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Um
homem do povo
"
Tudo dele era arte!"
Terezinha Juliana
Sebastião Pimentel Marques, o popular
Tião Marques, filho de José de Oliveira Marques
e Maria das Dores Pimentel Marques, nasceu em 15/12/1929 em São
José do Calçado, onde viveu toda infância
e juventude.
Freqüentou o primário e o ginásio
em Calçado e fez o 2º grau na Escola Técnica
de Comércio Bitencourt em Campos, concluindo o curso com
a turma de 1951.
Casou-se com Leda Garcia Marques e era pai de
Rui, Ricardo, Paulo Roberto
e Eliane.
" O melhor que podemos fazer de nossa vida é
consumi-la em alguma coisa de mais duradouro que a própria
vida".
Pautou seu esquema de vida nas palavras de William
James, acima transcritas, construindo seu mundo com base na solidariedade
humana, sem vaidade de classe social. Por escrito, nada ficou
registrado sobre sua pessoa, mas dos seus contemporâneos,
ouvimos, na coleta de dados para a elaboração de
seu panegírico que hoje apresentamos, palavras de saudade
e de carinho que, com emoção vieram ampliar o perfil
que me coube fazer. Foi assim que, sem mencionar a procedência,
ouvi sobre ele:
" Como eu gostava desse homem!"
" Ele permanece vivo no coração
de todo calçadense."
" Ele era sensacional."
" Sua morte foi chocante e inesperada."
" Irradiava simpatia e simplicidade."
" Nuca vi tanta gente num enterro em calçado."
" Até hoje tenho saudades dele."
" Era amigo nas horas alegres e companheiro
nas horas tristes."
" Ele sozinho parava a cidade. Era só
dar uma ordem e todos obedeciam."
" A cidade inteira chorou o seu falecimento."
" Sabia ser simples com os simples."
" Soube cativar a todos."
" Seu nome ficou na história de
Calçado."
" Ainda não conheci outro igual
a ele."
" Era um adulto com pensamento de criança."
" Nunca mais apareceu outro Tião
Marques e nem aparecerá."
" Somente um livro bem grande caberia tudo
o que ele fez de bom na sua vida."
Como grande desportista que era, deixou marcas
e grandes obras na história do esporte de Calçado.
Era fanático torcedor do Motorista F.C.
e muito contribuiu para a edificação de sua sede.
Pode-se mesmo dizer que a construção do Estádio
Ernesto Campos da Fonseca deve-se a ele através de seus
recursos próprios e a mão-de-obra gratuita que conseguiu
de seus amigos
da classe operária. Na época da inauguração
obteve uma brilhante vitória na primeira partida de futebol
e um público numeroso nas arquibancadas - para aplausos
do time que naquela ocasião , por iniciativa de Tião
Marques, fora integrado pelo famoso craque do Vasco da Gama, Ademir
Meneses - Queixada, já falecido. Este jogador, a partir
dessa época, passou a visitar Calçado com freqência,
sempre hospedando-se na residência de Tião Marques.
Mais um destaque em suas iniciativas foi trazer
a Calçado, na ocasião de sua festa magna, um grupo
de paraquedistas que abrilhantou as festividades, dando oportunidades
a muitos calçadenses de assistirem, pela primeira vez,
a esse espetáculo.
Fanático por banda de música,
estava à frente delas em todas as alvoradas, caminhando
adiante dos músicos durante toda a execução,
vestido com o seu indefectível terno branco, todo imponente
com se fosse o dono da banda, o dono da festa!
Fez parte do grupo fundador do Montanha Clube
como integrante da primeira diretoria.
Era conhecido também pelo seu grande
espírito humanitário, procurando solucionar os problemas
mais críticos dos menos favorecidos. Totalmente desprovido
de vaidades, nunca se importou em guardar dinheiro. O que tinha
era para repartir com os amigos e necessitados.
Construiu seu mundo com base na sua solidariedade humana, dando
prioridade á classe humilde com quem dividia seus bens
sem cobrar recompensas. Fez opção para o convívio
com os pobres. Era um rico pobre. Para ele, participar de um evento
da classe alta era uma morte. Detestava ter que usar terno, gravata
e mais, ter que falar alguma coisa em reuniões. O que lhe
fazia bem mesmo, o que lhe dava prazer, era estar no meio dos
simples.
Sem sua curta passagem pela vida, Tião
Marques se consumiu em doação, solidariedade, companheirismo,
festa e amor ao próximo. Além de tudo isso, tinha
também um enorme carinho e toda a paciência com as
crianças que por ele nutriam verdadeira simpatia e sempre
estavam ao seu redor, enfeitando e alegrando sua vida.
Foi rei Momo em Calçado em 1963 e, apesar de magro, não
deixou nada a desejar, tamanha era a sua animação.
Ainda em 1963 mudou-se para Bom Jesus onde se
instalou com sua família, montando uma drogaria, modernizando
o comércio local, segundo relatório de seu pai.
Em 1964 foi eleito presidente da Banda de Música
" Liga Operária Bonjesuense", à qual deu
um grande impulso com recurso pessoal.
Em 1965 foi acometido por grave cardiopatia
e precisou se internado para uma cirurgia. No dia 29 de abril
de 1965 foi operado no Hospital da Beneficência Portuguesa,
em São Paulo. Sua última frase, antes de ir para
a sala de cirurgia, ao se despedir da família: " Não
tenho queixa de ninguém." Em 30 de abril veio a falecer
de insuficiência aórtica, segundo nos declarou seu
filho mais velho, Dr. Rui Garcia Marques, médico radicado
no Rio de Janeiro.
Por motivos pessoais e imensa popularidade adquirida,
recebeu postumamente as seguintes homenagens:
- Nome do mais popular e populoso Bairro de
Bom Jesus do Itabapoana;
- Nome do Grupo Escolar no Bairro Sebastião
Pimentel Marques, em Bom Jesus do Itabapoana;
- Nome de Bairro em São José do
Calçado na localidade conhecida popularmente como Estado;
- Nome do Salão Paroquial de São
José do Calçado;
- Enredo da Escola de Samba " Imperatriz
Calçadense" para o carnaval de 98 de São José
do Calçado;
- Patrono da cadeira nº 08 da Academia
Calçadense de Letras, cujo fundador sou eu , Milton Teixeira
Garcia.
Como
conterrâneo e contemporâneo de Sebastião Pimentel
Marques tive a satisfação de testemunhar seus feitos
em prol não somente da comunidade calçadense, mas
também da comunidade de todo o vale do Itabapoana. Unidos
por laços de fraterna amizade, temos nos seus primos Mário
Roberto e Luiz Fernando elos familiares.
Milton
Teixeira Garcia

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