O RODEIO NO BRASIL: UM COMÉRCIO BILIONÁRIO COM ZEROS SEM CÁLCULOS. UM ESPORTE QUE VIROU UMA RELIGIÃO E UMA CULTURA RICA EMPRESTADA DO ESTADO DO TEXAS.

Por Sérgio Oliveira (Sp) e Ana Carla Montenegro Cavalcante (Mossoró-Rn).

Colaboraram nesta Reportagem Francioli Silva (Uberaba-Mg) e Jorge Fernandes (Mossoró-Rn)


‘Festa de peão é uma festa que leva alegria, o entretenimento para as pessoas, e a realização dos sonhos para os competidores e também uma fonte de renda para as pessoas que vivem e trabalham neste tipo de evento sem contar que gera mais de 1000 empregos diretos e indiretos cada evento deste. Então a festa de peão é o futuro sempre presente nas vidas das pessoas’.


O RODEIO E SEU ABROLHAMENTO

Conta-se que após os norte-americanos subjugarem a peleja contra os mexicanos no século XIX, os colonos ianques acabaram abraçando as praxes de origens espanholas. O começo se deu com a Dama e a as Festas mexicanas. Alguns anos depois passou a existir o rodeio, oriundo das lidas das fazendas de gado no centro-oeste. Em 1869, calhou a primeira prova de montarias em sela, no Deer Trail, no estado do Colorado-EUA. Serviram de cenários para provas espontâneas, os ranchos e fazendas, em ambientes que faziam lembrar os filmes de Western. Semelhante a todos os vaqueiros, as montarias avaliavam as habilidades típicas como o “BRONC” que coloca em teste a montaria e o laço. O rodeio surgiu como um entretenimento público, em inúmeros eventos do oeste, celebrações de julho e as convenções pecuárias, fatos ocorridos entre 1890 a 1910. Durante as primeiras décadas do vigésimo século, o rodeio é reconhecido como um esporte competitivo. Em meados de 1920, devido ao campeonato em Boston (EUA) e em Nova Iorque (EUA), começou a chamar atenção em um âmbito nacional para o novo esporte chamado RODEIO.

NO BRASIL

Barretos tinha como basal atividade econômica a pecuária. Retratava uma cidade serena lá no meio do nada, sendo acesso obrigatório das vias de transporte de gado entre um estado e outro, isso se popularizou como “Corredores Boiadeiros”. Tinha por lá um frigorífico Anglo, de propriedade da Família Real Inglesa, instalado em 1913, onde suas instalações traziam à tona um verdadeiro arrabalde da cidade inglesa. Naquela ocasião, era o maior da América Latina. Os peões de comitivas quando reunidos para repousar, criavam mil formas para se divertirem. Nestes encontros mostravam suas destrezas na lida com o gado. Era comum em Barretos a vinda de bailarinas de cabarés franceses pra entusiasmar fazendeiros e os peões de comitivas. O primeiro rodeio do país foi concretizado dentro de uma arribana com arquibancadas, em um sábado de 1947, na quermesse realizada pela Prefeitura Municipal de Barretos, na Praça Central da cidade. E assim começa a história de Barretos.

SALVA-VIDAS DAS ARENAS


Aqueles toureiros “salva-vidas” vestido de maneira totalmente bizarra, ou melhor, toda espalhafatosa, roupas próprias para chamar a atenção dos touros, proporcionam arras a eles e aos peões durante o rodeio. Várias vezes eles ficam entre o animal e o peão, após a queda de montaria. A dupla Django e Meio-Quilo é famosa, pois pertence a famílias de toureiros. Ser um palhaço do rodeio ou usar aquela roupa ádvena com rosto borrocado, não é sinônimo de fealdade ou truanesco, pois não haveria o rodeio sem eles, assim como não haveria a platéia sem os touros e peões, sendo também um trabalho digno e honesto.


O SURGIMENTO DO RODEIO DE BARRETOS.


A tradicional Festa do Peão de boiadeiro de Barreto abrolhou em 1955, sendo o primeiro evento do gênero realizado na América Latina. A primeira edição foi realizada embaixo de uma lona de circo, e nos dias de hoje a tradicional festa se tornou a mais importante referência cultural sertaneja do interior do Brasil. Com repercussão internacional, faz parte do calendário mundial de peões de todos os cantos. Próximo de completar 52 anos, a citada festa destaca-se no cenário como um dos mais antigos eventos de entretenimento, com uma história de desenvolvimento, sucesso e proeminência. Faz do Brasil um palco de Dallas emprestado com as mesmas honras de um grande país

OS INDEPENDENTES


A correta história do Clube “Os Independentes” começou a 15 de julho de 1955, quando 20 jovens boa-praça estavam sentados numa mesa de bar, e conversa vai e vem, deliberaram formar o famoso Clube, centrado na cidade de Barretos (SP). Determinaram uma regra: para se fazer parte do Clube, os aspirantes careciam de ser maiores, solteiros e independentes financeiramente, pois tinham como meta coletar recursos para entidades assistenciais durante as festividades do aniversário da cidade. O mandato do presidente ficara estabelecido que fosse apenas de um ano, podendo contemporizar por mais um ano. O autor desta idéia foi Antônio Renato Prata, sendo eleito o primeiro presidente.

PRIMEIRA FESTA E PRIMEIRO CAMPEÃO


No ano de 1956, Joaquim Luiz Goulart, 24 anos, foi eleito o novo presidente do Clube “Os Independentes”. Ficou decidido numa reunião que gincanas, partidas de futebol e pau-de-sebo fariam parte da programação do evento. Uma competição de doma de cavalos serve como inspiração para provas do dia do aniversário da cidade, 25 de agosto. Nos dias 25 e 26 de agosto de 56, é realizada a primeira festa oficial do gênero no Brasil. Entrando para história o peão Aníbal Araújo, um peão de fazenda que foi o grande campeão. Usando um megafone, Orlando Araújo (comerciante) e Orestes Ávila (fazendeiro), ambos sócios fundadores do clube dos “Independentes” foram os apresentadores da festa. Alaor de Ávila o cidadão que promoveu a festa, arrumou os cavalos e convidou os peões. Ismar Jacinto, um morador da cidade de Franca (SP) cedeu sua tropa de animais sem cobrar sequer um centavo. Arthur Vaz de Almeida, o “TUTI” organizou o rancho Nº. 1, que serviu como escritório do Clube. O primeiro juiz foi o pecuarista Beto Junqueira.


VIAJANDO POR BARRETOS.

Localizado na Rodovia Brigadeiro Faria Lima, km 428 o Parque do Peão Mussa Calil Neto, agregado em uma área de dois milhões de m², tendo a capacidade para comportar na arena 35 mil pessoas sentadas, o fantástico monumento foi projetado por Oscar Niemeyer. Para se ter uma idéia do tamanho da arena, é maior que o Parque do Ibirapuera, que possui uma área de 1,2 milhão de m².


O DINHEIRO QUE ROLA.



Durante o ano se movimenta 1,5 bilhão de reais em negócios com rodeios, alimentação, show, moda, carros, e indústria fonográfica. Em 10 dias de festa em Barretos, consomem-se mais de 350 mil quilowatt de energia, dois milhões de latas de cervejas, 32 mil garrafas de cachaças e 14 mil cigarros. A rede de telefonia celular instalada no parque suporta até 6,6 mil ligações simultâneas.


ESTACIONAMENTO


Há um mega estacionamento de 120.000 m², capacidade para 14 mil carros por dia. O Camping de 21. 000 m² é uma opção maravilhosa para aqueles de espíritos aventurosos e que tencionam curtir 24 horas de festa dia e noite, num balada sem fim, imergir de corpo e alma nos dez dias de festa. O Parque do Peão foi montado pelo Clube “Os Independentes”. O camping é dividido em duas alas: Solteiros e Famílias. O local conta com um forte esquema de segurança dia e noite. A área de campismo abriga 9000 pessoas, proporcionando a elas, chuveiros quentes e frios, lugar para lavar utensílios, energia elétrica de 110 e 220 volts, eletricistas de plantão, Bres, mercearias e armazéns.


POSTO MÉDICO


A Unimed com um atendimento fixo todos os anos no Parque ao lado da antiga sede, atende conveniado, membros do clube e o público em geral, possuindo um Pronto Socorro no Rancho do Peão. Foi firmado um acordo entre a Unimed e o Clube “Os Independentes” há 6 anos. 10 ambulâncias ficam de plantão dia e noite.


POSTO POLICIAL

Durante o acontecimento é instalado um posto policial dentro do parque em um prédio permanente que fica em frente à sede da administração do Clube. Atende todas as eventuais ocorrências, 24 horas por dia. São 500 policiais vindo das cidades vizinha e capital, como as cavalarias, viaturas, motos rotas, bombeiros e helicópteros.

OS RANCHOS PARTICULARES

Mais de 20 ranchos particulares embelezam o parque. É uma atração à parte. Nos 10 dias do evento, seus proprietários, familiares e convidados Vips curtem uma atmosfera muito fantástica, com muita música country e sertaneja, comida típica, bebida e alegria.

A FEIRA COMERCIAL E DA ALIMENTAÇÃO.

Com mais de 1500 m² totalmente vendidos para mais de 100 expositores, o turista tem à sua disposição vários itens de consumo, quão de assinatura de revistas, calças, camisas, cintos, chapéus, botas, bijuterias, revelação de filmes, CDs, roupas de couro, selaria até celulares e carros etc... Para se alimentar há uma extensão da Feira Comercial com mais de 30 opções de diversas comidas japonesas e chilenas, pastéis, pão de queijo, churros e bebidas para todos.


A TRADIÇÃO DA QUEIMA DO ALHO


A tradição se pôs em 1955. A chamada Queima do Alho* é a tradição da culinária típica das comitivas de peões de boiadeiro e virou uma das principais atrações da festa do peão de boiadeiros de Barretos. Faz parte do cardápio arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco. Faz-se comida em fogão improvisado, bem próximo ao chão. Um concurso culinário é realizado em um espaço propriamente feito para isso, chamado Ponto de Pouso, em que o vencedor é o cozinheiro que prepara a melhor refeição à moda dos tropeiros, no menor espaço de tempo. O concurso ocorre no segundo sábado da festa, exclusivamente para convidados e imprensa.
* realizado em um espaço de 1.500 metros quadrados, instalados em uma reserva florestal de 24.500 m².

A ORIGEM DA ESCOLHA DA RAINHA.


O CLUBE “Os Independentes” promove a escolha da rainha da festa, desde 1956. O evento sofreu vários formatos. DE 1956 a 1970, o citado Clube promovia um concurso com moças apuradas da sociedade de Barretos. A moça que vendesse mais “Prestígios”, era a vitoriosa e a renda era doada para instituições caritativas. O ano de 1970 marcou o inicio do concurso em passarela, o qual as moças representavam os clubes sociais, clubes de serviços, entidades de classe, escolas, faculdades, sindicatos, entre outros. Sempre incidia no Ginásio de esportes “Rochão”. Esta fase tinha como características as apresentações das candidatas em traje típico estilizado e fazia-se o teste de comunidade oral, o qual colocava a prova de desembaraço das gatinhas. Houve uma mudança total a partir de 1995, onde meninas de todo país disputavam etapas locais e as vencedoras disputavam em Barretos o concurso Garota Brasil, firmando uma parceria com a agência Ford Model’s, no primeiro dia da festa, no estádio do rodeio. Como o povo de Barretos e regional apelaram , em 1999, o Clube Os Independentes voltou a realizar o Concurso para escolha da rainha com representações locais e regionais. Já no ano de 2002, passou a ser realizado no Berrantão, como parte do calendário de eventos permanentes do parque do peão. .

OS ANOS 80, 90 E A ERA 2000.


Concretizando-se de vez como o maior festejo country do país, o indumento do peão deixa de ser a bombacha, o lenço usado no pescoço, o cinturão de couro (guaiaca) e a bota de cano longo toda de fivelas. Adota-se o estilo dos peões estadunidenses, usando jeans justo no corpo e o cinto de couro fechado com larga fivela. Em 1980, o Clube os “Independentes” amplia seu patrimônio com a aquisição de uma gleba de 40 alqueires para a instalação do Parque do Peão. O rodeio passa a ser internacional com o início das montarias em touro em 1993.
Em 1998, a 3ª edição da Festa foi realizada no novo espaço e compareceram milhares de pessoas de todo Brasil. O estádio de rodeio, projetado por Oscar Niemayer, com capacidade para 35 mil pessoas sentados, é inaugurado em 1989. Marcou o inicio do Festival da Violeira. O primeiro evento internacional aconteceu em 1994, com a presença de peões americanos, canadenses, australianos, tornando assim, admissível Barretos sediar uma das etapas da PBR (Professional Bull Riders), onde o vencedor tinha a chance de disputar a grande final com os melhores do mundo, em Las Vegas, EUA. Foi incorporado à área do Parque do Peão mais de 10 alqueires. Esta fase marcou o inicio dos shows internacionais, com a presença de feras como Garth Brooks e Alan Jackson.
EM 1991 Barretos historia o maior número de montarias, 950 e entra para o Guinness Book. Mauri Abud Wohnrath, assume a presidência do Clube Os Independentes em 1993 e viaja para os Estados Unidos ao lado de Wilson Franco de Britto e Andrew MacNab com intento de agenciar a montaria de peões estrangeiros em Barretos. Adriano Moraes patrocinado pelo Frigorífico Anglo vai para os Estados Unidos em 1994, sendo o primeiro peão brasileiro a ser patrocinado e montar fora do país. Pela primeira vez a Brahma lança latinhas de cervejas da festa de peão de Barretos. O Brasileiro Sigmar Colatrúglio (POTIRENDABA-SP) supera o favoritismo do americano Clint Branger e é o grande campeão da 39ª Festa de Barretos em 1994. Neste mesmo ano houve a 1ª prova de Saddle Bronc (sela americana), sendo o campeão Credenci da Cunha. Virgílio Gonçalves se torna tricampeão em cavalos e Edson Avelino ganha o Internacional Rodeo. As provas Cutiano (cavalos), Bareback, Saddle Bronc, Bull Dogging, Laço de Bezerro e Montaria de Touros, são apenas em caráter experimental. Os clubes de rodeios de Barretos-SP, Jaguariúna-SP, Presidente Prudente-SP e Goiânia-GO, no dia 29 de janeiro, dão início às atividades da Federação Nacional e Rodeio completo (FNRC).
Barretos realiza a 42ª festa do peão e o 5º Internacional Rodeo, fazendo parte da PBR. O vencedor foi Paulo Henrique Linares de GUZOLÂNDAIA-SP. Durante a 44ª Festa do Peão e 7º Internacional Rodeo, o deputado Vanderlei Macris assina a lei nº. 268/8, aprovada por unanimidade pela Assembléia Legislativa de São Paulo em julho de 1999, o qual regulamenta o rodeio em todo estado. Neste ano nasce o Rancho do Peãozinho, que exibe uma área de 30 mil m², feito de maneira especial para as crianças. No ano de 2000, com o aumento de público da festa, é realizada melhora na infra-estrutura no estacionamento de ônibus de turismo que abarca um espaço de 726 m² do Parque do Peão.
No ano de 2001, novo século, na modalidade em Touros, Elton Barbosa de Douradina -PR, é o campeão. No mundial de Toyota, em outubro de 2001, em Jaguariúna-SP, o peão Neyliowar Tomazeli, de Poloni-SP, foi montar o TOURO BANDIDO, touro pertecente naquela ocasião ao almocreve Neto Oger. O competidor foi lançado na areia e depois bombardeado quase 6 metros de altura. Nove meses foi o tempo que Neyliowar Tomazeli ficou sem montar. As imagens do acidente foram filmadas por várias emissoras de TV e foram veiculadas em diversos programas de TV, as quais tornaram o Touro Bandido uma celebridade. Marcou-se a criação e organização da 1ª Cooperativa de Trabalho dos Profissionais dos peões de rodeio.
O Presidente Fernando Henrique Cardoso, em 17 de julho de 2002, sanciona o projeto de lei que dispõe sobre a promoção e a fiscalização da defesa sanitária animal, quando da realização de rodeio. O projeto de autoria do deputado Jair Meneghelli, traz obrigações e punições para os organizadores de rodeios e peões e a sansão da Lei foi uma vitória dos profissionais e organizadores do evento no país, a qual teve início em abril de 2001, com a instituição da Lei 10. 220/2001 que faz do peão de Rodeio um atleta profissional. Foi a 47ª Festa do Peão de Rodeio de Barretos e o 10º Barretos Rodeo, onde o patrocinador Wrangler ofereceu a maior premiação para o campeão em touros. Adriano Moraes (bicampeão mundial de rodeios) e Paulo Crimber (campeão 2001 da FNRC), por motivo de saúde não participaram. Ananias Pereira, peão da cidade de Pompéia-SP, ganha o prêmio Wrangler e na modalidade cutiano, José Damião da Silva, da cidade de Colorado-PR e o vencedor.
A prova de Team Peaning, a mais familiar do Rodeio Brasileiro, prova esta que participa competidores que são parentes entre si. A dupla Juliana Andrade e Jucimara, de Taboão da Serra, SP, vence a 19ª Violeira Rose Abrão, festival de música raiz da Festa de Barretos. As provas de laço em dupla e laço de bezerro (2002) não são realizadas devido à falta de redutor de impacto, fato ocorrido na 48ª Festa de Boiadeiro de Barretos. O Team Penning entra oficialmente para o Rodeio Completo, distribuindo $R 20 mil reais em prêmios. Os campeões foram o trio de Novo Horizonte - SP, Adaldio Castilho, José Mário Vilela e Sebastião do Vale. O TOURO BANDIDO da tropa de Paulo Emilio é desafiado pelos peões Neyliomar Tomazeli (Ver acidente em 2001 após montar o Touro Bandido) e Ananias Pereira (campeão de 2002 em Barretos), só conseguiram ficar 4 segundos em cima do famoso Touro BANDIDO. Em 2004 acontece a 1ª Pec Show, em abril de 15 a 25. O primeiro Antigomobilismo é realizado nos dias 9 a 11 de julho. Os campeões de Barretos foram Fabiano Vieira de Pérola-PR (montaria em touro), e Eder Fiori da cidade de Aparecida do Taboado-MS (prova de cutiano). A Rede Globo de televisão começa as gravações da Novela América.
Em 2005, a festa acontece nos dias 11 a 28 de agosto. Na entrada do Parque do Peão, e inaugurado o Monumento em homenagem aos profissionais de rodeio. A urna de Os independentes, enterrada no ano de 1984, ocasião da inauguração do Parque do Peão, guardando jornais, revistas e documentos de época. Uma nova urna foi enterrada para ser aberta na 75ª Festa do Peão Boiadeiro no jubileu de diamante. Foram plantadas 50 mudas de ipês. Foi lançado o Empreendimento Barretos Thermas Park/ Gold Dolphin, Hotel com um Parque Aquático e 703 apartamentos, previsto para ser inaugurado em 2008. O Memorial do Peão é consagrado, contando com um acervo que conta a história da Festa de Barretos e de os Independentes. Acontece a primeira Festa Rave dentro de um templo de rodeio. Os campeões foram Francisco Henrique Felix Silveira de São José do Rio Preto-SP, na montaria em touro. Júlio César Camargo de Jales, SP e Arnaldo Gomes da Silva da cidade de Frutal-MG, na montaria cutiano. É gravado o final da novela América. O grande campeão de 2006 é o peão Antônio Jucelino Costa, da cidade de Tietê-SP.


O PAU DO FUXICO

Centrado no Rancho Country um espaço para apresentação de música raiz, e também Oratório dos Peões de reflexões e
orações com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O salão é em estilo “rancho”. Tal rancho country é a sede onde são realizadas mensalmentes assembléias do Clube Os Independentes, onde são tomadas as decisões mais importantes da Festa de Peãoparecida, santa padroeira do Brasil e dos peões, segundo crença da religião católica.

RITMO SERTENEJO E COUNTRY


A música country e sertaneja do Brasil mobiliza milhões no mercado fonográfico. Os ingressos dos shows no rodeio são disputados acirradamente e a multidão de pé canta refrão por refrão, deixando esvair do coração os sentimentos que atropelam as paixões, paixões desencadeadas em circunscrições rublos. No saibro até os touros se emocionam ao ouvir hits dos consagrados cantores da música country como Garth Brooks, George Strait, Tim McCraw, Keith Urban, Alan Jackson, George Ducas, Faith Hill, Shania Twain, Sara Evans, Edson e Hudson, Billy Ray Cyrus, Trisha yearwood, entre outros. A música campesina retrata em suas letras o panorama dos campos, lindos bois e vacas e os amores que vão e vem. A diferença da musica country para a sertaneja e que na musica country usa-se muito acoustic guitars, fiddle, harmônica, electric guitar, accordion, mandolin, banjo, arco bass, violins, cellos, saxophone e a bela steel guitar, instrumento que endeusa a música country, tornando-a uma espécie de transporte para o outro lado da vida, nos dias mais felizes de nossas vidas. Resumindo, a música country é uma religião, a soma da paixão, o coração e a alma.

A GÍRIA NO MUNDO DOS COWBOYS.

Se você for a alguma Festa de Peão Boiadeiro é melhor aprender algumas gírias ou vai ficar a ver navios. Esqueça o seu português, o seu inglês ou espanhol e seja um pouco mais aplicado e terá bons resultados. Se alguém lhe disser: “Você parece ser bicharedo e bitelo. Quer ser meu cumpa? Sou cowboy e espero não cair na boca do balaio ou não vou arrumar nenhuma chaiene.” Calma pessoal, não é nenhuma ofensa, ele quis dizer que você parece ser uma pessoa legal e boa-pinta e quer ser seu amigo e também que ele é um vaqueiro e espera não cair no primeiro pulo do animal ou ele não vai arrumar nenhuma gatinha linda.
Ao que parece o patoá deles é uma cultura, não e sinônimo de roceiro ou Capiau. Qualquer outro idioma ou línguas de gírias, como a do mundo do rodeio, locupleta-se seus conhecimentos, pois empobrece a sua cultura e se você for do tipo que menospreza a cultura das pessoas do interior, dos nordestinos, dos ciganos, entre outros, chacoteando do modo que eles se expressam.


O QUE É UM ABEIA.


Abeia é todo jovem bem-educado que se veste de ‘cowboy’ em época de festa e peão boiadeiro. Como não quer fazer feio ou ‘pagar mico’, expressamente dito, ficar fora do estilo, compra tudo que encontra pela frente em termos de acessórios e peças que acredita ser apropriado para um correto peão. Pelo fato de não se informar melhor, comete pecado do tipo, usar adereço de couro em excesso, lenço amarrado no pescoço e levar garrafinha de uísque a tiracolo.


 

Francioli SILVA (Locutor de Rodeios)
 

FOTO: O ATUAL PRESIDENTE Marcos José Abud Wohnrath
 

FOTO: CLUBE DOS INDEPENDENTES.
 

Na foto, a Rainha Atual, Drielly Nascimento, 18 anos
 

NA FOTO, Adelita Lemes, a Garota Motorcycles 2006
 

SHANIA TWAIN
 

KEITH URBAN.
   
 

A RELIGIÃO E A MODA.


O catolicismo é predominante. A devoção a Nossa Senhora Aparecida reina na crença dos peões católicos. Os Peões de Cristo (protestantes), não adotam os rituais dos católicos no rodeio.

O carro de consumo é o Silverado. Fivelas de prata, pulseiras de ouro e botas importadas fazem sucesso. As famílias conservadoras possuem ranchos com estilo texano e com um cenário típico.

A VAQUEJADA E O RODEIO.

‘Mas por aqui as pessoas de todas as faixas de idade freqüentam, de crianças até idosos. A vaquejada é muito valorizada no Nordeste, há algumas diferenças em relação ao rodeio, pois na vaquejada não tem competição de boi pulador e nem de cavalo, é só derrubar boi e corrida de Três Tambores (bom esse é o básico), e sempre tem festas com bandas de forró. Eu gosto de interagir com esse ambiente rural, acho interessante a forma como os vaqueiros lidam com os animais, há um tipo de respeito entre homem e animal. Eu pratico vaquejada, mas o pouco que eu sei é o bastante para ter me apaixonado por esse esporte tão fantástico’ (Ana Carla Montenegro Cavalcante, Mossoró-RN).


Foto: ANA CARLA E SUA MÃE ANATHALIA.

O Rodeio e a vaquejada são dois esportes irmãos, envolvendo emoção, touros, vacas, bezerros, bois, muita cerveja, dinheiro e mulher gostosa. O peão sentado no lombo do animal é a atração para uma arena repleta de pessoas de espírito country. Os peões deixam seus pathos, alacridades e angustia serem levados pelo pulo do animal, animal este que ao se assustar com a arena lotada e com o som country no volume Máximo , tenta se livrar do competidor. O tombo antes dos 8 segundos não representa a derrota, pois a mais das medíocres desbaratas , é a falta de coragem em se competir . Nem sempre o homem sobrevive para contar suas glórias aos seus netos. Entre 1/5 de 8 segundos o peão é pego de surpresa pela massa bruta do touro e por ter sua natureza frágil, acaba perdendo sua vida. O que era alegria e emoção se torna consternação, ressurgindo das cinzas memórias de Lane Frost, o peão mais famoso do rodeio que perdeu a vida em um domingo triste de 30 de julho de 1989. Lane foi um exemplo de cowboy, não temia o medo de subir no lombo do touro furioso, e também sua humildade falava mais alto. Fez que as pessoas amassem cada vez mais este esporte. Rodeio é um pássaro ferido que levanta vôo após várias tentativas, em uma tarde de domingo com dois lábios unidos e apaixonados, onde presenciam que nem sempre a alegria é a campeã.

A VAQUEJADA EM SI


Trata-se do evento mais tradicional do ciclo do gado no nordeste do Brasil. Nos dias de hoje é um acontecimento urbano e público, que faz que muitos bisbilhoteiros compareçam as festas. Tem como objetivo reunir os gados nos fins do período hibernal, para beneficiamento, castração, ferra e tratamento de feridas. Em outros tempos tinha o escopo da prática da apartação, ou seja, a divisão do gado entre os fazendeiros. O gado parecia não ter dono, pois era criado solto em pastos comuns. Quando chegava o mês de junho o gado era levado para os grandes currais. A outra parte do gado era guardada ou reservada para derrubada, ou melhor, a vaquejada bem traduzida, o folguedo de derrubar o animal pela cauda, indo o vaqueiro de cavalo. O boi ou a vaca era tangido para fora da porteira, correndo ao seu lado sempre dois cavaleiros. A função de manter o animal em uma determinada direção, em certa linha, cabia ao cavaleiro da esquerda, o qual é chamado de esteira. O cavaleiro da direita tinha como função derrubar o animal e todas as honras da aclamação eram concebidas a ele. Ao emparelhar com o animal em disparada, o vaqueiro segura-lhe a cauda dando um forte puxão (a puxada), afastando-o e, ao mesmo tempo o cavalo. Isto se chama “mucia”, saiada ou arrasto. Quando sem equilíbrio, o animal cai, com as patas para cima, numa queda cabal, triunfal conhecida como ‘mocotó passou’. A rês rola no chão depois de derrubada, gritam e aplaudem: - Embolou! Mas se o animal fugir ileso da puxada, o vaqueiro recebe vaias, zombarias, batidas de bombo ou pratos, fato este conhecido como ‘botou o boi no mato’, ‘ganhou o pau’, ‘ganhou a madeira’, ‘caiu no marmelo’ ‘sumiu na poeira’, ‘deu adeus ao rabo’. Neste caso o vaqueiro levou Fede (verbo feder). No Brasil antes do ano de 1870 não há registro da vaquejada, caracterizada pela saiada, puxão de saia, queda-de-rabo, fortalecendo a origem espanhola. Era habitual o seu emprego entre os crioulos, mestiços, espanhóis nascidos na América, porém não entre os indígenas, os quais manejavam o ferrão e dominavam o gado com a garrocha (pau com ferro farpado numa extremidade)
O feito da derrubada do boi pela cauda popularizou-se rapidamente pelo nordeste brasileiro, devido ao tipo de vegetação das caatingas e carrascais, entrançados de cipós, juremas e marmeleiros, os quais impossibilitam o espaço livre para o lançamento do laço ou boleadeiras, muito utilizados para a derrubada do boi nos pampas do Rio Grande do Sul. A não ser fora da exibição das vaquejadas, o casaca-de-couro persegue e derruba o animal para colocar-lhe o chocalho, para mascá-lo, peá-lo e levá-lo para o redil, havendo lances dramáticos nas derrubadas feitas nas caatingas, sem testemunhas, aplausos e fora de total presença da imprensa. O estado do Rio Grande do Norte deu o pontapé inicial para a metodologia da vaquejada, esporte este emocionante e que arrasta milhares de pessoas para os parques onde se dão as competições, feiras e muito forró com direto a mulher gostosa. Hoje a vaquejada é um esporte regulamentado pelo Projeto de Lei do Congresso Nacional, nº. 249, de 03 de março de 1998, que sopesa que a vaquejada é ‘prática desportiva formal... um espetáculo de crescente importância econômica, turística e cultural, muito popular em diversas regiões do País’.
Empresários do Brasil todo vêem o acontecimento como um amplo e afortunado comércio. As vaquejadas são consideradas ‘Grandes Eventos Populares’ deixando passar de ser um simples saimento Cultural Nordestino, e seduzindo um fantástico público donde quer que ocorram.
FOTO: Jorginho e sua namora Domênica.

SOBRE O GALÃ TOURO BANDIDO

Vamos conhecer um pouquinho da vida deste lindo touro e celebre no mundo todo. Bandido ficou famoso na arena de Jaguariúna-SP, em 2001 (ver tópico acima). O charmoso Bandido é do signo de leão, tem 10 anos, reside em dois cercados numa área de 48 mil m² na fazenda Santa Martha, em Icém no interior de São Paulo. Segue uma dieta à base de milho, come sete kilos de ração misturada com 30 kilos de silagem. Muito malandro não gosta de treinar, parece alguns jogadores do Brasil na última Copa do Mundo, cheio de preguiça. Mesmo sem treinar pula muito alto. Os touros treinam nadando e trotando, ganhando assim musculatura e forças nas manobras. Muito vaidoso de dois em dois dias, faz o casco: lixa e passa uma solução com iodo. Um procedimento semelhante ao da pedicure. Ele viaja sempre sozinho, não gosta de dividir espaço, anda numa carreta de 14 metros de comprimento: Um privilégio. Um touro qualquer teria que dividir o espaço com outros 20 da espécie na mesma carreta. Gosta de cavar a terra com o chifre e de esfregar o rosto na terra e mugir para provocar outros touros. Detesta bois, touros, cavalos e humanos. Tem que se manter pelo menos 3 metros de distância. Para dar comida ao simpático touro, os peões necessitam imobilizá-lo no tronco. O capitulo triste de sua vida foi quando seu melhor e único amigo, O boi Guarda-Costas, o qual somente bandido dava permissão para ficar em seu cercado e que foi seu mestre de natação, morreu afogado. Agora além das vacas, Bandido só deixa as galinhas tocarem nele. Seu irmão, o Touro Inimigo, se separou dele em 1999 e não se sabe onde ele está. Bandido tem dois lindos filhos: O Touro Rei (2 anos) e a vaquinha Estrelinha (4 meses). Teve um romance com a vaca também chamada Estrelinha, foi um Affair muito curto. Sua primeira transa aconteceu de um modo não muito agradável, pois Bandidinho quando tinha 20 meses pulou uma cerca e ficou com uma vaca em Rio Verde (GO). O normal do inicio da vida sexual dos touros é aos 18 meses. Seu dono Paulo Emílio tem em sua Cia. de Rodeio nada mais nada menos que 190 touros. Bandido, um verdadeiro Tony Meola (ex-goleiro da Seleção dos E.U. A) provoca arrepios no povo feminino. Por ter um pulo certeiro BANDIDO conquistou o titulo “Arena de Ouro”, como Touro Duro na Queda, em 2003, em Jaguariúna (SP). Comprado no Paraná, o lindo touro nasceu para brilhar e encantar o peão nacional e estrangeiro. Agora, Bandido espera sua morte para se encontrar com seu amiguinho do coração o Boi Guarda-Costas, lá no céu mais sublime.


Foto touro Bandido


MENSAGEM FINAL


Fim de mais uma festa de rodeio, a noite cede espaço para um novo amanhecer, a platéia segue rumos diferentes. A poeira e o sereno permanecem nas jaquetas e botas de couro. As águas as lavarão e os sóis a secarão, mas da lembrança o tempo nunca apagará, pois este momento é celestial. O rodeio não é somente o peão reptar o touro, é mais que uma longa noite de prosperidade, é a estação prestímano em que deslembramos que há um mundo lá fora cheio de pugna, fome, tragédias e hostilidade, o qual não parece ter mais fim. O coração fica casto, é como dois jovens se amando ardentemente em flamas. Às vezes, parece que até os animais trocam olhares apaixonados com o público, é como se eles articulassem: Obrigado, galera, por ter vindo, sem vocês não haveria a festa e como a padaria sem o padeiro, não teríamos o nosso pão de cada dia.
É tocante ver os peões se aparelhando para a montaria, seus rostos apregoam incertezas, mas não medo. A coragem os faz fortes, em um esporte perigoso. Muitos daqueles peões humildes, lógico há aqueles ricos que ganharam milhões com suas glórias no lombo do touro, andam quase 300 km a pé ou de caronas pelas estradas da vida para tentar ganhar a vida e ajudar as suas famílias que ficaram a milhas para trás. Quatro horas da manhã, sigo para casa, frio e neblina, uma música country tocando em algum lugar. Talvez eu estivesse alojado no meu cérebro um pouco de refrigerante ou uma Six Pack (MEIA DUZIA DE CERVEJA), tanto faz, pois o sentimento é um só, da esquerda para direito, entre um meio e um fim. Assim vivo a pensar em tudo que escrevi nestes longos dias de reportagem, os quais eu definiria como um dia que se vai para recomeçar em um outro amanhecer dividindo, as Alegrias e derrotas montado em um lombo de touro, o qual quer ser seu amigo.

 

 

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