Por
Sérgio Oliveira
Madras, Índia, 24 de novembro de 1941, nascia
Randolph Pete Best, o primerio baterista dos Beatles
(Besouros do rítimo). Pete embora seja indiano,
é considerado pelo povo britânico como
um filho da terra, eternizando-se como o primeiro homem
de frente a empunhar as baquetas do grupo Beatles.
Ingressou-se no grupo no final da década de 50,
precisamente em 1959, onde ficou até o dia 16
de agosto de 1962. Chegou a excursionar com os Beatles
em Hamburgo, Alemanha, em 1961. Após a primeira
audição para a Gravadora EMI, ele foi
dispensado da banda, substituído por Ringo Starr
ou se preferir Richard Starkey.
Sua mãe Mona Best era proprietária do
Casbah Club, um clube que funcionava no sótão
de sua casa em Liverpool, berço onde os Beatles
nasceram. O Casbah na verdade era um local para adolescentes,
local onde os três Beatles, Paul, George e Lennon
conheceram Pete e o convidaram para ser o baterista
do grupo.
O MOTIVO DA SAIDA DE PETE BEST DA BANDA
BEATLES?
Brian Epstein, empresário dos Beatles despediu
Pete. George Martin, produtor dos Beatles, não
gostava do modo como Pete tocava bateria. Nas primeiras
gravações George tentou substituí-lo.
Andy White, um baterista de estúdio, substituiu
Pete na primeira sessão para a gravação
da música “LOVE ME DO”. Uma versão
para Love Me DO foi gravada pelos Beatles com Pete tocando
bateria, em 6 de junho de 1962, música lançada
no álbum “Anthology”
Pete era um pouco desligado do grupo, enquanto Paul,
Lennon e George agrupavam-se após os ensaios,
ele ia se embora. Os três outros Beatles eram
muito amigos de Ringo Starr. O humor e o estilo de Pete
não combinavam com os demais integrantes da banda.
Foi o único Beatles a não adotar o estilo
de cabelo MOP TOP. Tentando consolar Pete, o empresário
Epstein lhe propôs organizar um grupo, colocando-o
como líder do mesmo. Best não se interessou
e virou padeiro.
FÃS PROTESTAM E GEORGE HARRISON LEVA
UM
SOCO NO OLHO.
Com a noticia da substituição de Pete
por Ringo, a maioria dos fãs ficou indignado,
culminando no soco de um fã no olho do guitarrista
George Harrison. As fãs consideravam Pete o Beatle
mais bonito e por muito tempo protestaram nos shows
dizendo: “Pete para sempre, Ringo nunca!”
(Pete forever, Ringo never!).
Em 1988, Spencer Leight, especialista em história
da música pop, escreveu um livro que tinha em
foco a expulsão do ex - Beatle: DRUMMED OUT:
THE SACKING OF PETE BEST. Leight sustenta que a expulsão
de Pete seria por motivos de ciúmes principalmente
vindo da parte de Paul McCartney. Conta o autor que
a revista Mersey Beat relatou que quando John, Paul
e George entravam no palco o público aplaudia,
mas quando Pete entrava, o público ia à
loucura, ao delírio e o tesão feminino
era mais forte.
O desempenho do ex - beatle tem sido até hoje
motivo de debate entre os fãs dos Beatles. A
pegada de bateria de Pete era considerada como visível.
Sua participação nos demos de “Love
me do” de 1962, é virtualmente dificílima
de distinguir da existente versão gravada posteriormente
com Ringo starr. Dizem que o maior defeito de Pete era
a falta de criatividade. Pete tocava de modo padrão
e utilizava variantes convencionais. Ringo mostrou ser
mais inovador, inaugurando um novo estilo para se tocar
bateria, a partir do uso da mão esquerda, compondo
partes especiais que se adequavam à necessidade
de cada música.
Após dar Bye para a banda Beatles, Best se juntou
a Lee Curtis e the All Stars e no momento em que Lee
abandonou o “barco”, o grupo passou a se
chamar Pete Best e The All Stars. O novo projeto de
Pete assinou contrato com a Decca Records, lançando
a música “I’M GONNA KNOCK ON YOUR
DOOR” que teve uma venda razoável. Best
partiu para os Estados Unidos juntando-se com ex - músicos
do Remo Four, Wayne Bickerton e Tony Waddington formando
a Pete Best Four gravando por gravadoras pequenas. No
ano de 1965, o grupo passou a ser um quinteto mudando
para Pete Best Combo.
A BANDA E OS PROBLEMAS.
No
mesmo ano, já com a banda Pete Best Combo, Best
teria tentado suicídio inalando gás. Teria
também tentado entrar com uma ação
na justiça contra Ringo que teria articulado
a revista Playboy que Pete saíra da banda por
motivos de drogas. Pete Best largou o show business
e após anos sem estar no meio musical, reapareceu
no final da década de 70 dando entrevistas, escrevendo
e servindo de conselheiro em um programa de TV sobre
os Beatles.
PETE DEPOIS DE 40 ANOS DE SILÊNCIO DESEJA
REENCONTRAR PAUL E RINGO.
O Beatle deixado para trás após quatro
décadas de silêncio, patenteou não
guardar rancores e anunciou que gostaria de reencontrar-se
com Paul e Ringo, os dois sobreviventes do The Beatles.
Em uma longa coletiva para a Revista “Daily Mail”,
Pete, hoje, 65 anos, articulou que conheceu os três
Beatles no Caverna Clube, bar para adolescentes fundado
por sua mãe Mona Best. Na ocasião Paul,
Lennon e George precisavam de um baterista que pudesse
viajar com eles para Hamburgo, Alemanha, onde Pete aceitou
o convite. Quando tudo estava uma maravilha para os
Beatles, em 16 de agosto de 1962, os Beatles receberam
uma proposta da Gravadora EMI, o Empresário Brian
Epstein chamou Pete e comunicou a ele que seus amigos
de grupo decidiram tirá-lo do grupo. “Fomos
covardes. Passamos todo trabalho sujo de Epstein”.
Recordou Lennon anos depois. Após isso, nunca
mais falei com eles. Ele afirma em entrevista que estaria
pronto para falar com McCartney.
“Não ficamos mais jovens com o decorrer
do tempo. Temos consciência de tudo que fizemos
e, se conversássemos hoje, não correríamos
o risco de ficar pensando mal um do outro. Deus abençoa
a todos e já se foram mais de 40 anos”.
Desabafou Best.
Apesar de ter ficado deprimido na época que foi
excluído do Grupo Besouros do Rítimo (The
Beatles), Pete que chegou quase suicidar-se, ele ainda
articula que se sente uma pessoa com sorte e que não
guarda rancores. “As pessoas esperam que eu seja
ácido e enraivecido, mas não é
assim. Sinto-me uma pessoa com sorte. Somente Deus sabe
quantos problemas os Beatles enfrentaram. Quando me
expulsaram, nenhum de nós sabia o que iria acontecer.
É verdade que as pessoas diziam que nós
seríamos mais famosos que o Elvis, mas eu não
acreditava e acho que eles também não",
concluiu Pete, o lendário baterista dos Beatles.
Ouvindo pessoas de diferentes idades constatei que The
Beatles sempre será Beatles, os garotos de Liverpool
que nasceram para encantar o mundo.
“Por ser filho da proprietária do Caverna
Clube, Pete se achava o tal, quando na verdade, Paul
e John eram os que mais agradavam ao público
durante os shows. Um sujeito feio e com um nariz exagerado
chamado Ringo Starr, este sim, foi o batera excelente
da banda. Sem demagogia, mas não gostava do Pete
que sempre foi ‘marrento’.
Antônio Nabor de Oliveira, 58 anos, músico
e funcionário do Hospital São José.
“Pete
teve sua importância nos Beatles, sem ele o Beatles
não teria existido, pois foi com ele que os Beatles
foram para Hamburgo fazer os shows com a Banda. Merece
respeito pelo seu trabalho e acrescentou mais tempero
ao grupo que era levar a multidão feminina aos
shows. Não pude conter as lágrimas no
filme ‘Os Cinco Rapazes de Liverpool’ que
conta a história dos Beatles, tendo em foco o
Pete e o primeiro baixista do grupo Stuart Sutcliffe.
No filme mostra o lado rebelde de Stuart e o lado calado
de Pete. Finalizando respeito o trabalho de Ringo, o
qual sou fã, mas discordo de muitas fofocas da
imprensa que culminaram com o fim dos Beatles e também
que falaram de Pete.”.
Sérgio Oliveira, tradutor, escritor, crítico
de música e membro da Academia Calçadense
de Letras.