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Por Evaristo Almeida da Silva
Com certeza a fase mais importante da formação
do ser humano é a sua infância onde, de certa forma,
boa parte do seu caráter é forjado e onde seu destino
e caminhos a seguir no futuro já são bem claros
ou pelo menos previsíveis. Não sendo diferente a
essa regra, sempre quando criança ficava a olhar a Pedra
dos Pontões ao longe com seu vale e admirando sua magnitude
como se fosse o lugar que, além de belo, guardava um desafio
que teria de ser vencido. Com base nisso não foram poucas
as vezes em que perguntei ao meu pai (sempre achamos que o pai
tem resposta pra tudo!!!): "- Pai alguém já
subiu lá em cima da
Pedra dos Pontões?", sem sequer imaginar que essa
tarefa ficaria guardada para mais tarde em minha vida e na de
outros dois companheiros.
Com
o passar do tempo e o amadurecimento chega a adolescência
e junto a ela uma bicicleta (meu primeiro veículo de locomoção
- ou louca emoção sei lá), vôos mais
distantes poderiam ser alçados, cada
vez mais longe e distantes de casa, cada vez mais pertos da pedra
que desde criança nos incomodava. A primeira vez que tentei
subir foi com uns amigos, no ano de 1992, fomos até a base
de trás passando pela mata pelo lado direito de quem a
vê de Calçado, circundamos e subimos o morro que
leva até o que decidimos chamar de "Dedo Menor".
À época os conhecimentos de alpinismo eram insuficientes
para galgar até o topo e tivemos que nos contentar com
a vista até onde pudemos chegar a pé mesmo, pois
havia uma grande fenda com um totem de pedra no meio que nos separava
do cume.
Passados alguns anos a idéia fixa sempre nos acompanhava
e, por conta própria, começamos a dar nossos primeiros
passos na vertical rumo pedra acima e a planejar a escalada dos
Pontões, contudo, devido às condições
climáticas da região - ou talvez os avisos dos nossos
pais para que não fôssemos àquele lugar -
a chuva, sempre constante na região, com formação
rápida tendo ao seu lado o elemento surpresa, nos atrapalhava
e forçava-nos a voltar com a viagem perdida, mas com a
vontade e o desafio cada vez maior de chegar ao cume.
Da
penúltima vez que tentamos (Set./98) cada um levando aproximadamente
uns 20 Kg de equipamento, sem contar água e comida racionadas,
ficamos a apenas quatro metros do topo, isso após dois
dias acampados na base da fenda, como já era noite a prudência
pediu que descêssemos e dormíssemos e só no
outro dia cedo terminarmos o serviço, porém a chuva
nos encontrou logo pela manhã seguinte e não valeria
à pena esperar por melhores condições climáticas.
O jeito foi descer e na volta, além da mata molhada, a
laje de pedra lisa escorregadia, as bromélias, o arranha-gato
e o bambuzal espinhoso, um inusitado enxame de abelhas na trilha
fez com que eu, Adilson e Wender acelerássemos o ritmo
da marcha.
A
cada investida estávamos mais pertos do ponto ao qual desejávamos
e, esquecidas as dificuldades passadas - principalmente as abelhas
- resolvemos voltar ao local no mês de abril de 1999, na
Semana Santa, e subirmos a pedra de um jeito ou de outro. Tudo
estava pronto, clifs de fendas e grampos feitos pelo Adilson,
lanches bancados pela Padaria do Wender, barraca, mosquetões,
cordas, cintos, fitas, estribos, ferragens e uma Bíblia
que pedi ao Padre Ênio para deixar lá em cima. Saímos
às 14:40 hs (01/04/99) rumo a São Benedito e desembarcamos
no ponto da escola Alto Pontões tendo que subir até
a pedreira na base da montanha onde infelizmente a extração
de mármore e granito funcionava à todo vapor. Por
lá dormimos acampados, à noite a lua cheia e uma
temperatura de 11,3ºC.
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