a cultura calçandense.


Vista parcial da cidade
 
 
 
Igreja Presbiteriana
 
 
Praça Pedro Vieira
 
   
 
Pinturas do teto da Igreja Católica
 
   
 
Pedra do Pontão
 
   
 
Flora
 

O ECOTURISMO


O encanto das cachoeiras, montanhas e picos que contornam a cidade enche os olhos dos privilegiados que conhecem essas belezas naturais. A Cachoeira da Fumaça, localizada na localidade de Alegoria, é como se fosse um pedacinho de uma das cascatas de Foz do Iguaçu. Ainda desconhecida por muitos, é um show da natureza que São José do Calçado guarda com muito carinho.

A Pedra do Jaspe – que a vê do centro da cidade a enxerga num formato exótico – é outra opção de lazer para os montanhistas, que, durante a caminhada, poderá encontrar tatus, micos, tamanduás e outros pequenos bichos. Com 900 metros de altura, considerando o nível do mar, do seu topo o turista avista a Serra do Caparaó, além de sete cidades e lugarejos.

Outro presente que a natureza ofereceu a Calçado foi a Pedra do Pontão, que está pintada na bandeira do município. A Pedra, com 1.200 metros de altura, só pode ser conquistada através de escalada, mas em sua base é possível encontrar pequenas cavernas que escondem cascatas d’água. O turista fica admirado também com a fauna, flora, tranqüilidade e é claro uma linda visão de cadeias montanhosas. Os últimos registros que se tem de pessoas que já conquistaram a pedra datam de 26 anos atrás: dois alpinistas da cidade do Rio de Janeiro e quatro calçadenses que também conquistaram o topo da Pedra do Pontão, recentemente.

 

 

 

 

Texto e Fotos: Addison Viana

 
 
A Pedra do Jaspe
   
 
Caminhadas tranqüilas também podem ser feitas do centro da cidade às fazendas antigas, algumas delas da época dos escravos. A caminhada é tranqüila, não é preciso estar em total preparo físico. Em todo o turista é surpreendido com o que a imprevisível natureza tem para lhe oferecer. Prédios feitos por joão de barro, alguns até com quatro andares, deixam os moradores da cidade grande boquiabertos, sem falar também do agradável clima do inverno, que atrai mais visitantes. As fazendas, da época escravagista, têm fama de serem mal assombradas. Muitos moradores dizem já ter escutado vozes e correntes se arrastando dentro dos casarões. Há proprietários que guardam diversos objetos dos tempos da escravidão dentro de senzalas que nunca se abrem aos visitantes.