BROINHAS VISITAM PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ E CONQUISTAM O
TERCEIRO MAIOR PICO DO BRASIL


Por Addison Viana

São José do Calçado:Talvez seja uma surpresa para muitos, mas, São José do Calçado – ES, a cidade broa, é o Portal da Região Serrana do Caparaó. Pode-se colocar no início da cidade uma placa com o seguinte dizer: “Seja bem-vindo à Região do Caparaó”, e, desde aqui, sinalizar a estrada para o Parque Nacional do Caparaó. Talvez essa pequena ação fosse um passo para o início de um desenvolvimento turístico no nosso município.
Pela sétima fez fui visitar o Parque Nacional do Caparaó, junto com os amigos Márcio Garcia, Luiz Henrique, Evaristo Almeida e Samir Faria. A excursão ecológica se deu da seguinte forma:


No dia 27 de julho de 2005, Luiz Henrique. Márcio e Eu saímos por volta das 14 horas de São José do Calçado, rumo ao Parque Nacional do Caparaó. No percurso fizemos uma parada para visitarmos a cidade de Espera Feliz – MG, onde fizemos uma foto num monumento da Praça Pública e frente à Igreja Matriz. O Parque se localiza a 120 km de São José do Calçado, passando por Dores do Rio Preto – ES, Espera Feliz – MG, Alto Jequitibá – MG e Alto Caparaó – MG, última cidade antes de subir para a portaria do Parque. Não deixamos passar nada por despercebido, aproveitamos para olharmos em todos os detalhes de cada lugar que passávamos.

Chegamos à cidade de Alto Caparaó por volta das 16 horas e 40 minutos, aproveitamos para fazer as compras das coisas que tínhamos esquecidos, fizemos um pequeno passeio pela cidade, (foto à esquerda do coreto da Praça de Alto Caparaó e ao fundo a Igreja Matriz). Em seguida demos continuidade a nossa viajem, com destino agora ao Parque Nacional do Caparaó. O Parque foi criado em 1961, fica a leste do Estado de Minas Gerais e a Sudoeste do Espírito Santo, nos municípios de Espera Feliz e Caparaó, em Minas, e Iúna, Alegre, Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço, no Espírito Santo. Sua área é de 25 mil hectares, com grandes trechos de mata pluvial tropical e de vegetação rupestre.

A região da Serra do Caparaó apresenta as maiores altitudes do sudoeste do Brasil, em torno dos 2.000 metros acima do nível do mar. O ponto culminante é o Pico da Bandeira, com 2.890 metros. Do primeiro acampamento (tronqueira), já é possível estar acima das nuvens, onde do mirante se tem uma visão de uma imensa cadeia montanhosa além das cidades de Alto Caparaó - MG, Manhumirim - MG, Carangola - MG e outras. O acampamento possui uma infra-estrutura para atender a todos, com banheiros, lava-pratos, estacionamento e fiscalização permanente. Da tronqueira até o Pico são 9 km de caminhada. (Foto à esquerda do mirante – tronqueira).

No acampamento é preciso ter cuidado com os Quatís, não por eles serem perigosos, o que não são, mas por terem a mania de roubarem as comidas dos montanhistas. Até uns 10 anos atrás eles eram ariscos e não apareciam em público, mas com o passar do tempo os turistas os deixaram mal acostumados, quando aparecia um eles aproveitavam para alimentá-lo. Assim, hoje, nos horários das refeições, eles aparecem em grande quantidade, dispostos até a invadir barracas atrás de alimentação. Sendo assim só nos restam duas opções: alimentá-los até enchê-los, ou então ficar vigiando os alimentos até eles desistirem e irem embora.

No dia seguinte, 28, aguardávamos pela chegada de nossos amigos Evaristo e Samir, pois o combinado era de começarmos a caminhada naquele dia. Fizemos uma pequena caminhada pelo Parque, como em todos acampamentos a cada minuto fazíamos novas amizades. Por volta das 16 horas Evaristo e Samir chegaram ao acampamento, por lá fizemos uma refeição, armamos o acampamento deles junto ao nosso, preparamos nossas mochilas, sacos de dormir, energéticos, afinal, não queríamos passar aperto em nenhum momento de nossa caminhada ao Pico da Bandeira, enfim, iríamos estar a 2.890 metros à nível do mar, e a 9 km do nosso acampamento.

A caminhada de 4,5 km até a Casa de Pedras foi tranqüila, saímos da tronqueira por volta das 18 horas e 35 minutos, chegamos à Casa por volta das 20 horas e 50 minutos. A trilha estava bem marcada o que facilitou bem nossa subida. O frio estava presente em todos os momentos, durante a caminhada era possível não sentir a presença dele, mas nas paradas que fazíamos para descansar era impossível não sentir. De nós cinco aventureiros o único calouro era o Samir, Márcio já tinha ido uma vez, Luiz Henrique também, Evaristo umas 4 vezes e Eu já tinha ido 5 pelo lado de Minas e uma pela portaria capixaba.


Ao chegar à Casa de Pedras, tivemos uma notícia desagradável, parte da parede da casa tinha acabado da cair, o que levou ao casal que lá estava a se hospedarem no banheiro. Mas analisamos a situação do imóvel vimos que mesmo com o buraco na parede não havia perigo, podíamos ficar dentro da casa sem problemas, Evaristo encontrou uma lona e aproveitou para com ela cobrir o buraco da casa. A Casa de Pedras serve como apoio para quem sai cedo da tronqueira, como foi o nosso caso, chegamos a Casa, fizemos um leite quente, esquentamos uma carne de porco, fizemos amizade com o casal Camila, de Riberão Preto e Alex de Belo Horizonte, e dormimos até às 03 horas e 20 minutos. A temperatura marcava -2 Cº.


Saímos da Casa de Pedras (Terreirão) por volta das 03 horas e 40 minutos, agora estávamos em sete, Camila e Alex se juntaram a nós. Do Terreirão ao Pico da Bandeira eram mais 4,5 km de caminhada, e desta vez mais incline, mas nada de monstruoso. Nosso objetivo era chegar a tempo de ver o Sol nascer, espetáculo esse que estava marcado para as 06 horas e 19 minutos. Durante a caminhada paramos por várias vezes para descansar, estávamos cientes de que nosso rítimo estava bom, e se permanecêssemos assim chegaríamos ao topo sem problemas, não queríamos chegar muito cedo para não termos de ficar pegando frio até o Sol nascer.


Conquistamos o Pico da Bandeira quando o relógio marcava 06 horas e 08 minutos, em fim, alcançamos nosso objetivo, podemos assistir ao grande espetáculo esperado por todos que fazem essa caminhada, o nascer do Sol, que foi deslumbrante. Em seguida tiramos algumas fotos e voltamos para o acampamento, aonde chegamos às 12 horas e 15 minutos. Descansamos, e às 16 horas e 30 minutos fizemos uma reforçada alimentação para repor as energias que tínhamos gastado durante a caminhada. Naquele dia cerca de 40 pessoas conquistaram o Pico. Agora estávamos nos preparando para assistir a um outro show, o pôr-do-sol que pode ser visto do acampamento.


E não demorou muito o show aconteceu, o mirante do acampamento estava lotado por visitantes que foram ao local simplesmente para verem o pôr-do-sol. Crianças, adultos, jovens, terceira idade, enfim, todos apreciando a maravilha, o mistério da natureza criada por Deus. Aquela era nossa última noite no acampamento, então procuramos aproveitar o máximo. Durante os dias que lá estávamos, fizemos churrascos, chocolates, angu a mineira, péla égua, feijoada, tudo para matar a fome e nos esquentar do frio, na última noite o termômetro marcou 3 Cº dentro da barraca. Cada um usando 3 blusas de frio, 3 calças, 3 pares de meias, 2 pares de luvas, 1 toca, e ainda assim era possível sentir uma pequena sensação do frio que lá fazia.

No dia seguinte, 30, a visita foi ao Vale Encantado, um Vale com contínuas cachoeiras, onde a água marca seus – 3 Cº (aprox.), que mesmo com essa temperatura baixa, Evaristo e Samir foram os corajosos que entraram de mergulho nas águas cristalinas do Vale. Naquela tarde podemos também assistir aos saltos de parapente que alguns esportistas estavam realizando próximo ao acampamento. Por volta de 1859, D. Pedro II ordenou que fosse colocada na parte mais alta do Caparaó uma bandeira do Brasil, daí surgiu o nome Pico da Bandeira, bandeira esta que se acabou devido aos turistas que lá chegavam cortarem um pedaço dela para guardar de recordação.

Descendo do parque paramos ainda para visitar o Vale Verde, visita essa que não demorou muito devido o anoitecer, o que não nos possibilitou uma vista clara do ambiente. Mas como todos já conheciam bem o parque ficamos tranqüilos, a não ser Samir que só poderá ver o Vale Verde agora na próxima ida ao Parque. Terminamos de descer para o portal, onde fizemos à última foto no Parque. Logo entramos nos carros e partimos atrás de uma boa pizzaria que fomos encontrar apenas em Espera Feliz – MG,saboreamos duas belas pizzas Portuguesas, depois passamos na cidade de Guaçuí – ES para ver a movimentação do show do Calypso e em seguida voltamos para Calçado aonde chegamos às 00 horas e 20 minutos. (Mais fotos no fash broinha)




 

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