Como estão nossas águas

 

Aproveitando a criação da ONG e o grande número de mensagens enviadas para "o broinha.com" que falam das preocupações com o meio ambiente de nossa região, e, em especial com o rio Calçado, a equipe do site foi "in loco" conferir a situação de nossas águas.
   O rio Calçado, quando passa pela sede do município, tem o seu volume de água reduzido em mais ou menos 1/3 do que foi há 30 ou 40 anos. Ele serpenteia pela periferia da cidade recebendo os esgotos das residências, lixos e resíduos de óleo e outros poluentes, oriundos dos lavadores de carro às suas margens. Logo abaixo, passando a ponte da Rua Nova, recebe como afluente o Córrego da Areia, popularmente conhecido como "Córrego Maria do Grilo", um esgoto a céu aberto.

 



O rio continua a sua caminhada lentamente, sombrio e sem esperanças, como se estivesse prevendo a sua própria morte, até desaguar no rio Itabapoana.

 





  No " Córrego Maria do Grilo" o que vimos é desalentador. Ele nasce límpido e brilhante lá pelas bandas do Córrego da Areia. Ao passar atrás do campo do Americano já é um esgoto fétido que serve de alimentação para os urubus. Continua o seu percurso pela cidade, recebendo em seu leito, garrafas plásticas e outros lixos de toda a natureza, oriundos das residências às suas margens. Sem possibilidade de respirar, por estar canalizado debaixo das construções, continua, lentamente, até desaguar no rio Calçado, contribuindo ainda mais com a poluição de suas águas.

   É importante que a população não se esqueça que, um dia, quem sabe, ele poderá cobrar o seu espaço, caso ocorra uma intempérie, como por exemplo, uma tromba d'água, semelhante 'aquela que assolou a cidade serrana de Santa Tereza, neste Estado, há alguns anos, causando destruição em vários imóveis construídos sobre o leito do córrego que corta aquela cidade.


 A equipe de " O broinha" fez esta reportagem, não no sentido de denúncia ou a procura de culpados, mas sim , cumprindo o seu papel, que é o de alertar a população pela atual situação de nossas águas. É urgente que todos os calçadenses, que vivem ou não na cidade, assumam as responsabilidades de cidadão com a sua comunidade e, sem rusgas políticas, ou passando a responsabilidade somente para o poder público, não se omitam, e, procurem meios para reverter esta situação. Esperanças existem, mas estão por um "fio".


Equipe de " O broinha"
Agosto de 2003



 

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