MISTÉRIOS E HISTÓRIAS DO CEMITÉRIO DE SÃO JOSÉ DO CALÇADO


Por Addison Viana

São José do Calçado:O cemitério de Calçado é repleto de histórias e mistérios que são contadas pelo coveiro que trabalha no cargo a 10 anos. Em uma conversa, ele revelou algumas situações que já presenciou no local. Confira.



A primeira curiosidade que vamos esclarecer são os números soldados nas alegorias do portão do local, 1, 9, 1 e 3, que se juntarmos formam o ano de 1913.

A segunda curiosidade são as letras que se encontram logo abaixo dos números, as letras A e M já fizeram muitas pessoas quebrarem a cabeça para descobrir o seu significado, já palpitaram em “Ave Maria”, “Até Mais” e outros.

De acordo com o coveiro que trabalha a dez anos no cemitério de Calçado, os dois palpites estão totalmente errados. Os números que formam a data de 1913 significam o ano o qual o então cemitério foi construído. A primeira carneira a ser instalada no local foi o do senhor Pedro Gomes da Fonseca no ano de 1914. O coveiro não soube explicar o porquê dos números terem sidos colocados no portão de forma tal camuflada, passando por despercebidos nos olhos de quem entra no local.


As famosas letras visíveis A e M, são as iniciais do antigo ferreiro de Calçado que doou o portão para o cemitério, Américo Muniz. O coveiro Miguel Paraná, conta que a família de Américo era de Bom Jesus do Norte, mas tudo indica que ela morava em São José do Calçado. Américo foi enterrado no cemitério de Calçado ao lado dos túmulos dos coronéis.

Miguel lembra que há muitos anos, a capela onde velava os corpos era instalada dentro do próprio cemitério. Segundo ele, a capela parou de funcionar a aproximadamente quarenta anos. Hoje, o local onde velava os defuntos serve como depósito de ferramentas.

- Há alguns meses atrás eu estava dentro da antiga capela pegando algumas ferramentas quando de repente senti uma água quente sendo jogada em minhas costas. Olhei, procurando a pessoa que teria me jogado a água e não encontrei absolutamente ninguém. Minha camisa ficou com uma roda manchada no local onde bateu a água – conta Miguel.

O coveiro conta também dos tão falados túmulos dos coronéis, como por exemplo, o do Coronel Theophilo Virgílio Lobo. Os antigos contam que o coronel Theophilo era um carrasco com os empregados e que chegava a sacrificá-los quando eles não serviam mais para prestar os serviços desejados por ele. Theophilo tinha muito dinheiro que era circulado apenas dentro da fazenda. Era rigoroso, e ficou mais ainda depois de ter ganhado a patente de Coronel. O seu túmulo é hoje lacrado, para nada pode ser mexido, há informações de que na parte interna dele existe um grande tesouro que foi enterrado junto ao corpo do coronel.

Miguel Paraná conta que já viu e ouviu muitos sinais no local onde trabalha.
- Há duas semanas, o céu estava todo nublado, eu vi uma luz, tipo uma lâmpada acessa atrás do anjo dourado que tem no túmulo da falecida Germana Pimentel, achei que fosse algum reflexo, mas não tinha sol e nem uma outra luz por perto que poderia causar tal reflexo, segundos depois a luz sumiu – conta emocionado Miguel que trabalha no cemitério há 10 anos.

O coveiro fala que com esse sinal ele tirou a própria conclusão. Segundo ele, a mãe de Germana sempre vai a túmulo da filha para rezar por ela, e nesse momento de oração ela acaba se emocionando vindo a chorar. Ele acredita que essa luz que apareceu para ele foi um aviso de que a alma dela está em um lugar iluminado.
- Infelizmente não é todo mundo que tem o dom da visão, para quem o possui não tem horário certo para ver as coisas, pode ser noite ou dia que se tiver de ver irá ver – diz Miguel.

Paraná afirma ter visto também num domingo, às duas horas da tarde, uma senhora vestida de um vestido xadrez aparentando ter aproximadamente 55 anos de idade, como se estivesse procurando por um túmulo. Resolveu então ir oferecer ajuda a ela, e foi num piscar de olhos que do nada ela desapareceu.

Conta também, que há uns seis anos, ele foi retirar o corpo de uma mulher para enterrar junto ao dela um parente que teria acabado de falecer. Quando ele puxou os restos podres do caixão, pode ver que o esqueleto da falecida encontrava-se de perfil, levando-o a concluir que ela foi enterrada viva.

Uma situação extremamente chocante presenciada pelo coveiro, foi o enterro de um rapaz que carregava na cabeça dois toquinhos que pareciam chifres, um toquinho de rabo e um olho grande na testa. – O rapaz sofria de sistema nervoso e antes de falecer estava internado em uma clínica – comenta Miguel.

Outra grande história do cemitério é a do bicho Charpinel. Diz Miguel, que depois da morte de Francisco Daniel Junger, ele assombrava as pessoas com gritos tão altos que até quem se encontrava nas ruas de Calçado mais próximas assustavam com o som. Diz ainda que um padre teve de ir exorcizar o corpo do falecido, que ficou então conhecido como o Bicho Charpinel.

Miguel Paraná, o coveiro que trabalha no cemitério de São José do Calçado, conta que nesses dez anos de trabalho, já enterrou mais de mil corpos. As famílias que mais possuem parentes enterrados no terceiro cemitério de Calçado são as Almeida, Tatagiba e Rezende. – Este á é o terceiro cemitério de Calçado, e o quarto já está vindo por aí – concluí Miguel se referindo a lotação do local.





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