| Por
Addison Viana
Era uma vez um garoto que viveu vinte anos achando
que estava vivendo no paraíso, apesar de
nunca ter achado este mundo em que vivemos justo.
Mas na quinta-feira do dia 3 de agosto do ano de
2006, Neuzenir Domingos Venial Junior, o inesquecível
Juninho “Picatchu”, ou Juninho “Bicho
Ruim”, nos deixou e foi viver no verdadeiro
paraíso, no mundo que sempre sonhou para
si e para os que amava aqui na terra, nos deixando
saudades que nunca morrerão.
“Estátuas
e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender”
Juninho
era fã do consagrado cantor Renato Russo.
Usava sempre camisetas do ídolo e admirava
as letras das músicas do cantor, tanto que
quando vivo, sempre em ar de brincadeira, falava
com os amigos que quando morresse gostaria de ser
enterrado com a camisa que tinha com uma foto de
Renato Russo, havendo nela a letra da música
Índios e a mensagem: “Um anjo torto
na vida”. A vontade de Juninho foi atendida.
“Dorme
agora huhuhuhu
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês?
Estou com medo tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome mais bonito”
Na tarde
do dia 3 de agosto, o sorriso e a alegria contagiante
de Juninho se apagaram aqui na terra, em decorrência
de um trágico acidente de moto quando ia
com um amigo para a cidade de Alegre. Junto apagou-se
também toda a cidade em que morava, num gesto
discreto de luto pelo jovem que cedo passou para
o outro lado da vida. Universitário de Educação
Física, e amigo de todos, recebeu homenagens
de milhares de pessoas que foram dar a ele o último
adeus. Na tarde de sexta-feira do dia 4 de agosto,
a emoção tomou conta de todos que
se encontravam no cemitério durante o enterro
de Neuzenir Júnior. A irmã, Patrícia
Venial, em nome dos familiares agradeceu a presença
de cada um ali, e disse: “sei que cada um
que está aqui hoje sofre tanto como nós
da família, sei que vocês o amavam
tanto quanto nós”. No término
das falas, enquanto a urna que guardava o corpo
de Juninho ia sendo aos poucos colocada dentro do
túmulo, os mais de mil amigos ali presentes
cantavam a canção de Renato Russo,
“Pais e Filhos”, em uma só voz:

“É
preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar, pra pensar.
Na verdade não há”
Juninho
vivia a vida do jeito que melhor achava que deveria
viver. No bom sentido, adorava fazer “molecagens”
com todos os seus amigos e também com a vida.
Vivia a vida com gosto, mas tinha esperança
de que um dia este mundo seria melhor, mais justo.
Fazer amizades fazia parte do passatempo dele, e
preservá-la era um compromisso que tinha
com todas elas, mesmo não sendo necessário
medir esforço para manter sua extensa rede
de amigos que crescia a cada minuto de sua vida.
Em uma de suas brincadeiras, vindo da faculdade,
Juninho fez “bunda lelê” da janela
do ônibus para as pessoas que estavam no bar
Big Brother, na cidade de Bom Jesus do Itabapoana.
Sempre irreverente voltou a repetir a brincadeira
ao lado do grande amigo “Batata”, na
Mostra do Caparaó que aconteceu em Calçado
no final do ano passado, e não se intimidou
com a câmera que fotografava a cena (foto).
Juninho
se foi, mas certamente cada um dos amigos que ele
deixou aqui na Terra guardará na memória
as brincadeiras, o sorriso, amizade, o carinho,
o respeito e o companheirismo de quem um dia passou
por aqui e deixou sua marca no coração
de cada um que hoje sente sua falta. Valeu Juninho!
No momento certo nos encontraremos novamente.
Homenagem
de todos os amigos de Neuzedir Junior à sua
memória e a seus familiares:
Neuzenir
Domingos Venial – Pai
Maria Silva Machado – Mãe
Patrícia de Fátima Venial –
Irmã
Gabriel Domingos Venial - Irmão
Joyce Oliveira - Namorada
Se
você conheceu Juninho Picatchu, participe
da comunidade:
“Juninho:
saudades eternas”
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18210378
Colaboradora:
Larissa Soares Ribeiro
Revisão de textos: Márcio Seufiteli
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